A manhã em que Paulo Moita de Macedo  estava «bem-disposto»

por José M. Antunes | foto de Luís Ribeiro | 23.07.2015

Momento não frequente
Ontem foi um dia – ou, pelo menos, uma manhã -- bom para Paulo Moita de Macedo, o actual ministro da Saúde. Alguns dos jornalistas presentes, especializados em Saúde (os que sobram, que a razia resultante da austeridade nas redações tem chegado a muitos), nem estavam a acreditar no que viam…

Paulo de Macedo tinha acabado de encerrar uma reunião intitulada «Combate à Fraude na Saúde, Balanço de Actividades», realizada no pequeno anfiteatro das novas e simpáticas (mesmo que aparentemente espartanas) instalações da ACSS (Administração Central dos Serviços de Saúde) sitas no Parque da Saúde (isso, na «cerca» do Hospital de Júlio de Matos), em Lisboa. 



E, de facto, foi um Paulo de Macedo acessível, respondendo a todas as perguntas, até gracejador, aquele que ontem se disponibilizou a falar a esses e outros jornalistas que faziam por cumprir as suas funções, pedidas pelas suas chefias, como o fazem sempre…

Foi um momento não frequente.

As razões íntimas de tal boa disposição só o próprio conhecerá, naturalmente, mas, para quem, como eu, o observa, ouve e tenta perceber, há quatro anos, nas suas aparições públicas e nas suas decisões estratégicas e táticas, a razão de tal «fervura» pode bem derivar «apenas» do contexto.

A manhã havia sido dedicada a um dos pontos onde o sucesso da atuação do atual titular da João Crisóstomo é patente e não discutido por alguém de bom senso.
O combate à fraude na Saúde, com boa articulação de meios internos ao setor e externos, responsáveis pela investigação criminal e judiciária, está bem demonstrado em factos, números, processos em curso e em investigação, até condenações (prova de bom trabalho anterior, na deteção e investigação).

É um consenso que o que tem sido feito nessa área é bem-vindo e da maior importância, até dissuasora. Como alguém escreveu há meses largos, usando uma frase popular adequada, «que nunca lhes doam as mãos» por estas acções.

Ora, Paulo de Macedo, o «ministro da finanças da saúde», como muitos lhe chamam no setor (e não só) tem poucos outros campos de atuação em que a sua passagem «em furacão austeritário» pela Saúde reúna tanto e tão merecido consenso. Tinha, portanto, razão para «gozar o momento».

Afinal, Paulo de Macedo é humano, mesmo que por vezes pareça fazer tudo para o não parecer…

Lá dentro, na reunião, alguns dos responsáveis de várias entidades da Saúde (ACSS, dentro dela a Unidade de Gestão do Centro de Conferência de Facturas;  Infarmed;  SPMS;  IGAS, etc.), que se têm articulado para atuar nesta componente, explicaram a contribuição de cada uma das ditas entidades, algumas contando detalhes de acções «assustadores» e «inacreditáveis» praticadas por alguns, absolutamente sem escrúpulos, que  delapidam partes de bens públicos em proveito da sua ganância sem fim.

Não por acaso, tal o conhecimento e foco que tem nesse ponto nos quatro anos de ministério, Paulo de Macedo não precisou de assistir a essa componente da reunião, para a encerrar, podendo até fazê-lo com um improviso, se bem se percebeu, baseado em meia dúzia de tópicos, explicando, bem, que não sendo esse «o objeto» direto da governação nesta área, o combate à fraude e a um certo laxismo generalizado perante muitos usos correntes (potencialmente abusos, portanto, desrespeitos por leis vigentes e mesmo crimes em alguns deles).

No seu «improviso planeado», esse já proferido diante de ainda mais responsáveis (diretor da PJ e do DCIP, inspectores gerais de vários ministérios, bastonários das Ordens dos Médicos e Farmacêuticos, etc.), Paulo de Macedo salientou que a Saúde em Portugal, não sendo embora um campo onde a fraude tenha uma incidência particularmente elevada, constitui, mormente numa fase de «muitas dificuldades para muitos portugueses», uma área onde a deteção, acusação e condenação de abusadores e golpeadores têm particular importância, mormente pedagógica.

Ninguém no setor, presente ou ausente, discordará, com a exceção, como diria minha avó, desses «amigos do alheio», agora apanhados.

Neste particular, outra nota curiosa, pois que, a certa altura foi possível «ouver» Paulo Moita de Macedo referindo que o «mérito» de agora se estar a obter mais e melhores resultados neste campo será de todas as entidades envolvidas e dos seus elementos-agentes.

Falsa modéstia, está bem de ver, algo que também não se deteta com facilidade no atual ministro da Saúde.  Todos sabemos da importância que tem nestes casos o «peso político» colocado por quem exerce funções como as que Paulo de Macedo exerce.  
 
(Nota pessoal: Não consigo deixar de ficar espantado como, com os meios de cruzamento de dados de que dispõe hoje quem «policia» estas coisas e sendo tal capacidade do domínio público, os «artistas» que intentam contra as contas públicas com golpadas nesta área, mostrando uma total imoralidade e desvergonha, de facto, não percebem que, com os meios atuais serão muito provavelmente apanhados, incriminados e condenados. Mostram, assim, que, além de gananciosos são também, como se diz mesmo? Estúpidos, é isso…)




O combate à fraude na Saúde, com boa articulação de meios internos ao setor e externos responsáveis pela investigação criminal e judiciária está bem demonstrada em factos, números, processos em curso e em investigação, até condenações (prova de bom trabalho anterior, na deteção e investigação). É um consenso que o que tem sido feito nessa área é bem-vindo e da maior importância, até dissuasora


Paulo de Macedo, o «ministro da finanças da saúde», como muitos lhe chamam no setor (e não só) tem poucos outros campos de atuação em que a sua passagem «em furacão austeritário» pela Saúde reúna tanto e tão merecido consenso


Todos sabemos da importância que tem nestes casos o «peso político» colocado por quem exerce funções como as que Paulo de Macedo exerce




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