Que solução para falta de médicos na Urgência do CHUC?

por Carlos Mesquita | 29.12.2015

A propósito da notícia: «Médicos de família chamados a fazer Serviço de Urgência do CHUC»
Opinião de  Carlos Mesquita

A propósito da notícia:
«Médicos de família chamados a fazer Serviço de Urgência do CHUC»

1.    Antes de tentar ir ao que julgo ser o fundo da questão, não posso deixar de perguntar a que título vem um sindicato meter-se numa questão que, à partida, não lhe dirá respeito, uma vez que se tratou, ao que tudo indica, de um mero pedido de colaboração voluntária, na esfera da liberdade de cada um.
Ignorando, além do mais, a verdadeira causa do excessivo afluxo de doentes às urgências hospitalares, em nada contribuindo para encontrar soluções.
É por estas e por outras que o sindicalismo médico tem, infelizmente, a expressão que tem.
Recoloco, por isso, a questão já formulada por mais que uma vez e sempre sem resposta: quantos médicos da zona centro representa o SMZC e, destes, quantos são hospitalares?

2.    Recorrerão à Urgência dos HUC mais de 500 doentes adultos por dia, em média.

 -- 1 %, 5 doentes, serão situações de verdadeira emergência, cor vermelha
  
-- 10 %, talvez um pouco mais e incluindo os anteriores, 50 a 60 doentes, serão verdadeiras urgências hospitalares, com critérios para internamento
   
-- aceitemos que outro tanto ou, mesmo, o dobro, 20%, uns 100 doentes, sejam também urgências hospitalares mas sem critérios de internamento, por exemplo, uma fractura não complicada de um antebraço...

-- Estaremos a falar, portanto, de menos de um terço do total, o que significa que o hospital tem andado, desde há muitos anos, a procurar, internamente, solução para um problema que, à partida, não é seu e que, de há muito, deveria estar resolvido à periferia, a nível dos cuidados primários, respeitando a mais de dois terços dos doentes que a ele acorrem, mais de 300 por dia.

3.     Aceitemos, no entanto, que tal se possa resolver em termos de proximidade relativamente à Urgência Médico-Cirúrgica / Polivalente, através do desenvolvimento da Urgência Básica. Aqui, não poderei deixar de me associar aos que contestam o modo como o problema tem vindo a ser remediado por sucessivas administrações.

Trata-se, sem margem para dúvidas, de um problema de fundo a exigir solução de fundo, a qual não poderá deixar de passar pela criação de uma equipa generalista dedicada, fixa, contratada por concurso público numa base de competência e não numa base de especialidade. Uma equipa igual em direitos e deveres à de qualquer outro serviço do hospital, pouco importando qual a especialidade de base de quem a ela pretenda concorrer, Medicina Interna, MGF ou qualquer outra.

4.    Uma proposta neste sentido, a qual incluía a criação de um ciclo de estudos especiais de medicina de urgência e emergência, teve origem, há já sete anos, na (abandonada...) Comissão Médica de Apoio ao Processo de Reestruturação da Urgência (CMAPRU).
Aprovada pelo Conselho de Administração de então e na Ordem dos Médicos (publicada em Boletim) veio a entrar em hibernação (até hoje...) numa gaveta da Direcção Geral de Saúde, sem qualquer explicação. Julgo que o dono da gaveta, não sei se ainda o é, se chamava Mário Caldeira.

Só por questões de ordem corporativa, de falta de vontade política ou, pior, de pura e simples cobardia, preguiça ou mera ignorância se pode ter chegado à triste situação actual.

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29 de Dezembro de 2015
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*Cirurgião dos HUC-CHUC e Director do Serviço de Urgência dos HUC, de 2007 a 2009

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