Ministério da Saúde pretende «fazer em quatro semanas aquilo que não soube fazer em quatro anos»

por Teresa Mendes | 31.08.2015

Carlos Cortes preocupado com a «política desastrosa» do MS
O presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos (CRCOM), Carlos Cortes, considera «inaceitável o aliciamento monetário como incentivo para que os médicos de família aceitem mais utentes nas suas listas (até 500 utentes)», tornando «incomportável a gestão adequada da lista de utentes e podendo interferir com a qualidade do serviço prestado».

A medida, que resulta do mais recente diploma aprovado no Conselho de Ministros, «é o resultado da política desastrosa do Ministério da Saúde que não consegue fazer o planeamento das necessidades do País e demonstra que só agora acordou para a gravidade da situação nos cuidados de saúde primários.

Estas regras são absurdas pois colocam os médicos a atender mais doentes nas mesmas horas de trabalho», critica o responsável num comunicado à Imprensa. Segundo Carlos Cortes, «o Ministério da Saúde pretende fazer em quatro semanas aquilo que não soube fazer em quatro anos, adotando medidas perigosas e manifestamente irrefletidas» e para o presidente do CRCOM, não é desta forma que se resolve a falta de médicos de família nas zonas mais carenciadas.

«Falta uma organização adequada dos recursos humanos. Repudiamos estas medidas avulsas e insensíveis, com efeito exclusivamente mediático», afirma.

«Falta uma organização adequada dos recursos humanos. Repudiamos estas medidas avulsas e insensíveis, com efeito exclusivamente mediático», afirma Carlos Cortes que considera que não é desta forma que se resolve a falta de médicos de família

De acordo com o diploma aprovado pelo Governo, os médicos de família que aceitem aumentar as suas listas de utentes vão ser recompensados monetariamente, num montante que oscila entre os 648 e os 741 euros, dependendo do número de utentes que cada clínico aceite adicionalmente.

  «Esta decisão, tomada de forma precipitada, prejudica a qualidade assistencial já que esquece a qualidade em detrimento da quantidade e coloca os médicos numa situação de esforço suplementar já impossível de ser feito», sublinha Carlos Cortes, acrescentando que «esta não é a solução para atribuir médico de família a todos os portugueses».


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 31 de Agosto de 2015
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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