Ministério queria dar mais 600 doentes a cada médico, mas a proposta foi chumbada pelos sindicatos
13.04.2015
Sindicatos, Ordem dos Médicos e APMGF estão contra
O Ministério da Saúde insiste em aumentar ainda mais a lista de utentes dos médicos para reduzir o número de pessoas sem médico de família.
Mas os sindicatos, a Ordem dos Médicos e a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) já deram um cartão vermelho à medida.
A proposta, apresentada numa reunião na passada terça-feira aos sindicatos médicos, consistia em alargar de forma transitória e voluntária a lista dos actuais 1900 para 2500, concretamente nas zonas onde faltam profissionais, estando a tutela disposta a pagar, durante três anos, incentivos financeiros, tal como acontece nas Unidades de Saúde Familiares de Modelo B. No entanto, segundo informou o gabinete de Paulo Macedo, a proposta caiu. A intenção mantém-se mas agora com um número que deverá ser mais reduzido do que os 600 utentes a mais inicialmente propostos.
A Ordem dos Médicos reagiu dizendo que «o médico de família não pode, nem deve, atender os utentes a olhar para o relógio para assim dar resposta ao maior número de consultas possível. Por mais que o ministro da Saúde queira fazer acreditar que esta é uma boa prática».
«O médico de família não pode, nem deve, atender os utentes a olhar para o relógio para assim dar resposta ao maior número de consultas possível», alerta a Ordem dos Médicos
A Direcção Nacional da APMGF, em comunicado, contesta qualquer medida que venha a ser tomada no sentido de um alargamento administrativo das listas dos médicos de família, «para mais quando executada apenas com base numa lógica numérica, sem atender à ponderação de factores fundamentais como o contexto sócioeconómico da região, a estratificação etária dos utentes ou a prevalência de doenças crónicas de elevado impacto na comunidade e de outros indicadores de saúde e sociodemográficos».
Já o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) adoptou uma posição mais colaborativa, «mostrando-se disposto em colaborar com o Governo numa solução transitória», embora não possa «de modo algum aceitar que se pretendam criar listas de 2500 utentes», considerando que tal situação «colocaria indelevelmente em causa a qualidade dos actos médicos prestados».
A posição de base do SIM é a de que «se deverá aplicar como paradigma o conjunto das regras já em vigor para as USF modelo B, nomeadamente o critério da contabilização em Unidades Ponderadas (UP), estabelecendo-se desde já um máximo 2358 Unidades Ponderadas a que equivalem em média 1900 utentes, e procedendo-se a uma verificação anual desses quantitativos da lista.
15ML15p
10 de Abril de 2015
1515Pub6f15ML15P
Mas os sindicatos, a Ordem dos Médicos e a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) já deram um cartão vermelho à medida.
A proposta, apresentada numa reunião na passada terça-feira aos sindicatos médicos, consistia em alargar de forma transitória e voluntária a lista dos actuais 1900 para 2500, concretamente nas zonas onde faltam profissionais, estando a tutela disposta a pagar, durante três anos, incentivos financeiros, tal como acontece nas Unidades de Saúde Familiares de Modelo B. No entanto, segundo informou o gabinete de Paulo Macedo, a proposta caiu. A intenção mantém-se mas agora com um número que deverá ser mais reduzido do que os 600 utentes a mais inicialmente propostos.
A Ordem dos Médicos reagiu dizendo que «o médico de família não pode, nem deve, atender os utentes a olhar para o relógio para assim dar resposta ao maior número de consultas possível. Por mais que o ministro da Saúde queira fazer acreditar que esta é uma boa prática».
«O médico de família não pode, nem deve, atender os utentes a olhar para o relógio para assim dar resposta ao maior número de consultas possível», alerta a Ordem dos Médicos
A Direcção Nacional da APMGF, em comunicado, contesta qualquer medida que venha a ser tomada no sentido de um alargamento administrativo das listas dos médicos de família, «para mais quando executada apenas com base numa lógica numérica, sem atender à ponderação de factores fundamentais como o contexto sócioeconómico da região, a estratificação etária dos utentes ou a prevalência de doenças crónicas de elevado impacto na comunidade e de outros indicadores de saúde e sociodemográficos».
Já o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) adoptou uma posição mais colaborativa, «mostrando-se disposto em colaborar com o Governo numa solução transitória», embora não possa «de modo algum aceitar que se pretendam criar listas de 2500 utentes», considerando que tal situação «colocaria indelevelmente em causa a qualidade dos actos médicos prestados».
A posição de base do SIM é a de que «se deverá aplicar como paradigma o conjunto das regras já em vigor para as USF modelo B, nomeadamente o critério da contabilização em Unidades Ponderadas (UP), estabelecendo-se desde já um máximo 2358 Unidades Ponderadas a que equivalem em média 1900 utentes, e procedendo-se a uma verificação anual desses quantitativos da lista.
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10 de Abril de 2015
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Ministério queria dar mais 600 doentes a cada médico, mas a proposta foi chumbada pelos sindicatos