Ministério da Saúde abre inquérito para apurar morte no Hospital de S. José

por Teresa Mendes | foto de "DR" | 23.12.2015

Presidentes da ARSLVT, do CHLC e do CHLN demitem-se
O Ministério da Saúde pediu à administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central e à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde para apurarem eventuais responsabilidades do Hospital de São José na morte de um doente.

Numa curta nota enviada à agência Lusa, o Ministério da Saúde informa que solicitou a abertura imediata de um inquérito às duas entidades na sequência da morte de um jovem de 29 anos que faleceu no dia 14 de dezembro no Hospital de São José, em Lisboa, por não haver um neurocirurgião para efetuar uma intervenção cirúrgica.

A decisão da tutela surge algumas horas depois dos presidentes da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (Luís Cunha Ribeiro), do Centro Hospitalar de Lisboa Central (Teresa Sustelo) e do Centro Hospitalar Lisboa Norte (Carlos Martins) terem apresentado a sua demissão.

A decisão, anunciada em conferência de Imprensa sem direito a perguntas, surge na sequência de David Duarte, de 29 anos, ter perdido a vida por falta assistência. Já desde abril de 2014 que os neurocirurgiões não trabalhavam ao fim-de-semana no Hospital de S. José por não concordarem com o valor pago pelo Estado.

Na conferência de Imprensa em que apresentou a demissão, Luís Cunha Ribeiro garantiu que não se voltará a repetir o que aconteceu com David Duarte e que «foi autorizado que passe a haver resposta para situações deste género».

Também uma fonte do hospital revelou ao Expresso que já foi possível chegar a acordo com a tutela para aumentar o valor pago aos especialistas pelo trabalho extraordinário aos sábados e domingos. 

Na conferência de imprensa em que apresentou a demissão, Luís Cunha Ribeiro garantiu que não se voltará a repetir o que aconteceu com David Duarte e que «Foi autorizado que passe a haver resposta para situações deste género»

Numa carta publicada ontem pelo Expresso online, a namorada de David Duarte escreve um testemunho raro no qual explica o sucedido à chegada ao hospital.

«Anunciaram-nos, descontraidamente, que se tratava da rutura de um aneurisma, que o sangue se espalhou pelo cérebro e que, geralmente, estes casos de urgência teriam de ser tratados de imediato, ou seja, o doente teria de ser logo operado.

Mas como os médicos referiram, infelizmente calhou ser numa sexta-feira, logo não iria haver equipa de neurocirurgiões durante o fim-de-semana.»

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23 de Dezembro de 2015
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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