Actualizadas as recomendações canadianas

29.03.2012

Tratamento da fibrilhação auricular
A Sociedade Cardiovascular do Canadá actualizou as suas recomendações para o tratamento da fibrilhação auricular (Canadian Journal of Cardiology, 12 de Março de 2012), nas quais se destaca que os novos anticoagulantes orais devem ser «preferidos» à varfarina na maioria dos doentes. O principal autor da actualização, Prof. Allan Skanes (University of Western Ontario), disse ao heartwire que esse destaque representa um passo em frente relativamente a outras guidelines, que consideram aqueles fármacos como alternativas à varfarina.
«As recomendações de 2010 apenas apontavam para uma vantagem do dabigatrano sobre a varfarina, e agora decidimos alargar essa vantagem ao rivaroxabano e ao apixabano, apesar de este ainda não estar aprovado no Canadá», disse Skanes. Porém, acrescentou, «o benefício dos novos anticoagulantes é menos acentuado nos doentes que já recebem varfarina com INR estáveis e sem complicações hemorrágicas; e nos doentes com mais de 75 anos, sobretudo naqueles com mais de 80, deve ser considerada a redução da dose destes fármacos, especialmente o dabigatrano».
Nos doentes com insuficiência renal, as guidelines sugerem que embora aqueles com doença ligeira a moderada (taxa de filtração glomerular, TFG, entre 30 e 50 mL/min) possam ser tratados com a dose normal dos novos anticoagulantes, requerem monitorização mais frequente da função renal e podem necessitar de redução da dose em condições susceptíveis de baixar transitoriamente a TFG, sobretudo os idosos com mais de 75 anos, pois o risco de hemorragia aumenta com a idade. Nos doentes com TFG entre 15 e 30 mL/min, as recomendações sugerem a varfarina como fármaco a preferir, porque há muito poucos dados sobre os novos anticoagulantes neste grupo etário. Nos doentes com TFG <15 mL/min, não está recomendada terapêutica antitrombótica por rotina.
Quanto aos doentes com síndromes coronárias agudas, não são dadas orientações claras sobre o uso dos novos anticoagulantes. Como o Prof. Skanes salientou, «estes doentes já recebem dupla antiagregação plaquetária, e muitos médicos começam com terapêutica tripla e depois suspendem a aspirina, mas temos muito poucos dados nesta área. Não sabemos como utilizar a varfarina nestes casos, quanto mais medicamentos novos».
As novas guidelines recomendam a utilização do score CHADS2 para predizer o risco de AVC, enquanto as europeias optam pelo CHA2DS2-VASc, mais recente, porque, disse o Prof. Skanes, «preocupa-nos mais a idade como factor de risco do que o sexo feminino».
A anticoagulação oral é, assim, recomendada em todos os doentes com risco alto ou intermédio (CHADS2 MAIOR OU IGUAL1), mas relativamente aos doentes de baixo risco (CHADS2 de 0), as guidelines sugerem que os de mais alto risco entre os de baixo risco (mais de 65 anos ou sexo feminino e doença vascular) também devem receber anticoagulação oral; as mulheres e os doentes com patologia vascular devem receber aspirina; e aqueles sem qualquer um destes factores de risco não precisam de terapêutica antitrombótica.
Na sequência do estudo PALLAS (no qual não estão esclarecidas as razões dos eventos adversos), as guidelines contra-indicam a utilização da dronedarona em doentes com fibrilhação auricular permanente ou com o exclusivo fim de controlar a frequência cardíaca, ou em doentes com história de insuficiência cardíaca congestiva ou fracção de ejecção do ventrículo esquerdo <40%; e aconselham prudência na combinação de dronedarona com digoxina.

TEMPO MEDICINA T.MÉDICA de 2012.03.26
1213ANT5F312JPO13F


E AINDA

por Teresa Mendes | 16.09.2019

 Profissionais estão a «deixar de acreditar nesta forma única de organizaçã...

Prestes a iniciar o quarto trimestre de 2019, altura em que deveria estar a ser realizada a transiçã...

16.09.2019

 «Queremos que o hospital saia de portas»

O Governo quer alargar a hospitalização domiciliária a todos os hospitais do Serviço Nacional de Saú...

16.09.2019

Bastonária da OE chama Miguel Guimarães para ser ouvido no caso da sindicân...

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE), Ana Rita Cavaco, quer incluir, como testemunhas, o ex-mi...

por Teresa Mendes | 16.09.2019

 1.ª Edição Hot Topics em Hepatologia

Vai decorrer, no dia 11 de outubro, na Ordem dos Médicos, em Vila Real, a 1.ª edição dos Hot Topics...

por Teresa Mendes | 13.09.2019

Pela primeira vez em seis meses, a dívida à Indústria Farmacêutica diminuiu

Pela primeira vez em seis meses, o valor da dívida dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS)...

por Teresa Mendes | 13.09.2019

Ordem celebra 80 anos com coleção de fac-similadas de autores médicos

 A Ordem dos Médicos (OM) convida todos os profissionais a vir conhecer, na próxima segunda-feira, d...

por Teresa Mendes | 13.09.2019

 Literacia em Saúde: DGS lança Manual para capacitação dos profissionais

No âmbito do Plano de Ação para a Literacia em Saúde 2019/2012, a Direção-Geral da Saúde (DGS) lanço...

por Teresa Mendes | 13.09.2019

 Demitem-se dez chefes de equipa de urgência do Hospital Garcia de Orta

Demitiram-se dez chefes de equipa de urgência do Hospital Garcia de Orta, em Almada, segundo a Socie...

por Teresa Mendes | 12.09.2019

 SPP recomenda aos médicos que reportem os casos suspeitos em Portugal

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) recomenda aos médicos que passem a comunicar os casos de...

A reprodução total ou parcial deste site é proibida,
excepto se autorizada expressa e previamente pela Impremédica, Imprensa Médica, Lda.,
nos termos da legislação em vigor.