Documento da OCDE analisa qualidade dos cuidados de saúde  

por Laura Alves Lopes | foto de LRibeiro | 28.05.2015

Boas notícias, mas «muito por resolver»
A responsável pelo departamento da Saúde da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) diz-se «impressionada» pelos dados do relatório sobre a qualidade da Saúde em Portugal, que veio apresentar a Lisboa. Contudo, nas cerca de 200 páginas, são inúmeras as desigualdades e ineficiências apontadas.

Foram genericamente boas as notícias sobre o sistema de saúde português que Francesca Colombo, do departamento da OCDE, trouxe ao Auditório do Infarmed, em Lisboa, contidas no relatório «Review of Health Care Quality» sobre o nosso País. Referiu que este é um dos vários feito sobre vários países da OCDE.



A responsável diz que ficou «impressionada» com o Governo português por ter respondido tão bem à pressão financeira dos últimos anos, «resultado do bom trabalho de muitas pessoas que fazem muito com pouco dinheiro e em circunstâncias adversas». 

No entanto, como afirmou, ainda muito para resolver, apontando disparidades no atendimento dos portugueses nos CSP devido à existência de dois modelos (UCSP e USF), elevadas taxas de mortalidade por AVC, de infeções hospitalares e de cesarianas.  Por outro lado, segundo Francesca Colombo, «o sistema continua demasiado focado nos hospitais», que recebem episódios de urgências desnecessário, devido à falta de resposta dos CSP.



De forma a responder eficazmente às solicitações, a OCDE recomenda que sejam «dados orçamentos maiores aos hospitais para que seja priorizada a qualidade», afirmou Francesca Colombo 

De forma a responder eficazmente às solicitações, a OCDE recomenda que sejam «dados orçamentos maiores aos hospitais para que seja priorizada a qualidade».

A responsável defendeu ainda ser necessário «incentivar a acreditação», para além de «encorajar» à adesão das guidelines e sua auditoria, «usando incentivos e sanções».

É recomendado a Portugal que «desenvolva novos modelos de Urgência», lembrando que «30% da atividade hospitalar podia ser feita na comunidade»

Depois, é também recomendado a Portugal que «desenvolva novos modelos de Urgência», lembrando que «30% da atividade hospitalar podia ser feita na comunidade».
Por fim, o relatório também aponta para um «baixo volume de genéricos» comparado com os outros países da OCDE e uma «variação» na prática médica e «variação geográfica dramática», havendo locais onde uns estão a receber cuidados a menos enquanto outros estão a receber a mais».



Por isso, defendeu a especialista, «recomendamos fortemente uma revalidação profissional e incentivos para melhor a qualidade». 

Caixa
De «avaliação positiva» a «conclusões enviesadas»

Numa reação às críticas apontadas pela OCDE, o ministro da Saúde afirmou que «Portugal já está a seguir algumas das recomendações feitas pela OCDE», sublinhando que «o documento faz, acima de tudo, uma avaliação muito positiva».

Relativamente aos CSP andarem a duas velocidades, Paulo Macedo respondeu que as «fragilidades» estão identificadas e que as unidades de saúde familiar continuam a ser primeira aposta.
«Estamos a continuar um esforço de abertura de USF, ao mesmo tempo que precisamos de ser mais rigorosos.



Não vamos abrir USF apenas porque há voluntários e, obviamente, hoje temos menos voluntários do que no início da reforma há cinco anos», defendeu.
Já o bastonário da Ordem dos Médicos, comentando aos jornalistas num intervalo da sessão,  falou de um relatório com «conclusões pouco claras», apontando como exemplo muito concreto a taxa de genéricos.

«O documento diz que em 2013 a taxa de genéricos é de 22%, mas quando consultamos o site do infarmed é de 45%. Esta discrepância de dados leva a que algumas conclusões do relatório estejam enviesadas», considerou.

Laura Alves Lopes

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