Japonês Yoshinori Ohsumi galardoado com o Nobel da Medicina

foto de "DR" | 03.10.2016

Pelas descobertas sobre os mecanismos da autofagia
O Prémio Nobel da Fisiologia e Medicina de 2016 foi atribuido esta segunda-feira pela Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska ao cientista japonês Yoshinori Ohsumi, pelas descobertas sobre os mecanismos da autofagia celular, o processo através do qual ocorre a degradação e reciclagem de componentes celulares, como se sabe.

O premiado, um investigador da Universidade de Tóquio, nasceu em 1945 e foi a infância marcada pela pobreza, no pós-Segunda Guerra. 

Yoshinori viria a ter na fome um dos principais elementos de estudo. Segundo uma entrevista feita pelo The Journal of Cell Biology, o investigador contribuiu de forma decisiva para avanços na compreensão de como as células conseguem sobreviver em períodos de fome ou infeção.

Neste âmbito, o conceito de autofagia diz respeito a um processo celular que dá origem à degradação de componentes da própria célula. 

De acordo com o comunicado da atribuição do prémio, trata-se de um conceito que surgiu na década de 1960, quando cientistas descobriram que as células conseguiam destruir os seus conteúdos encerrando-os em membranas.

O processo resultava na formação de uma espécie de sacos, que são transferidos para os lisossomas, onde são «consumidos». 
Yoshinori Ohsumi também começou por estudar a degradação de proteínas, em 1988, usando leveduras (Saccharomyces cerevisae, usada na fermentação da cerveja, por exemplo) por serem um organismo fácil de manipular e um bom modelo do que acontece nas células humanas. 

No artigo científico publicado em 1992, o cientista demonstrou não só que a autofagia existia nas leveduras, como quais os genes envolvidos no processo.

A autofagia é, como se sabe, uma resposta celular fundamental em caso de privação de alimento às células ou a outras situações de stress celular, mas não é a única função deste mecanismo. A capacidade de envolver numa vesícula e eliminar o conteúdo ajuda a combater bactérias e vírus que invadem a célula. 

Além disso, como tem a capacidade de degradar componentes celulares, os autofagossomas e lisossomas eliminam proteínas e organelos que estejam danificados e disponibilizam os “tijolos” que compõe estes compostos para que nova síntese seja realizada (reciclagem).

O Prémio Nobel da Fisiologia e Medicina de 2016 foi atribuído esta segunda-feira pela Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska ao cientista japonês Yoshinori Ohsumi, pelas descobertas sobre os mecanismos da autofagia celular, como se sabe, o processo através do qual ocorre a degradação e reciclagem de componentes celulares 

A importância da autofagia é tanta para a regulação celular, que as perturbações  neste mecanismo, sobretudo com o envelhecimento, têm sido associadas a doenças como Parkinson, diabetes tipo 2 ou mesmo a alguns tipos de cancro.

O comunicado pode ser consultado aqui

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03 de Outubro de 2016
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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