Não há qualquer relação entre bola e saúde"

Pode ler, não é sobre futebol

por Andreia Vieira | foto de DR | 05.06.2015

Não há qualquer relação entre bola e saúde
Prometo que não vou falar de futebol.
E vou cumprir a promessa.
Primeiro porque não percebo nada do assunto e os leitores iriam perceber rapidamente.

E depois porque não há qualquer relação entre bola e saúde, pelo menos esta semana.

E trazer o assunto para aqui seria quase tão deslocado como a própria transferência de Jorge Jesus. Portanto, limitemo-nos à Saúde.

Neste mundo que nos interessa –- a Saúde -- começo por destacar uma notícia que por pouco não passava despercebida no meio do turbilhão em que andamos: a atribuição do prémio de «Melhor instrutora europeia de Anestesiologia» à médica Mafalda Ramos Martins, durante o Congresso da Sociedade Europeia de Anestesiologia, que decorreu em Berlim. 

A premiada é responsável pela formação dos médicos internos de Anestesiologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e viu o seu contributo ser reconhecido a nível europeu.

A Anestesiologia é precisamente uma das especialidades mais carenciadas no País, juntamente com a Medicina Geral e Familiar. Serão, pois, sobretudo destas especialidades, os médicos que virão a beneficiar dos incentivos financeiros para a fixação em zonas onde essa necessidade se faz sentir mais. Sabe-se que as regiões do Algarve e Lisboa Vale do Tejo são as mais necessitadas, sendo que cada médico poderá receber 21 mil euros.  O decreto-lei que estabelece a compensação foi publicado esta quinta-feira.

Outra especialidade que esteve em foco recentemente foi a Medicina Interna, com a realização da 21.ª edição do seu Congresso Nacional, em Vilamoura.
 Presente na sessão de abertura, José Manuel Silva falou da necessidade de reconhecimento da «vantagem competitiva» desta especialidade ao nível da organização e produtividade hospitalar.  Na ocasião, o bastonário da Ordem dos Médicos (OM) aproveitou para lamentar que esse aspeto esteja a ser mais valorizado no privado que no público».

Ajudar a separar o trigo do joio é o que promete o novo SiNATS (Sistema Nacional de Avaliação de Tecnologias de Saúde), cuja criação foi oficializada esta semana com a publicação, no dia 1 de junho, do Decreto-Lei n.º 97/2015.

O que está em vias de se concretizar também é a passagem definitiva da ADSE para o Ministério da Saúde, devendo ser ainda criado um órgão de coordenação dos quatro subsistemas públicos de saúde com vista à poupança e à sustentabilidade. 
A medida consta de um diploma aprovado esta quinta-feira em Conselho de Ministros.
O objetivo é a poupança de «dezenas de milhões de euros», com a promessa de não redução de benefícios.

Mais vida só com mais CSP

Com poupanças a caminho redobram-se as esperanças de que os cuidados de saúde primários (CSP) voltem a ser a prioridade que já foram. Isto apesar de muitos acharem que não é por falta de dinheiro que a reforma dos CSP está estagnada.

Essa é a convicção de Francisco Ramos, que a transmitiu durante um encontro organizado pelo Conselho Regional do Sul da OM e pela Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros.

O antigo secretário de Estado da Saúde não vê que haja aposta nas USF e deixa no ar que falta vontade política para completar a reforma que fez nascer este novo modelo assistencial.


E porque, como diz o povo sempre avisado, não é possível fazer omeletes sem ovos, talvez o foco nos CSP tenha mesmo de ser recuperado. Isto se a intenção de aumentar em 30% a esperança de vida saudável aos 65 anos, em 2020, se mantiver tal como está a ser noticiada.

Para já, temos a informação que consta do documento «Plano Nacional de Saúde – Revisão e Extensão a 2020», publicado no Portal da Saúde, e que aponta os «grandes desígnios» para 2020.

Entre estes encontramos, além da melhoria da esperança de vida saudável aos 65 anos, a redução da mortalidade prematura (abaixo dos 70 anos) e ainda a redução dos fatores de risco relacionados com as doenças não transmissíveis, especificamente a obesidade infantil e o consumo e exposição ao tabaco.


Farmácias querem um «novo contrato social»

Quem também vem pedir novo fôlego e mais apoio são as farmácias. 

A Associação Nacional das Farmácias (ANF) quer um «novo contrato social para a farmácia» que contemple, entre outras alterações, uma maior margem fixa para estes estabelecimentos. Além disso, entende que deveria ser criado um novo sistema de incentivos para a dispensa de genéricos, por considerar que o existente é «totalmente ineficaz»

Em jeito de resposta, o Infarmed divulgou um comunicado a informar que «o pagamento dos incentivos previstos às farmácias decorrerá durante o mês de junho».

À espera do prometido estão igualmente alguns doentes com hepatite C a quem ainda não foi dispensado o novo fármaco.

Quatro meses após a sua introdução, os doentes com hepatite C do Hospital de Pulido Valente e do Hospital Amadora-Sintra ainda não estão a ser tratados com o medicamento inovador.

A denúncia foi feita à TSF pelo presidente da plataforma Hepatite C, António Parente, que afirma haver «uma discrepância no acesso à medicação».

Inovação, bondade e rock & rol

Mas apesar das dificuldades, o acesso à inovação acontece. E um exemplo disso foi o noticiado por estes dias: a implantação, pela primeira vez em Portugal, do pacemaker mais pequeno do mundo, no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa. Ao contrário do pacemaker convencional, este dispositivo é implantado diretamente no coração através de um procedimento minimamente invasivo, sem necessidade de colocação de cabos/elétrodos, que são os principais responsáveis pelas complicações a longo prazo.

Inovadores são igualmente os novos medicamentos contra o cancro, cujos resultados em ensaios clínicos estão a entusiasmar a comunidade médica. 

Neste artigo da revista Visão ficamos a saber como a imunoterapia se mostrou tão eficaz que num dos ensaios, liderado por investigadores britânicos, mais de metade dos pacientes com melanoma em estado considerado avançado viram os seus tumores diminuir ou ficarem controlados.

O que também se descobriu recentemente foi o local onde a bondade parece residir – no cérebro – e como funciona.

Ao que parece, a bondade é contagiosa, ou seja, se assistirmos a atos de bondade, somos impelidos a fazer o mesmo.  

Mas em declarações ao jornal Expresso o neurocirurgião João Lobo Antunes desmontou o otimismo: «Sim a bondade é contagiosa, o problema é haver tanta gente vacinada contra ela!»
 
Sugestão não futebolística

Termino com a divulgação de uma notícia (com vídeo) no mínimo insólita.

Na cidade de Tubarão, estado de Santa Catarina, no Brasil, um homem de 33 anos fez um pequeno concerto de guitarra dentro de um bloco operatório enquanto era operado a um tumor no cérebro.

Entre o repertório constava a música «Yesterday», um clássico dos britânicos The Beatles.

Manter o doente acordado durante a intervenção era necessário, de forma a que as áreas com funções especiais pudessem ser monitorizadas em tempo real.

Ao que se sabe, esta foi a primeira vez que alguém tocou um instrumento durante uma cirurgia deste tipo. Ah, mas o que verdadeiramente importa: A cirurgia foi considerada um sucesso e 90% do tumor foi removido.

Andreia Vieira

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