Bens gerais vão ser as primeiras aquisições
06.07.2007
Serviço partilhado para compras na Saúde vai passar à fase da negociação
Serviços como electricidade e comunicações vão ser os primeiros a ser adquiridos com base no modelo de serviços partilhados. Seguir-se-ão bens específicos de cuidados de saúde, como instrumentos cirúrgicos e medicamentos. Isto ao mesmo tempo que arrancam mais dois ACE.
O agrupamento complementar de empresas (ACE) criado para operar na área das compras e logística da Saúde vai começar por adquirir bens que não são específicos dos serviços de saúde. A presidente do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), Paula Nanita, disse ao «Tempo Medicina» que «o Conselho de Compras já decidiu que a primeira vaga negocial» vai ser para «bens gerais, como electricidade e comunicações».
Em declarações à margem do seminário «Serviços partilhados — O estado da arte em Portugal», realizado em Lisboa, no passado dia 29 de Junho, Paula Nanita, adiantou ainda que «em relação às compras específicas» dos serviços de saúde, estas vão começar por «material cirúrgico de Ortopedia e Cardiologia». Isto porque, nas suas palavras, «há muita despesa alocada a este tipo de bens». A responsável indicou ainda que até ao fim do ano o ACE vai «comprar alguns medicamentos», mas ainda está a «estudar» quais.
Por agora, Paula Nanita informou que «a fase de diagnóstico está completa». E acrescentou que foi analisada «a matriz de compras de cada um dos hospitais» que fazem parte deste ACE, nomeadamente, o Centro Hospitalar de Lisboa — Zona Central, o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e o Hospital de Santa Maria. Assim, a informação que vai servir de base às decisões inclui «o que cada hospital compra, o preço a que compra e a diferença entre eles». Isto para além de ter também «o perfil por fornecedor», o que, segundo a responsável, é «uma visão que nunca se fez no sistema».
Mais dois ACE criados
Foram constituídos, entretanto, mais dois ACE, um para a área dos recursos humanos, no dia 4 de Junho, e outro para os recursos financeiros, criado no dia 26 do mesmo mês. No caso dos serviços partilhados para os recursos humanos, Paula Nanita revelou que «é a oferta mais humilde». Isto porque só vai existir partilha dos serviços de processamento de salários. Apesar disso, a presidente do SUCH disse que no futuro se vai «evoluir para as áreas de formação».
No que toca aos recursos financeiros, a responsável explicou que numa primeira fase vai fazer-se «tudo quanto é tesouraria e contabilidade», e, posteriormente, os serviços partilhados vão chegar «à contabilidade analítica e controlo orçamental».
Para Paula Nanita, «a grande diferença entre estes ACE e o das compras» reside no facto de naqueles «a procura maior» ser das administrações regionais de Saúde (ARS). As razões para que os hospitais se tenham interessado mais pelos serviços partilhados nas compras reside no facto de estas terem «um peso muito grande nos seus orçamentos», pelo que a prioridade é para «comprar melhor e a um preço mais baixo». Pelo contrário, «como as compras têm pouco significado em toda a rede de cuidados de saúde primários» e como as medidas no âmbito do PRACE incluem a extinção das sub-regiões de Saúde, «onde se têm feito estas tarefas», as ARS têm mais interesse nas áreas dos ACE recentemente criados.
De acordo com Paula Nanita, «já está totalmente envolvida a ARS do Centro» e decorre o processo de adesão da ARS do Algarve. Além disso, a ARS de Lisboa e Vale do Tejo já «pediu a consultadoria de processos».
«Missão de risco»
Para o secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, presente na sessão de abertura do seminário organizado pelo SUCH, esta é uma «missão de risco», até porque é um «processo de mudança que envolve pessoas». O governante frisou que se trata de «passar para uma cultura de prestação de serviços», abandonando «por completo» o que acontece ainda em algumas situações e «que é uma cultura de rotinas burocráticas». Por isso, o responsável alertou que mais vale ser um processo «lento», mas «seguro» e que «não defraude» as expectativas. E apesar das reservas, o governante afirmou que há «todas as condições para dar certo».
Além disso, o responsável fez questão de evidenciar que a lógica dos serviços partilhados se justifica, quer porque é um dos meios que ajuda a «controlar as contas», quer devido às «reformas em curso». Assim, Francisco Ramos afirmou que não está à espera de que os serviços partilhados «tudo resolvam», mas que também é dessa forma que se conseguem «captar recursos para a prestação de cuidados de saúde». Por outro lado, o governante salientou que «este projecto não pode falhar», devido ao processo de agrupamento de centros de saúde prever «já o modelo de serviços partilhados».
Susana Ribeiro Rodrigues
...CAIXA...
Luta contra infecções já tem programa
Foi aprovado o Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Infecção Associada aos Cuidados de Saúde (PNCI). No despacho, publicado no Diário da República, a 4 de Julho, assinado por Francisco Ramos, está indicado que a coordenação do PNCI é da responsabilidade da Direcção-Geral da Saúde, mas que o seu cumprimento vai ficar «sob a responsabilidade directa dos órgãos de gestão das unidades de prestação de cuidados de saúde», o que vai obrigar a que estas tenham «um plano operacional do controlo da infecção».
Além disso, terão de ser criadas comissões de controlo de infecção em todas as unidades de saúde, quer públicas quer privadas. De entre as medidas previstas no PNCI, faz também parte a criação de um registo nacional com informação sobre os casos de infecção.
...CAIXA...
Processo «não é simpático»
O Seminário «Serviços partilhados -- O estado da arte em Portugal», promovido pelo SUCH, incluiu também um painel sobre experiências de diversas empresas na área dos serviços partilhados. Um dos palestrantes, Miguel Moreira, presidente da comissão executiva da PT PRO, colocou a tónica no facto de que «não é simpático» dizer que se vai relocalizar o pessoal e passar a ser outra pessoa a coordenar determinado serviço. Este responsável salientou que os serviços partilhados implicam «processos difíceis» e que, apesar de reconhecer que a «fórmula não é secreta», o facto de mexer «com as pessoas e com poderes instituídos» torna determinante «a forma como se faz».
Assim, Miguel Moreira apontou, por exemplo, que fazer uma «gestão da transição» é fundamental nestes processos. Mas alertou para o facto de a rapidez também ser determinante. Isto porque, nas suas palavras, «os processos mudam tão rápido que muitos projectos ficam a meio porque estão agarrados ao tempo».
Mas os factores a ter em conta quando se trabalha segundo uma lógica de serviços partilhados não foram apenas abordados pelo responsável da PT PRO. Luís Drummond Borges, da Advance Care, chamou também a atenção para o facto de ser preciso «flexibilidade» num processo em que se passa a partilhar serviços. A razão para isso, na sua opinião, é porque «é preciso compreender e adaptar-se à cultura das empresas». Isto sem nunca deixar de se ser «isento».
Participaram também neste painel o senior manager da Accenture, Mário Campino Silva, o director de recursos humanos da 3S Solvay Shared Services, Thierry Henaut, e o executive principal da Capgemini, Rui Filipe Alves.
TM 1.º CADERNO de 2007.07.09
0712521C32107SR27B
O agrupamento complementar de empresas (ACE) criado para operar na área das compras e logística da Saúde vai começar por adquirir bens que não são específicos dos serviços de saúde. A presidente do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), Paula Nanita, disse ao «Tempo Medicina» que «o Conselho de Compras já decidiu que a primeira vaga negocial» vai ser para «bens gerais, como electricidade e comunicações».
Em declarações à margem do seminário «Serviços partilhados — O estado da arte em Portugal», realizado em Lisboa, no passado dia 29 de Junho, Paula Nanita, adiantou ainda que «em relação às compras específicas» dos serviços de saúde, estas vão começar por «material cirúrgico de Ortopedia e Cardiologia». Isto porque, nas suas palavras, «há muita despesa alocada a este tipo de bens». A responsável indicou ainda que até ao fim do ano o ACE vai «comprar alguns medicamentos», mas ainda está a «estudar» quais.
Por agora, Paula Nanita informou que «a fase de diagnóstico está completa». E acrescentou que foi analisada «a matriz de compras de cada um dos hospitais» que fazem parte deste ACE, nomeadamente, o Centro Hospitalar de Lisboa — Zona Central, o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e o Hospital de Santa Maria. Assim, a informação que vai servir de base às decisões inclui «o que cada hospital compra, o preço a que compra e a diferença entre eles». Isto para além de ter também «o perfil por fornecedor», o que, segundo a responsável, é «uma visão que nunca se fez no sistema».
Mais dois ACE criados
Foram constituídos, entretanto, mais dois ACE, um para a área dos recursos humanos, no dia 4 de Junho, e outro para os recursos financeiros, criado no dia 26 do mesmo mês. No caso dos serviços partilhados para os recursos humanos, Paula Nanita revelou que «é a oferta mais humilde». Isto porque só vai existir partilha dos serviços de processamento de salários. Apesar disso, a presidente do SUCH disse que no futuro se vai «evoluir para as áreas de formação».
No que toca aos recursos financeiros, a responsável explicou que numa primeira fase vai fazer-se «tudo quanto é tesouraria e contabilidade», e, posteriormente, os serviços partilhados vão chegar «à contabilidade analítica e controlo orçamental».
Para Paula Nanita, «a grande diferença entre estes ACE e o das compras» reside no facto de naqueles «a procura maior» ser das administrações regionais de Saúde (ARS). As razões para que os hospitais se tenham interessado mais pelos serviços partilhados nas compras reside no facto de estas terem «um peso muito grande nos seus orçamentos», pelo que a prioridade é para «comprar melhor e a um preço mais baixo». Pelo contrário, «como as compras têm pouco significado em toda a rede de cuidados de saúde primários» e como as medidas no âmbito do PRACE incluem a extinção das sub-regiões de Saúde, «onde se têm feito estas tarefas», as ARS têm mais interesse nas áreas dos ACE recentemente criados.
De acordo com Paula Nanita, «já está totalmente envolvida a ARS do Centro» e decorre o processo de adesão da ARS do Algarve. Além disso, a ARS de Lisboa e Vale do Tejo já «pediu a consultadoria de processos».
«Missão de risco»
Para o secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, presente na sessão de abertura do seminário organizado pelo SUCH, esta é uma «missão de risco», até porque é um «processo de mudança que envolve pessoas». O governante frisou que se trata de «passar para uma cultura de prestação de serviços», abandonando «por completo» o que acontece ainda em algumas situações e «que é uma cultura de rotinas burocráticas». Por isso, o responsável alertou que mais vale ser um processo «lento», mas «seguro» e que «não defraude» as expectativas. E apesar das reservas, o governante afirmou que há «todas as condições para dar certo».
Além disso, o responsável fez questão de evidenciar que a lógica dos serviços partilhados se justifica, quer porque é um dos meios que ajuda a «controlar as contas», quer devido às «reformas em curso». Assim, Francisco Ramos afirmou que não está à espera de que os serviços partilhados «tudo resolvam», mas que também é dessa forma que se conseguem «captar recursos para a prestação de cuidados de saúde». Por outro lado, o governante salientou que «este projecto não pode falhar», devido ao processo de agrupamento de centros de saúde prever «já o modelo de serviços partilhados».
Susana Ribeiro Rodrigues
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Luta contra infecções já tem programa
Foi aprovado o Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Infecção Associada aos Cuidados de Saúde (PNCI). No despacho, publicado no Diário da República, a 4 de Julho, assinado por Francisco Ramos, está indicado que a coordenação do PNCI é da responsabilidade da Direcção-Geral da Saúde, mas que o seu cumprimento vai ficar «sob a responsabilidade directa dos órgãos de gestão das unidades de prestação de cuidados de saúde», o que vai obrigar a que estas tenham «um plano operacional do controlo da infecção».
Além disso, terão de ser criadas comissões de controlo de infecção em todas as unidades de saúde, quer públicas quer privadas. De entre as medidas previstas no PNCI, faz também parte a criação de um registo nacional com informação sobre os casos de infecção.
...CAIXA...
Processo «não é simpático»
O Seminário «Serviços partilhados -- O estado da arte em Portugal», promovido pelo SUCH, incluiu também um painel sobre experiências de diversas empresas na área dos serviços partilhados. Um dos palestrantes, Miguel Moreira, presidente da comissão executiva da PT PRO, colocou a tónica no facto de que «não é simpático» dizer que se vai relocalizar o pessoal e passar a ser outra pessoa a coordenar determinado serviço. Este responsável salientou que os serviços partilhados implicam «processos difíceis» e que, apesar de reconhecer que a «fórmula não é secreta», o facto de mexer «com as pessoas e com poderes instituídos» torna determinante «a forma como se faz».
Assim, Miguel Moreira apontou, por exemplo, que fazer uma «gestão da transição» é fundamental nestes processos. Mas alertou para o facto de a rapidez também ser determinante. Isto porque, nas suas palavras, «os processos mudam tão rápido que muitos projectos ficam a meio porque estão agarrados ao tempo».
Mas os factores a ter em conta quando se trabalha segundo uma lógica de serviços partilhados não foram apenas abordados pelo responsável da PT PRO. Luís Drummond Borges, da Advance Care, chamou também a atenção para o facto de ser preciso «flexibilidade» num processo em que se passa a partilhar serviços. A razão para isso, na sua opinião, é porque «é preciso compreender e adaptar-se à cultura das empresas». Isto sem nunca deixar de se ser «isento».
Participaram também neste painel o senior manager da Accenture, Mário Campino Silva, o director de recursos humanos da 3S Solvay Shared Services, Thierry Henaut, e o executive principal da Capgemini, Rui Filipe Alves.
TM 1.º CADERNO de 2007.07.09
0712521C32107SR27B
Bens gerais vão ser as primeiras aquisições