Mudanças light. Ou nem tanto

por Andreia Vieira | 10.07.2015

Algo está mesmo a mudar...
Das duas, uma: ou o facto de estarmos em julho já se está a refletir nos conteúdos noticiosos ou, então, algo está mesmo a mudar.
Isto porque muitas das notícias desta semana andaram em torno de um tema a que normalmente se dá um tratamento mais leve.
Ou light, já que foi sobre alimentação saudável que muito se falou e escreveu.

Pessoalmente parece-me bem que o assunto ganhe seriedade e rigor. O estranho é parecer bem a tanta gente.

Em cerca de 126 páginas, a Direção-Geral da Saúde (DGS) traçou o perfil da saúde dos portugueses com base em dados dos últimos 10 anos.

Os resultados são globalmente positivos e disso foi dado nota na apresentação levada a cabo esta semana.

Mas um dos itens que acabou por saltar para a Comunicação Social relaciona-se com os estilos de vida da população portuguesa.

Dizem-nos os dados que, entre os fatores de risco que mais contribuem para os anos de vida saudável perdidos, estão os maus hábitos alimentares, a hipertensão arterial, o índice de massa corporal elevado e o tabagismo.

Analisando os nossos hábitos alimentares, percebe-se que a culpa é da dieta pobre em fruta e vegetais, bem como o excesso de sal. 

Perante estes resultados, no artigo que escreveu sobre o documento, o jornal Público deixou uma receita: bastariam três peças de fruta por dia para melhorar a saúde dos portugueses.

Quem ficou satisfeito com a inclusão destas referências à vida saudável no relatório da DGS parece ter sido Paulo Macedo, que com alguma ironia afirmou que a «maior frustração de qualquer ministro da Saúde» passa por falar «sistematicamente destes aspetos e ninguém lhe liga».

O tema provocou de tal forma ondas inesperadas que chegou inclusivamente a ser abordado por Miguel Esteves Cardoso numa das suas crónicas. Realmente, as coisas estão a mudar.

Para ajudar à mudança, a DGS lançou esta quinta-feira um manual dedicado à alimentação vegetariana.

A iniciativa é justificada com pragmatismo e passa pelos pedidos de informação que, ao que parece, chegam em grande número à DGS por parte de profissionais de saúde.

Estima-se que existam cerca de 30 mil seguidores desta opção alimentar no nosso país.
Os interessados encontram o manual aqui.

Contas de «deve e haver»

A Administração Central do Sistema de Saúde anunciou, através de um comunicado emitido ontem, a conclusão do processo de recrutamento de 51 novos médicos de família.

Mas o bastonário da Ordem dos Médicos (OM) acredita que a maioria dos clínicos já estaria no sistema, pelo que, na prática, não serão 51 os novos médicos a integrar centros de saúde de todo o País.

Fazendo outras contas, de acordo com o mais recente reporte da Direção-Geral do Orçamento, referente a maio, são 18 as unidades de saúde da Administração Central que não conseguem cumprir a Lei dos Compromissos.

Da lista constam, por exemplo, os centros hospitalares da Cova da Beira, Lisboa Norte, Setúbal, Porto, Coimbra, entre muitas outras instituições. 

A contabilidade continua e esta semana o Ministério da Saúde contestou os dados da despesa pública em saúde divulgados pela OCDE no documento «Health Statistics 2015».

A OCDE diz que a despesa out-of-pocket aumentou em Portugal 5%, mas a tutela veio contrariar, afirmando, em comunicado, que desceu 4,7%.

Mais um «escândalo», segundo se lê… 

No âmbito das investigações relacionadas com as burlas ao SNS, o Jornal de Notícias

deu conta, esta semana, de suspeitas baseadas em fontes nunca identificadas que envolvem (aqui as coisas ficam muito confusas), funcionários do laboratório Bial e/ou o próprio laboratório e talvez uns poucos (ou muitos?) médicos. Aguardam-se dados mais concretos.
E factos também, esperamos. 

Os indícios noticiados parecem apontar para eventuais esquemas de aliciamento.
Segundo o Observador, a Bial não foi constituída arguida, mas sim uma empresa de estudos, que pagaria aos clínicos pelas receitas.

Outro ilícito detetado, este de contornos ao visto mais prosaicos, pois que com menos impacto mediático, deu-se ontem com a condenação de um homem que se fazia passar por médico para prestar assistência em provas automobilísticas.

O Tribunal de Vila Real condenou o falso clínico a 10 meses de prisão, substituídos por uma multa de 1500 euros, pelo crime de usurpação de funções.

Assistência à Grécia e reconstrução do SNS 

Com o foco todo apontado para a questão económica e política na Grécia, esquece-se a questão humana que assume dimensões preocupantes.

Para ajudar a resolver a situação no país, a Cruz Vermelha alemã garantiu que está pronta para disponibilizar, com rapidez, ajuda médica e outros tipos de assistência humanitária à Grécia.

Por seu turno, para apoiar a transformação do nosso SNS, tendo como foco os cuidados de saúde primários, a Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) propõe a criação de uma unidade de missão com mandato de cinco.

Esta é a primeira de sete prioridades estratégicas apresentadas para os primeiros seis meses do próximo ciclo político.

Online promovido em toda a linha

Continuando a onda de mudança, tocando agora as novas tecnologias, foi celebrado um protocolo entre a Ordem dos Médicos e a Serviços Partilhados do Ministério da Saúde com vista à promoção da literacia digital. Um dos tópicos em que assenta o protocolo é o da prescrição eletrónica.

A assinatura do protocolo decorreu durante a celebração do 3.º aniversário da Plataforma de Dados em Saúde, que contou com a presença de Manuel Teixeira.

E porque este talvez tenha sido o último momento em que Manuel Teixeira falou sobre o assunto, enquanto membro do Governo, decidiu deixar claro que fica de «consciência absolutamente tranquila» em relação a todo o processo.

Mas a promoção da desmaterialização não se fica por aqui. Depois de, em maio, ter sido noticiada a intenção de os utentes do SNS com depressão ligeira a moderada poderem vir a contar com uma plataforma digital de autoajuda prescrita pelo médico de família, agora o apoio online destina-se a quem está de luto.

O Observador dá-nos conta do projeto levado a cabo por investigadores das universidades do Minho e de Memphis (EUA) e que consiste numa plataforma de consultas online para ajudar a ultrapassar a dor resultante da perda de um ente querido.

Do sono, da sua qualidade e do que fazer para dormir melhor

Em tempo de crise económica a necessidade de fazer contas aumenta.
Donde é normal que o sono diminua.

Mas não é propriamente sobre isso que trata uma excelente série de artigos publicados na The New Yorker. Ou melhor: é e não é.

Convido-vos a ler para melhor perceberem. O primeiro artigo trata das razões por que temos dificuldade em adormecer; o segundo fala-nos de sonhos e o terceiro remete-nos para o acordar.

Os textos são da autoria de Maria Konnikova e resultam de um programa em que participou na Harvard Medical School com especialistas do sono.

Se preferirem, em alternativa espreitem antes este artigo do Observador, que sintetiza algumas informações do trabalho.

E percebam as razões por que estamos todos a dormir pior. Ou a não dormir.

E como para grandes males, grandes remédios, partilho a solução encontrada por uma menina de 7 anos para conseguir dormir sozinha.

A solução é uma espécie de ovo de Colombo e teve tão bons resultados que a pequena Emily Losada até escreveu um livro sobre o assunto. 

Para elas, as crianças

Uma das boas notícias, esta semana, é o facto de investigadores australianos terem descoberto um novo fármaco que abre a porta ao tratamento da leucemia linfoblástica aguda, um tipo de cancro muito comum em crianças, como se sabe. 

E com o tema desta semana, não resisto a partilhar uma brilhante iniciativa 100% portuguesa e 100% dedicada a educar para a alimentação saudável.
Trata-se da Nutri Ventures, o maior projeto de animação alguma vez feito em Portugal e o único no mundo exclusivamente dedicado ao tema. Como escreve a Notícias Magazine, «nem Michelle Obama lhe resistiu».

Além de parcerias institucionais no nosso país, foram também já estabelecidas parcerias com os EUA e Brasil.
As aventuras de Teo, Lena, Ben e Nina passam na RTP2 e no Canal Panda… e se tem filhos pequenos já ouviu falar deles com certeza.

Sugestão de fim de semana (sim, mete comida)

Para terminar, e com tantas referências à comida, a sugestão de fim de semana tem de passar pela barriga. Só não prometo que seja saudável. Mas «dias não são dias», como toda a gente sabe.

Por isso, recomendo uma passagem pelo renovado Mercado de Algés.

Há comida boa, gente simpática e roteiros publicados um pouco por todo o lado.
Antes de ir, confira os artigos da revista Sábado , do Observador, da New in Town  e ainda do Dinheiro Vivo


Boa saúde, boa semana

Andreia Vieira

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