«Define um estilo de governação»

por Andreia Vieira | 29.07.2015

Adalberto Campos Fernandes sobre perguntas por responder  pelo ministro da Saúde 
Foram cerca de duas mil as perguntas que terão ficado sem resposta por parte do Executivo nesta legislatura, muitas na área da Saúde.  Adalberto Campos Fernandes considera que as questões ignoradas «definem um estilo de governação» e lamenta a «falta de vontade» da maioria em corresponder ao trabalho da oposição.

O balanço foi feito pelo jornal online Observador, segundo o qual, «em quatro anos de legislatura, o Governo de Passos Coelho não respondeu a mais de duas mil perguntas enviadas pelos vários grupos partidários com assento na Assembleia da República».

 De acordo com a análise levada a cabo, Paulo Macedo e Pires de Lima, respetivamente ministros da Saúde e da Economia, «são os mais faltosos», isto é, foram os que mais se esquivaram às perguntas formuladas pela oposição. 



«Do mandato que agora se encerra ter-se-ia esperado muito mais», avalia Adalberto Campos Fernandes 

Tanto as perguntas como as respetivas respostas são públicas e podem ser acedidas no site do Parlamento, mais concretamente no separador sobre Fiscalização Política. Embora o PCP e o Bloco de Esquerda tenham sido os partidos que mais perguntas formularam, foi o PS aquele que menos foi atendido pela maioria, com 23% de perguntas sem retorno.

Em declarações ao «Tempo Medicina», Adalberto Campos Fernandes, Coordenador do Grupo de Trabalho de Saúde do Gabinete de Estudos do PS, entende que «as 2 mil perguntas que ficaram sem resposta definem um estilo de governação onde o equívoco se estabeleceu na diferença entre cumprir rituais e praticar democracia».

O médico e gestor considera ainda que «foi pena que mais de quatro anos de maioria absoluta se tenham traduzido numa quase absoluta falta de vontade em responder, a tempo e horas, às perguntas formuladas por aqueles que cumprem a obrigação de melhorar a qualidade da governação, dando assim sentido útil à política e ao valor da democracia representativa».

Adalberto Campos Fernandes não hesita em afirmar que «do mandato que agora se encerra ter-se-ia esperado muito mais» e justifica: «Pela responsabilidade das escolhas em tempo difícil, pela obrigação de explicar os caminhos percorridos, pelo dever democrático do exercício do contraditório e pela utilidade do confronto de ideias, ainda que diferentes.»

Para o também professor da Escola Nacional de Saúde Pública, «o fim da legislatura é uma oportunidade incontornável para balanço de um tempo político».
Nas suas palavras, este «é o momento certo para avaliar o trabalho do Governo, mas também para refletir sobre o cumprimento das responsabilidades pela oposição.

É também o momento adequado para avaliar o que foi feito mas também para rever as promessas que ficaram por cumprir».

«TM» contactou outras fontes para igualmente obter um comentário, incluindo do Ministério da Saúde, mas até ao momento de fecho deste artigo não recebeu resposta.

Andreia Vieira 


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