Medicamentos? Para quê?

por José M. Antunes | 08.11.2015

A propósito de uma entrevista de Maria Filomena Mónica
Maria Filomena Mónica é uma personalidade da vida académica e intelectual portuguesa que, falando poucas vezes publicamente, quando o faz não deixa ninguém indiferente.
Tal o permanente desassombro com que se pronuncia, seja de coisas «simples» da vida, seja de política, seja das grandes opções do País-Portugal que, manifestamente, ama, mas, lá está, à sua maneira… 

Deu, lê-se desde a passada quinta -feira, 5 de Novembro, uma entrevista «forte» à revista «Sábado» onde, entre outras coisas assume – com o tal desassombro de sempre -- um problema de saúde grave com que vai tendo que conviver.

Saliento uma frase:«Não sei se vou sobreviver, mas, se assim for, sei que isso se deve ao meu médico, às enfermeiras e aos medicamentos». 

Assim fala, diria eu, a verdadeira sabedoria.
Aquela que deriva de um bom conhecimento da vida e dos seus momentos críticos, bem como do que verdadeiramente influencia e modifica essas situações.

Repare-se na «nuance» da referência à relação médico-doente, diria «em estado “puro”».

E sublinhe-se a percepção do auxiliar tecnológico precioso perante a doença que são «os medicamentos».

Caso para dizer, que é pena se não revejam nesta leitura – ela sim sábia -- alguns dos nossos  «intelectuais da saúde» antigos e recentes, sempre mostrando um «desprezo» olímpico por  medicamentos e respectiva indústria.
Sejam eles personalidades arrogantes como a do recente «ministro das finanças da Saúde» -- reduzindo tudo a números de «despesas» ou «gastos», em vez de daquilo de que se trata, de «investimento» -- , sejam alguns dos seus mais recentes seguidores, alguns manifestamente por «dever de manter cargo», outros por convicções, concedamos, mas todos, todos, distanciados, há anos, do verdadeiro sofrimento.
O dos doentes.
Aqueles que são os verdadeiros destinatários do sistema de Saúde, nunca deveríamos esquecer.


Dirão os cépticos que ainda agora me leêm que a força da frase deriva outrossim de pleno estado de necessidade de quem está doente e por isso carente de acreditar em algo e em «alguéns», além da sua própria tenacidade e resiliência.
Por mim, isso só sublinha mais ainda a clarividência de Maria Filomena Mónica, que, reparo, até se «deixa de fora» dos potenciais «heróis» de um futuro sucesso – e todos sabemos que também terá que lá estar -- nesta sua dificuldade. 
Todos ficamos a «torcer», não duvido, para que tudo corra bem, em qualquer caso.


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5 de Novembro de 2015
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