Tratamento do VIH/sida não chega a todos os migrantes
15.06.2007
Medidas de integração reduzem custos na Saúde
É impossível controlar a epidemia de VIH/sida na Europa, enquanto as populações migrantes e minorias étnicas não beneficiarem de acesso universal à prevenção, despistagem e tratamento da doença. Esta é uma das conclusões da conferência europeia que se realizou em Lisboa, nos dias 7 e 8 de Junho, sobre o tema «O direito à prevenção, tratamento, cuidados de saúde e apoio contra o VIH/sida para os migrantes e as minorias étnicas na Europa: a perspectiva da comunidade». O evento, organizado pelo European Aids Treatment Group (EATG) e pelo Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/Sida (GAT), reuniu, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa, 225 representantes de diversas organizações e países para analisar um problema que tem gerado intenso debate em toda Europa.
De acordo com Luís Mendão, vice-presidente do GAT, garantir a «inclusão» destes grupos no acesso a cuidados de saúde «é a única política de Saúde Pública que pode ter resultados». Mesmo «do ponto de vista económico», é hoje sabido que esta medida é considerada «menos onerosa», uma vez que «os custos que vamos ter a seguir com o aumento da incidência e com a degradação do estado de saúde das pessoas, não só dos migrantes mas da população em geral, são enormes», explicou ao «Tempo Medicina».
Presidência portuguesa da EU
Há cerca de cinco anos a trabalhar estes temas, é com satisfação que Luís Mendão vê o assunto ser integrado na agenda da presidência portuguesa da União Europeia (UE). «Nós aplaudimos a iniciativa de Portugal», frisou, tendo em conta que «este é um problema fundamental para o qual a Europa tem de encontrar soluções e políticas que sejam eficientes, e cujos resultados possam ser avaliados, sob pena de criarmos guetos».
Tendo em conta estudos recentes que apontam para o facto de os países da UE necessitarem ainda de 40 a 60 milhões de imigrantes «no curto prazo», o dirigente salientou que se os políticos «não tiverem a coragem de enfrentar essas necessidades, o mercado vai funcionar pela via do mercado negro e dos imigrantes ilegais».
Segundo o responsável, o trabalho dos participantes na conferência alicerça-se em «vários factores». Desde logo, «as pessoas que sabem que são seropositivas diminuem com grande significado os seus comportamentos de risco», referiu. Por outro lado, «os indivíduos que são bem tratados tornam-se menos infecciosos». Desta forma, «uma boa política de controlo da epidemia» tem que passar por «prevenção para todos», «acesso fácil à despistagem com aconselhamento e confidencialidade», sem esquecer o «acesso aos tratamentos», sintetizou.
Para Luís Mendão, é importante que se evite a «atitude xenófoba» de considerar que «são os imigrantes os responsáveis pela transmissão» da doença, razão por que as nossas sociedades «têm de garantir, porque precisam dos migrantes, que eles tenham o mesmo acesso à informação e ao tratamento que têm as populações» autóctones.
A.B.V.
TM 1.º CADERNO de 2007.06.18
0712491C22207ABV24G
De acordo com Luís Mendão, vice-presidente do GAT, garantir a «inclusão» destes grupos no acesso a cuidados de saúde «é a única política de Saúde Pública que pode ter resultados». Mesmo «do ponto de vista económico», é hoje sabido que esta medida é considerada «menos onerosa», uma vez que «os custos que vamos ter a seguir com o aumento da incidência e com a degradação do estado de saúde das pessoas, não só dos migrantes mas da população em geral, são enormes», explicou ao «Tempo Medicina».
Presidência portuguesa da EU
Há cerca de cinco anos a trabalhar estes temas, é com satisfação que Luís Mendão vê o assunto ser integrado na agenda da presidência portuguesa da União Europeia (UE). «Nós aplaudimos a iniciativa de Portugal», frisou, tendo em conta que «este é um problema fundamental para o qual a Europa tem de encontrar soluções e políticas que sejam eficientes, e cujos resultados possam ser avaliados, sob pena de criarmos guetos».
Tendo em conta estudos recentes que apontam para o facto de os países da UE necessitarem ainda de 40 a 60 milhões de imigrantes «no curto prazo», o dirigente salientou que se os políticos «não tiverem a coragem de enfrentar essas necessidades, o mercado vai funcionar pela via do mercado negro e dos imigrantes ilegais».
Segundo o responsável, o trabalho dos participantes na conferência alicerça-se em «vários factores». Desde logo, «as pessoas que sabem que são seropositivas diminuem com grande significado os seus comportamentos de risco», referiu. Por outro lado, «os indivíduos que são bem tratados tornam-se menos infecciosos». Desta forma, «uma boa política de controlo da epidemia» tem que passar por «prevenção para todos», «acesso fácil à despistagem com aconselhamento e confidencialidade», sem esquecer o «acesso aos tratamentos», sintetizou.
Para Luís Mendão, é importante que se evite a «atitude xenófoba» de considerar que «são os imigrantes os responsáveis pela transmissão» da doença, razão por que as nossas sociedades «têm de garantir, porque precisam dos migrantes, que eles tenham o mesmo acesso à informação e ao tratamento que têm as populações» autóctones.
A.B.V.
TM 1.º CADERNO de 2007.06.18
0712491C22207ABV24G
Tratamento do VIH/sida não chega a todos os migrantes