O estranho caso da não articulação de serviços

por José M. Antunes | 11.12.2015

(Gerando mais difícil acesso dos doentes)
Um caso PERDIDO, em Portugal?
Decorreu ontem, dia 10 de Dezembro, em Porto Salvo, a quinta edição do Workshop de Boas Práticas de Governação. 

Trata-se da apresentação pública anual de um conjunto de projectos em que uma iniciativa global --, com longevidade já de cinco anos, da empresa portuguesa pertencente à farmacêutica suíça Novartis, através de uma equipa quase dedicada, -- ajuda conjuntos de médicos, enfermeiros, algumas vezes mesmo instituições, a concretizar projectos locais ou regionais que se entende fazerem falta por esta ou aquela razão ou conjunto de razões. 

O trabalho da Novartis, em articulação, desde recentemente creio, com a Universidade Nova, acaba por ser o que hoje se convencionou chamar «alavancar» (não só financeiramente) a concretização dos projectos.

A maior parte dos casos contemplados partem de equipas dos chamados Cuidados de Saúde Primários (CSP) – incluindo médicos e enfermeiros--, por vezes visando articular cuidados com hospitais e centros hospitalares próximos.
Com resultados surpreendentes e achados numéricos por vezes chocantes.
Este ano, por exemplo, houve vários destes casos (ver «caixas» deste texto, com alguns dados sobre os projectos em curso). 
Vale dizer que, na apresentação de pelo menos três dos projectos – falo daqueles a que consegui assistir -- , não por acaso, estiveram presentes -- com outros colegas --, para os explicar a uma assistência larga e motivada, três responsáveis de ARS, a saber: 

--Rui Cernadas, vice da ARS Norte – sobre o GIDO, projecto que pretende agilizar acesso e partilhar informação de doentes do ACES Gaia Espinho e o IPO Porto;

--José Robalo, presidente da ARS Alentejo -- sobre o «Prioridade à vida no cancro colo-rectal», visando algo similar;

--João Moura Reis, idem da ARS Algarve – sobre « Humanização dos cuidados ao doente oncológico»,
que visa também agilizar acesso de doentes com essas patologias originários do ACES Algarve Central ao Centro Hospitalar do Algarve.

Ora, estes casos nomeadamente, suscitaram-me uma dúvida essencial.
A saber: 
--Então, não compete, precisamente às ARS articularem cuidados, acessos de utentes, ou seja, então, porque é necessário uma ajuda externa para levar a «bom porto» essa articulação supostamente «natural» num suposto Serviço Nacional?

Bem sei que o assunto é complexo, não pretendo fazer de «demagogo populista», mas… parece-me que temos que encarar isto como um problema real. Não?

Como ali não tive ocasião – o tempo e a orgânica da sessão não o permitiram -- de colocar aos colegas que nesta altura estão responsáveis em Administrações Regionais, coloco- a aqui, pois, conhecendo-os e sabendo-os com gosto pela análise e debate destas coisas, pode acontecer eles lerem este «escrito» e lhes apeteça e tenham disponibilidade para aqui me/nos elucidarem ou ajudarem a perceber que dificuldade, estava para escrever impossibilidade, é esta?…

Algo que «vai na água» distribuída nas unidades de Saúde e de gestão da mesma? 
Alguma limitação «geneticamente condicionada» dos responsáveis – sucessivos!! – das instituições de Saúde? 
Que raio é isto que nos dificulta a articulação de capacidades e superação de insuficiências?

(Mail de contacto? O de sempre: jose.antunes@tempomedicina.com
Ou, para comentários mais curtos, usar a funcionalidade «Comentário» neste mesmo site...)

E a divulgação dos projectos? Fica por ali, por aquela sala?

Outra curiosidade, chamemos-lhe inquietação para dramatizar um pouco, que me acompanhou no regresso da reunião.
Não assunto de somenos, acho.

 Assisti ali, de novo, à apresentação de um conjunto de ideias /iniciativas que espantam de tão aparentemente simples, porém tão necessárias localmente para os doentes-utentes e fascinam quem, como eu, segue o sistema de saúde português há tempo suficiente para manter uma constatação persistente: a nossa capacidade de articular cuidados e esforços é diminuta e, com isso, o sistema é menos eficiente, os doentes «pagam» isso em redução de acesso e multiplicação de esforços do próprio doente.
Injusto, portanto.
Mormente para aquele a quem o sistema supostamente se dirige, o Doente.

Frustrante, também, para os profissionais.

Ora os dados resultantes dos projectos deste esforço dos autores/actores, da Novartis e da Nova, estão, em alguns casos, publicados, mas de uma forma um pouco dispersa, já porque os diferentes autores, depois actores dos projectos, têm origens e experiências múltiplas, diferentes, dispersas, já porque, visto de fora, «ninguém pensa nisso»...
 
No entanto, ou me engano muito, ou alguns, muitos, destes casos seriam, se sistematizados e publicados de uma forma organizada, úteis como modelos para outras equipas fazerem caminhos semelhantes.
Com potencial benefício para muitas pessoas…

Porque não sucede tal?
Está a Novartis Portugal com algum tipo de «prurido» de mostrar que tem aqui um programa bem pensado, bem achado, útil e capaz de fazer diferença, «pequena melhoria a pequena melhoria»? E porquê?



Caixa

Novartis realiza V Workshop de Boas Práticas de Governação fomentando projetos focados na humanização dos cuidados de saúde

A Novartis organiza, pelo quinto ano consecutivo, o Workshop “Boas Práticas de Governação”, um programa que possibilita aos ACES e Hospitais de todo o país desenvolver a formação dos seus profissionais ao nível das competências de gestão e implementar projetos relevantes para a comunidade de utentes beneficiando de apoio técnico especializado. 

Este Workshop, que tem como objetivos a apresentação e discussão dos projetos desenvolvidos, realizou-se no dia 10 de dezembro,  no Núcleo Central e Centro de Congressos do Taguspark, em Oeiras.

As soluções de articulação entre cuidados de saúde primários e hospitalares passam muitas vezes pela replicação de boas práticas desenvolvidas localmente.

A Novartis desenvolveu o programa “Boas Práticas de Governação”, em parceria com a Universidade Nova de Lisboa, para proporcionar aos participantes uma oportunidade de acesso a um plano curricular desenvolvido pela universidade e que lhes garante as bases teóricas e o acompanhamento necessário ao desenvolvimento de projetos.

Este ano, o programa tem como tema “Caminhos para a Humanização” e pretende criar as condições para o desenvolvimento de projetos de inovação, promovendo o desenvolvimento de boas práticas que fomentem uma maior articulação entre cuidados primários e hospitalares, proporcionando melhoria efetivas para o doente aquando do seu percurso pelo sistema. 

O V Workshop de Boas Práticas de Governação pretende ser um fórum de discussão anual para apresentação dos trabalhos desenvolvidos.

Os projetos em destaque no V Workshop, selecionados em cada uma das ARS e em áreas prioritárias de intervenção são, este ano, os seguintes: 
 
Prioridade à vida no cancro colo-rectal
ARS Alentejo; ACES Alentejo Central, Hospital do Espírito Santo de Évora;

Humanização dos cuidados ao doente oncológico
ARS Algarve; ACES Algarve Central, Centro Hospitalar do Algarve;

GIDO: Gestão integrada do doente oncológico
ARS Norte, ACES Espinho/Gaia, IPO Porto;

EM Cova da Beira
ARS Centro, ACES Cova da Beira, Centro Hospitalar Cova da Beira, Universidade da Beira Interior;

Saber viver…com a Diabetes
ARS Norte, Unidade Local de Saúde do Alto Minho;

Figueira Respira – circuito do utente com fatores de risco para DPOC
ARS Centro, Câmara Municipal da Figueira da Foz, ACES Baixo Mondego, Hospital da Figueira da Foz;

Elos da insuficiência cardíaca
ARS LVT, ACES Lisboa Ocidental e Oeiras, Centro Hospitalar Lisboa Ocidental;

Sobre a Novartis

A Novartis fornece soluções de saúde inovadoras destinadas a dar resposta às necessidades em constante evolução dos doentes e da sociedade. Sediada em Basileia, na Suíça, a Novartis dispõe de um portefólio diversificado para responder da forma mais adequada a essas necessidades: medicamentos inovadores, cuidados oculares e genéricos económicos.

A Novartis é a única empresa global com posições de liderança em todas estas áreas. As empresas do Grupo Novartis empregam aproximadamente 120 mil colaboradores, desempenhando as suas atividades em mais de 180 países.

Para obter mais informações, visite www.novartis.com

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Médicos querem aumentar diagnóstico da DPOC na região

“Figueira Respira” é o nome do projeto inovador que tem como grande objetivo travar o avanço da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) na Figueira da Foz.

Esta iniciativa conta com o apoio da Administração Regional de Saúde do Centro, Hospital Distrital da Figueira da Foz, Agrupamento de Centros de Saúde Baixo Mondego e Unidades de Saúde Familiares São Julião e Buarcos e Câmara Municipal da Figueira da Foz.

 “Existem atualmente cerca de 4900 doentes identificados com doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) na região da Figueira da Foz, mas estima-se, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, que existam ainda cerca de 4000 doentes por diagnosticar” explica Lígia Fernandes, pneumologista do Hospital Distrital da Figueira da Foz. 

“Com este projeto queremos melhorar a articulação de cuidados de saúde para uma identificação precoce e monitorização adequada da DPOC, aspetos estes determinantes na evolução da doença. Pretendemos identificar mais cedo factores de risco e/ou sinais e sintomas da doença, e aumentar a capacidade de resposta às espirometrias com o consequente aumento de diagnósticos de DPOC na nossa região.
Vamos também apostar na formação dos profissionais de saúde e, muito importante, na sensibilização da população”, refere a pneumologista. 

“Pretendemos continuar a promover campanhas de sensibilização junto dos utentes e comunidade para alertar para os riscos do tabagismo e complicações da DPOC. Queremos também diminuir o número de fumadores na região, com o recurso à consulta de cessação tabágica e estamos ainda a desenvolver um programa de melhoria de qualidade de vida e de alteração de comportamentos, dirigido aos doentes já identificados”, afirma Maria Pacheu, médica de família na USF S.Julião. 

O projeto “Figueira Respira” integra-se no programa “Boas Práticas de Governação”, uma iniciativa da Novartis em parceria com a Universidade Nova de Lisboa.
Ao longo do programa os participantes tiveram a acesso a um plano curricular desenvolvido pela Universidade e que lhes garantiu as bases teóricas e o acompanhamento necessário ao desenvolvimento do projeto.


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11 de Dezembro de 2015
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