Prevenir e diagnosticar dá-nos mais anos de saúde

por João Eurico Cabral da Fonseca | 02.11.2015

«Está nas nossas mãos»
 
Os progressos na organização dos serviços de saúde em Portugal permitiram nos últimos 40 anos que o nosso país atingisse excelentes indicadores de saúde, como a mortalidade infantil e a esperança média de vida, que rivalizam com os apresentados pelos países mais ricos e desenvolvidos do mundo.

Vivemos mais e temos uma expectativa crescente de aproveitarmos esses anos com qualidade. 
Mas será que os anos que vivemos mais agora são desfrutados com saúde?
Provavelmente não.
Ou pelo menos não tão bem como seria potencialmente possível. 

De facto, diversos estudos sugerem que, comparativamente com os países do Norte da Europa, os idosos portugueses têm mais doenças e complicações médicas e, por isso, menos qualidade de vida.  O que podemos fazer para resolver este problema?  A informação da população sobre estilos de vida saudáveis e preventivos da doença, aliados ao conhecimento de queixas de alerta que permitam o diagnóstico precoce pode ter um papel decisivo.  De facto, a maioria das doenças humanas têm factores de risco para a sua ocorrência que são modificáveis e evitáveis. E, por outro lado, quando as doenças são identificadas precocemente podem ser curáveis, ou pelo menos controladas de uma forma eficaz, prevenindo o seu impacto sobre a nossa qualidade de vida.  Está nas nossas mãos esta possibilidade de prevenir e detetar precocemente as doenças. Podemos ser nós próprios, individualmente, a contribuir decisivamente para a nossa saúde. Como um investimento para a nossa qualidade de vida futura. 

As doenças reumáticas como um exemplo

Um estudo recente (EpiReumaPt) mostrou que cerca de metade dos portugueses sofre de, pelo menos, uma doença reumática e que as doenças reumáticas são as que mais afetam a nossa qualidade de vida.

Mas há um grande desconhecimento da população em geral sobre estas doenças e de como preveni-las e diagnosticá-las.  Por exemplo, sabia que a palavra “reumatismo” esconde dezenas de doenças diferentes, que devem ser prevenidas e diagnosticadas de forma precisa, porque há tratamentos específicos para cada uma delas?
Sabia que as doenças reumáticas não são doenças dos idosos e que podem afetar qualquer pessoa, desde o nascimento até à terceira idade? Sabia que o tabagismo, o sedentarismo e o excesso de peso não só causam doenças cardiovasculares, mas também são fatores de risco para doenças reumáticas?

De facto, o tabagismo é um fator de risco, por exemplo, para a artrite reumatóide e para a osteoporose, o sedentarismo é deletério para a qualidade dos ossos e da cartilagem, contribuindo para a osteoporose e para a artrose, e o excesso de peso sobrecarrega as articulações e causa artrose. 

Será que os anos que vivemos mais agora são desfrutados com saúde? Provavelmente não. Ou pelo menos não tão bem como seria potencialmente possível. 

As doenças reumáticas não devem ser um fado nem um fardo 


E poderíamos continuar por uma extensa lista de exemplos de outros fatores de risco para doenças reumáticas. 
As doenças reumáticas não devem ser um fado nem um fardo.

Podem ser evitáveis e, quando ocorrem, é fundamental serem diagnosticadas com precisão para prevenir a incapacidade. Não há “reumatismo” mas sim muitas doenças reumáticas diferentes com tratamentos eficazes e específicos para cada uma delas.
Se compreendermos isso temos nas nossas mãos a capacidade de combater uma das grandes causas de incapacidade e de perda de qualidade de vida.

Uma chamada para uma ação cívica preventiva: a literacia em saúde

Cabe às instituições nacionais que gerem a nossa saúde assumir a liderança na prevenção e diagnóstico precoce das doenças.
Mas esta é também uma responsabilidade cívica das organizações não governamentais que trabalham na área da saúde. As associações de doentes, associações de profissionais de saúde e sociedades científicas médicas, podem ter um papel cívico importantíssimo nesta missão global de oferecer mais qualidade aos nossos anos de vida.

São os agentes certos para promover eventos informativos, intervir nos meios de comunicação social, influenciar as políticas de saúde, treinar formadores, reforçar e atualizar a promoção da saúde nos programas letivos dos vários níveis de escolaridade.  Conhecimentos corretos sobre saúde, aquilo que a Organização Mundial de Saúde definiu como “literacia em saúde”, valem tanto como milhões de euros em medicamentos.

Todos podemos contribuir para a literacia em saúde.
Aprendendo e influenciando positivamente os familiares e amigos para todos vivermos mais, mas mais saudáveis e felizes.

Entre os dias 5 e 8 de novembro, a sala Tejo do Meo Arena, recebe a CHECK-UP – Expo Saúde e Bem-Estar, um evento nacional que permite à população fazer rastreios a várias doenças num único espaço. No local vão estar profissionais de saúde, Sociedades Médicas, Associações de Doentes e outras entidades ligadas à saúde para aconselhar e informar sobre formas de prevenção de diversas doenças e hábitos de vida saudáveis. 

A CHECK-UP disponibiliza ainda um espaço de entretenimento dedicado à família que inclui atividades lúdico-pedagógicas para crianças.

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2 de Novembro de 2015
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*Professor de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
e
*Presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia

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