«Fizemos tudo dentro das boas regras»

por Vitalino José Santos | foto de DR | 21.01.2016

Luís Portela, doutor «honoris causa» em Coimbra, sobre o  ensaio clínico em França
Luís Portela era um homem grato e com a emoção à flor da pele no final da cerimónia em que recebeu o grau de Doutor «Honoris Causa» pela Universidade de Coimbra, no dia 20 de Janeiro, sob proposta da Faculdade de Farmácia (FFUC). Porque as circunstâncias assim coincidiram, o «chairman» da farmacêutica Bial lamentou «profundamente» a recente morte de um voluntário num ensaio clínico em França.

À procura de perceber as razões do que se passou no âmbito do ensaio clínico da farmacêutica portuguesa em território francês, Luís Portela garantiu que a Bial está a trabalhar «incansavelmente» nesse sentido. 



«Perdeu-se uma vida e isso é absolutamente trágico. Estamos focados em apoiar a recuperação total das restantes pessoas [igualmente voluntárias no referido estudo experimental], em encontrar as causas», afirmava o «chairman» da Bial e médico portuense a quem a Universidade de Coimbra (UC) conferiu o grau de doutor honorário em Farmácia, precisamente no Dia da FFUC.

«Temos consciência de que, pela nossa parte, fizemos tudo dentro das boas regras, dentro das boas normas, cumprindo tudo direito», adiantou Luís Portela, também consciente de que os ensaios pré-clínicos, toxicológicos foram conduzidos «da melhor maneira e sem aparecer nada que indicasse uma coisa destas».

Na ocasião, o representante da Bial lembrou ainda que a nova molécula já tinha sido usada em cerca de uma centena de voluntários, aos quais «não aconteceu nada».

A posição de Luís Portela relativamente ao sucedido em França é a de «não se resignar perante a adversidade», característica que o «distingue na vida» e que reforça a vontade de a empresa farmacêutica acompanhar as autoridades francesas na indagação do que terá falhado. «Obviamente, parámos a investigação com esta molécula.

Tomaremos a decisão de continuar ou não, depois de se saber o que se passou», esclareceu Luís Portela, o qual, em 1994, conjuntamente com os Laboratórios Bial e o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, criou a Fundação Bial, com o objectivo incentivar a investigação centrada no ser humano.

«Nome incontornável» na Indústria Farmacêutica

«A grandiosidade da Universidade de Coimbra não se evoca nem convoca, revela-se.
Os testemunhos e reconhecimento da magnitude da sua influência no Mundo, como sabiamente o nosso Magnífico Reitor [João Gabriel Silva, irmão do bastonário da Ordem dos Médicos] não se cansa de sublinhar, demonstram que uma instituição com 725 anos tem, necessariamente, de ser uma instituição dinâmica capaz de lidar com a mudança», começou por dizer Amílcar Falcão (vice-reitor da UC), no elogio do então candidato a doutoramento «honoris causa», Luís Portela.

«Obviamente, parámos a investigação com esta molécula. Tomaremos a decisão de continuar ou não, depois de se saber o que se passou», esclareceu o «chairman» da Bial, Luís Portela 

«Temos consciência de que, pela nossa parte, fizemos tudo dentro das boas regras, dentro das boas normas, cumprindo tudo direito», sublinhou Luís Portela 

«Resultam daqui responsabilidades acrescidas pelas quais um trabalho colectivo de gerações tem sabido pugnar.
Esta Sala Grande dos Actos foi, ao longo da História, palco das mais sublimes orações de sapiência, doutos discursos e elevadas provas académicas», notava Amílcar Falcão (também professor na FFUC), elogiando Luís Portela, «nome incontornável no panorama nacional e internacional da Indústria Farmacêutica».

«Estamos perante uma homenagem que, simultaneamente, conjuga um acto de justiça e um exercício de humildade», sustentou Amílcar Falcão, acrescentando: «Distanciando-se da pequenez de espírito, a Universidade de Coimbra pretende, neste momento solene, consagrar a obra de um homem cujo nome, saber, tenacidade, paixão pela pureza dos princípios e espírito lutador, queremos transportar connosco no futuro.»

«A mais alta distinção honorífica»

«De jovem médico a administrador do maior grupo farmacêutico português, foram-se sobrepondo, criativa e naturalmente, camadas sucessivas de acontecimentos, de linhas de orientação, de perspectivas de análise e de intervenção social que contribuíram, de forma equilibrada, para o intelectual e o empresário amadurecido que temos hoje connosco», acentuou o vice-reitor da UC, Amílcar Falcão, na cerimónia de doutoramento honorário, proposto pela FFUC (dirigida por Francisco Veiga), tendo como «apresentante» do candidato Maria Margarida Caramona (catedrática de Farmácia).

«Estamos perante uma homenagem que, simultaneamente, conjuga um acto de justiça e um exercício de humildade», sustentou Amílcar Falcão, vice-reitor da UC e responsável pelo elogio a Luís Portela 

«É, para a Faculdade de Farmácia desta Universidade, uma suprema honra poder contar com Luís Portela entre os seus Doutores. Pelo que se afirmou, pela fiança depositada pela sua apresentante, pela sua obra, mas sobretudo pelo que fez e impulsionou a que se fizesse no âmbito das Ciências Farmacêuticas, da Indústria Farmacêutica e do Medicamento, solicitamos que lhe sejam outorgadas as insígnias doutorais desta Universidade», dirigia-se Amílcar Falcão ao reitor da UC.

Na sua intervenção, aquando do elogio da apresentante (Maria Margarida Caramona), a docente da FFUC Isabel Vitória de Figueiredo confirmava a justeza da «mais alta distinção honorífica que uma universidade pode conceder» a «um homem de ciência, empreendedor e criativo do nosso tempo», de acordo com a biografia e o currículo apresentados pelo seu colega farmacêutico e académico Amílcar Falcão.

«Sentimentalmente, somos habitados por uma memória»

Satisfazendo os requisitos protocolares da UC, o doutorando fez-se acompanhar da professora catedrática Margarida Caramona, destacada personalidade universitária e membro de diversas sociedades científicas e profissionais, ali elogiada pela sua antiga aluna Isabel Vitória de Figueiredo, a qual, revivendo recordações, citou o escritor José Saramago: «Fisicamente, habitamos um espaço mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória».

«No ensino de qualquer disciplina, é fundamental cultivar o interesse dos alunos, demonstrar a aplicabilidade dos conceitos transmitidos e estimular as suas capacidades imaginativas, para que, ao longo de um curso, consigam integrar conhecimentos teóricos com os aspectos práticos adequados à futura profissão», considerava a oradora, no elogio à apresentante do candidato Luís Portela, frisando que o exercício profissional farmacêutico se situa, «cada vez mais, na interface entre o medicamento e o doente».

Caixa 

«O capitão de uma equipa que foi capaz de dar asas a um sonho»

«É, para mim, uma enorme honra ver o meu trabalho, ou melhor – perdoem-me a franqueza –, o trabalho de Bial distinguido pela Universidade de Coimbra e pela sua Faculdade de Farmácia», declarou Luís Portela, na Sala dos Capelos (Sala Grande dos Actos), no final da manhã de 20 de Janeiro, na cerimónia em que foi distinguido com o grau de doutor «honoris causa».

«E digo o trabalho de Bial, porque o Luís Portela é apenas – e com muito gosto – o capitão de uma equipa que foi capaz de dar asas a um sonho, proporcionando ao Mundo novas e inovadoras soluções terapêuticas», justificava, visivelmente emocionado.

«Quero, aqui, expressar o meu profundo agradecimento a todos aqueles que, ao longo dos últimos 92 anos – que completaremos em Abril próximo – deram o seu contributo à Bial», frisou Luís Portela, notando:
«Fiquei presidente da empresa quando tinha 27 anos, em 1979, eramos 160 e só trabalhávamos em Portugal. Agora, somos cerca de 950 e levamos os medicamentos que fabricamos às populações de 57 países diferentes.»

Para Luís Portela, «o percurso de mais de vinte anos de enorme investimento em investigação, de muitas vicissitudes, de muitas dificuldades, por vezes, mesmo de grandes dificuldades, mas também de muitas pequenas vitórias, só tem sido possível graças à importante colaboração de cerca de 130 instituições de investigação e desenvolvimento que se quiseram associar a nós», das quais «cerca de uma dezena são portuguesas», sendo a maioria dessas instituições (universitárias ou não) de países europeus ou de proveniência norte-americana. 

«A todas estou muito grato, mas, em especial, àquela que foi a primeira instituição de investigação com quem tivemos uma relação frutuosa, que se traduziu num importante contributo para o desenvolvimento do nosso antiepiléptico Zebinix: o Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) de Coimbra», salientou Luís Portela, o «chairman» da Bial e médico portuense a quem a Universidade de Coimbra (UC) concedeu o grau de doutor honorário em Farmácia.

«Relação que, aliás, tem continuado em contratos posteriores, relativos a outras novas moléculas sintetizadas pelos nossos técnicos», argumentava o ainda candidato a «honoris causa», saudando os académicos e investigadores da UC Arsélio Pato de Carvalho, Catarina Resende de Oliveira e Amílcar Falcão [vice-reitor e autor do elogio do candidato], bem como todos os membros das respectivas equipas de pesquisa.  


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21 de Janeiro de 2016

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