Uma ideia inspiradora

por João Paulo de Oliveira | 29.10.2015

De Espanha também vêm «bons ventos»
 
No «Tempo Medicina», por mais de uma vez, chamámos a atenção para os riscos inerentes à similitude de embalagens de medicamentos, designadamente genéricos, riscos esses para os quais o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, igualmente tem alertado. 

De Espanha, chegam agora ecos de uma iniciativa que visa reduzir as trocas indevidas de fármacos e que esperamos possa servir de inspiração entre nós.

«O idoso, a quem o médico prescreveu furosemida, abre o armário dos medicamentos, enfrenta com a sua visão já deficiente um mar de embalagens, encontra por fim a que pretende, tira um comprimido e toma-o com um gole de água. Nenhum problema – só que em vez de furosemida tomou digoxina, um cardiotónico, estimulante do coração.

O idoso enganou-se na embalagem, mas desta vez não aconteceu nada.
Um erro? Tamanho idêntico, o mesmo desenho, as mesmas cores… O erro -- todos os dias em alguma casa, em algum hospital», escreve El Mundo, salientando que a troca inadvertida de fármacos é responsável  por quase 5% das admissões hospitalares, «em parte atribuível a etiquetagens e embalagens idênticas para produtos diferentes – ampolas parecidas, cápsulas quase iguais para doenças distintas, embalagens similares com conteúdos diferentes».

A situação é tão grave que os Estados Unidos estudam o problema desde 1975, adianta o jornal
Como observa Maria José Otero, diretora do Instituto para o Uso Seguro dos Medicamentos, de Espanha, citada pelo diário madrileno, «é compreensível que os fabricantes queiram que o consumidor reconheça a sua imagem de marca, mas nós afirmamos que é possível manter essa imagem e conseguir embalagens que se diferenciem e não induzam em erro.

Tem havido muitos progressos, contudo, alguns laboratórios resistem à mudança – investem muito dinheiro do desenvolvimento de um fármaco e relegam para segundo plano a etiquetagem e a embalagem, cujo desenho é fundamental para garantir uma identificação correta e uma utilização segura do medicamento por profissionais de saúde e doentes. Existem erros por semelhança ou por identificação das doses.

«O avô procura, no armário dos medicamentos, a caixinha branca, vermelha e laranja da sua dose diária de bisoprolol para a insuficiência cardíaca, e pega na caixinha branca, vermelha e laranja de ibuprofeno para a dor de cabeça da mulher…» 

A cor deve ser um elemento de diferenciação, mas aplicada judiciosamente, e a dose deve ser indicada de forma consistente e sem ambiguidade».
Maria José Otero chama também a atenção para a similitude dos nomes de alguns fármacos.  Perante este quadro, em que é tão habitual o erro na escolha do medicamento, dois farmacêuticos, Sergio Plata e Alfredo Montero, criaram o Stop Errores de Medicación, uma plataforma virtual para partilhar exemplos de confusão e pedir ao Ministério da Saúde, à Agência Espanhola do Medicamento e à Farmaindustria (a associação da Indústria Farmacêutica em Espanha), através de um abaixo-assinado em Change.org, «um documento que garanta o desenho seguro das embalagens e etiquetagem dos fármacos».

Para já, uma ideia pioneira nascida nos EUA, está, segundo o El Mundo, a implantar-se em Espanha: na embalagem aparece uma ilustração do comprimido ou da cápsula, o que facilita a identificação do fármaco.

Entretanto, concluiu o jornal, «o avô procura, no armário dos medicamentos, a caixinha branca, vermelha e laranja da sua dose diária de bisoprolol para a insuficiência cardíaca, e pega na caixinha branca, vermelha e laranja de ibuprofeno para a dor de cabeça da mulher…».


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28 de Outubro de 2015

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