«É fundamental que a profissão seja respeitada pelo poder político»
por Manuel Morato | foto de "DR" | 20.10.2016
Candidatura de António Araújo ao CRN da OM luta por uma Ordem «sólida»
Lutar por uma Ordem «mais sólida que possa defender e unir os médicos», uma Ordem «mais moderna e defensora da qualidade» são parte das linhas orientadoras da candidatura de António Araújo à presidência do CRN da Secção Regional do Norte (SRN), agora apresentada.
O candidato tem como objectivo central apoiar Miguel Guimarães, presidente cessante, na candidatura a bastonário.
A Ordem dos Médicos (OM) «vai ter que lutar muito pela racionalização da Medicina em Portugal, adequar o numerus clausus [do acesso aos cursos de Medicina] à quantidade de médicos necessários ao País e adequar o número de profissionais às capacidades formativas», declarou ao «Tempo Medicina» («TM») António Araújo, à margem da apresentação formal da sua candidatura à presidência do Conselho Regional do Norte (CRN) da Ordem dos Médicos (OM), que teve lugar ontem, 19 do corrente, na Casa do Médico, no Porto.
Especializado em Oncologia Médica e diretor do serviço respectivo do Centro Hospitalar do Porto, António Araújo admitiu lutar para «conferir dignidade ao ato médico», ou seja, «conferir mais respeito ao trabalho dos médicos para que isso seja reconhecido pela população em geral».

«Acreditamos que é fundamental haver uma lei definidora do ato médico, mas muito mais importante do que isso vai ser depois implementá-la, e é fundamental dignificar o ato médico, visto que nos últimos anos o respeito pela profissão foi-se perdendo», acrescentou o oncologista, considerando que - «por exigir elevada responsabilidade profissional» para com o doente - «é fundamental que a profissão seja respeitada pelo poder político, pelo doente e pelos cidadãos», para assim ser possível «centrar o doente em toda esta relação».
Sendo o apoio à candidatura de Miguel Guimarães para bastonário «um dos objectivos centrais» da actividade eleitoral a desenvolver, António Araújo justificou a medida com o facto de o urologista – que presidiu ao CRN OM durante dois mandatos -- ter desenvolvido «uma atividade muito grande em prol dos médicos»; aliás, sublinhou: «[Miguel Guimarães] tem tomado posições de grande relevo e coragem a vários níveis no panorama político e será, de momento, a melhor pessoa para cuidar dos médicos e assumir o cargo de bastonário».
O candidato considera que Miguel Guimarães «é a melhor pessoa para defender os médicos», para «pugnar por melhores condições de trabalho e para dignificar a Medicina em Portugal».
«Lutar pela qualidade a todos os níveis da Medicina»
Apresentando a «qualidade» como lema da candidatura, António Araújo, que é também professor convidado do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), no Porto, propõe-se «lutar pela qualidade a todos os níveis da Medicina», desde a formação pré graduada, até à formação pós graduada, passando pelas «condições de trabalho» e «sistemas informáticos», além da definição do ato médico.
António Araújo considera que Miguel Guimarães «é a melhor pessoa para defender os médicos», para «pugnar por melhores condições de trabalho e para dignificar a Medicina em Portugal»
António Araújo admitiu lutar para «conferir dignidade ao ato médico», ou seja, «conferir mais respeito ao trabalho dos médicos para que isso seja reconhecido» pela população em geral
António Araújo: «Acreditamos que é fundamental haver uma lei definidora do ato médico, mas muito mais importante do que isso vai ser depois implementá-la»
António Araújo: «É fundamental dignificar o ato médico, visto que nos últimos anos o respeito pela profissão foi-se perdendo»
António Araújo justificou o apoio a Miguel Guimarães com o facto de o urologista – que presidiu Conselho Regional do Norte durante dois mandatos - ter desenvolvido «uma atividade muito grande em prol dos médicos»
«[Miguel Guimarães] tem tomado posições de grande relevo e coragem a vários níveis no panorama político e será, de momento, a melhor pessoa para cuidar dos médicos e assumir o cargo de bastonário», afirmou António Araújo
António Araújo propõe-se «lutar pela qualidade a todos os níveis da Medicina», desde a formação pré graduada, até à formação pós graduada, passando pelas «condições de trabalho» e «sistemas informáticos», além do ato médico
Comentando os alegados cortes de que tanto se tem falado no sector da saúde, sobretudo no caso da oncologia -- área a que António Araújo se dedica –, o candidato lembrou que, sendo uma especialidade em que os medicamentos «são muito caros» e «muitas vezes de inovação terapêutica», é um domínio «onde há sempre muita conflitualidade» entre os médicos e o poder decisório: «A saúde tem sido subfinanciada nos últimos anos; portanto, é natural que aqui se sinta o subfinanciamento». Embora reconhecendo que os vários ministérios «têm tentado colmatar este défice», o oncologista admite: «É um facto que se começam realmente a sentir os efeitos do subfinanciamento crónico».
«Temos receio que os partidos não aprovem o ato médico»
Para além do subfinanciamento, António Araújo mostrou ter outros receios, voltando a referir-se ao ato médico, tema que está agora em discussão na Assembleia da República: «Temos receio que os partidos políticos na Assembleia da República não aprovem a legislação, e isto não quer dizer que a lei seja boa ou má, mas muitas vezes as vontades políticas ultrapassam aquilo que os médicos acham que é bom».
Receia ainda dificuldades na criação do registo oncológico único, questão em que, lembra, os médicos da área muito se têm empenhado: «Temo que a Assembleia da República não aprove o projecto-lei que está a ser agora discutido».
Explica porquê: «Muitos deputados pecam por falta de literacia em saúde - não aprovam leis que são fundamentais para a Medicina em Portugal».
Caixa
«Só um médico compassivo e humano merece a nossa confiança»
Para presidir ao CRN da SRN da Ordem dos Médicos «é preciso ser um médico competente», afirmou Walter Osswald, mandatário da candidatura de António Araújo, acrescentando que o cargo exige alguém que «tenha uma relação personalista e humanista» com os doentes.
«Isto é muitas vezes esquecido pelos médicos, mas só um médico que é compassivo e humano merece a nossa confiança».
Para o antigo professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, um candidato a este cargo, como é o caso de António Araújo, «tem que ter uma orientação», ou seja, «não pode obedecer a populismos demagógicos – não se pode apresentar com programas que sabe à partida que são inexequíveis».
«O candidato tem que ter um programa e comprometer-se com os médicos», admitiu ainda o farmacologista, mostrando-se agradado como facto de o candidato defender o numerus clausus no acesso aos cursos de Medicina, a definição do ato médico, a regulação e resolução da conflitualidade médico-doente e o sobretudo o respeito pelo doente visto que «ele é a nossa razão de ser».
«Defender a definição ao ato médico é um ponto fundamental», considerou o mandatário, acrescentando: «Sem isso não sabemos como nos apresentamos diante da população em geral».
De resto, frisou, «não compete aos psicólogos ou osteopatas exercer funções que são da exclusividade dos médicos». Em relação à proposta de regulação e resolução da conflitualidade médica, comentou ainda: «Também aqui a Ordem dos Médicos não tem sido suficientemente proactiva.
É necessário que estes pontos sejam seguidos com mais propósito».
Caixa
«Formar médicos em demasia significa gastar mais dinheiro»
Ainda no âmbito da qualidade, justificou a necessidade de dar atenção ao numerus clausus dos cursos de Medicina: «É algo importante não só para os médicos em geral, mas particularmente para o País e sociedade».
«A questão do numerus clausus é o primeiro passo para termos alguma razoabilidade no panorama da Medicina em Portugal, de forma a podermos adequar a formação às necessidades e com isto poupar dinheiro ao País», admitiu António Araújo, justificando: «Formar médicos em demasia e significa gastar muito mais dinheiro à sociedade, porque são médicos que vão emigrar e que não trazem retorno ao País, e médicos indiferenciados sem qualquer tipo de especialidade…»
16MM32A1
20 de Outubro de 2016
1642Ant5f16MM32A1
O candidato tem como objectivo central apoiar Miguel Guimarães, presidente cessante, na candidatura a bastonário.
A Ordem dos Médicos (OM) «vai ter que lutar muito pela racionalização da Medicina em Portugal, adequar o numerus clausus [do acesso aos cursos de Medicina] à quantidade de médicos necessários ao País e adequar o número de profissionais às capacidades formativas», declarou ao «Tempo Medicina» («TM») António Araújo, à margem da apresentação formal da sua candidatura à presidência do Conselho Regional do Norte (CRN) da Ordem dos Médicos (OM), que teve lugar ontem, 19 do corrente, na Casa do Médico, no Porto.
Especializado em Oncologia Médica e diretor do serviço respectivo do Centro Hospitalar do Porto, António Araújo admitiu lutar para «conferir dignidade ao ato médico», ou seja, «conferir mais respeito ao trabalho dos médicos para que isso seja reconhecido pela população em geral».

«Acreditamos que é fundamental haver uma lei definidora do ato médico, mas muito mais importante do que isso vai ser depois implementá-la, e é fundamental dignificar o ato médico, visto que nos últimos anos o respeito pela profissão foi-se perdendo», acrescentou o oncologista, considerando que - «por exigir elevada responsabilidade profissional» para com o doente - «é fundamental que a profissão seja respeitada pelo poder político, pelo doente e pelos cidadãos», para assim ser possível «centrar o doente em toda esta relação».
Sendo o apoio à candidatura de Miguel Guimarães para bastonário «um dos objectivos centrais» da actividade eleitoral a desenvolver, António Araújo justificou a medida com o facto de o urologista – que presidiu ao CRN OM durante dois mandatos -- ter desenvolvido «uma atividade muito grande em prol dos médicos»; aliás, sublinhou: «[Miguel Guimarães] tem tomado posições de grande relevo e coragem a vários níveis no panorama político e será, de momento, a melhor pessoa para cuidar dos médicos e assumir o cargo de bastonário».
O candidato considera que Miguel Guimarães «é a melhor pessoa para defender os médicos», para «pugnar por melhores condições de trabalho e para dignificar a Medicina em Portugal».
«Lutar pela qualidade a todos os níveis da Medicina»
Apresentando a «qualidade» como lema da candidatura, António Araújo, que é também professor convidado do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), no Porto, propõe-se «lutar pela qualidade a todos os níveis da Medicina», desde a formação pré graduada, até à formação pós graduada, passando pelas «condições de trabalho» e «sistemas informáticos», além da definição do ato médico.
António Araújo considera que Miguel Guimarães «é a melhor pessoa para defender os médicos», para «pugnar por melhores condições de trabalho e para dignificar a Medicina em Portugal»
António Araújo admitiu lutar para «conferir dignidade ao ato médico», ou seja, «conferir mais respeito ao trabalho dos médicos para que isso seja reconhecido» pela população em geral
António Araújo: «Acreditamos que é fundamental haver uma lei definidora do ato médico, mas muito mais importante do que isso vai ser depois implementá-la»
António Araújo: «É fundamental dignificar o ato médico, visto que nos últimos anos o respeito pela profissão foi-se perdendo»
António Araújo justificou o apoio a Miguel Guimarães com o facto de o urologista – que presidiu Conselho Regional do Norte durante dois mandatos - ter desenvolvido «uma atividade muito grande em prol dos médicos»
«[Miguel Guimarães] tem tomado posições de grande relevo e coragem a vários níveis no panorama político e será, de momento, a melhor pessoa para cuidar dos médicos e assumir o cargo de bastonário», afirmou António Araújo
António Araújo propõe-se «lutar pela qualidade a todos os níveis da Medicina», desde a formação pré graduada, até à formação pós graduada, passando pelas «condições de trabalho» e «sistemas informáticos», além do ato médico
Comentando os alegados cortes de que tanto se tem falado no sector da saúde, sobretudo no caso da oncologia -- área a que António Araújo se dedica –, o candidato lembrou que, sendo uma especialidade em que os medicamentos «são muito caros» e «muitas vezes de inovação terapêutica», é um domínio «onde há sempre muita conflitualidade» entre os médicos e o poder decisório: «A saúde tem sido subfinanciada nos últimos anos; portanto, é natural que aqui se sinta o subfinanciamento». Embora reconhecendo que os vários ministérios «têm tentado colmatar este défice», o oncologista admite: «É um facto que se começam realmente a sentir os efeitos do subfinanciamento crónico».
«Temos receio que os partidos não aprovem o ato médico»
Para além do subfinanciamento, António Araújo mostrou ter outros receios, voltando a referir-se ao ato médico, tema que está agora em discussão na Assembleia da República: «Temos receio que os partidos políticos na Assembleia da República não aprovem a legislação, e isto não quer dizer que a lei seja boa ou má, mas muitas vezes as vontades políticas ultrapassam aquilo que os médicos acham que é bom».
Receia ainda dificuldades na criação do registo oncológico único, questão em que, lembra, os médicos da área muito se têm empenhado: «Temo que a Assembleia da República não aprove o projecto-lei que está a ser agora discutido».
Explica porquê: «Muitos deputados pecam por falta de literacia em saúde - não aprovam leis que são fundamentais para a Medicina em Portugal».
Caixa
«Só um médico compassivo e humano merece a nossa confiança»
Para presidir ao CRN da SRN da Ordem dos Médicos «é preciso ser um médico competente», afirmou Walter Osswald, mandatário da candidatura de António Araújo, acrescentando que o cargo exige alguém que «tenha uma relação personalista e humanista» com os doentes.
«Isto é muitas vezes esquecido pelos médicos, mas só um médico que é compassivo e humano merece a nossa confiança».
Para o antigo professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, um candidato a este cargo, como é o caso de António Araújo, «tem que ter uma orientação», ou seja, «não pode obedecer a populismos demagógicos – não se pode apresentar com programas que sabe à partida que são inexequíveis».
«O candidato tem que ter um programa e comprometer-se com os médicos», admitiu ainda o farmacologista, mostrando-se agradado como facto de o candidato defender o numerus clausus no acesso aos cursos de Medicina, a definição do ato médico, a regulação e resolução da conflitualidade médico-doente e o sobretudo o respeito pelo doente visto que «ele é a nossa razão de ser».
«Defender a definição ao ato médico é um ponto fundamental», considerou o mandatário, acrescentando: «Sem isso não sabemos como nos apresentamos diante da população em geral».
De resto, frisou, «não compete aos psicólogos ou osteopatas exercer funções que são da exclusividade dos médicos». Em relação à proposta de regulação e resolução da conflitualidade médica, comentou ainda: «Também aqui a Ordem dos Médicos não tem sido suficientemente proactiva.
É necessário que estes pontos sejam seguidos com mais propósito».
Caixa
«Formar médicos em demasia significa gastar mais dinheiro»
Ainda no âmbito da qualidade, justificou a necessidade de dar atenção ao numerus clausus dos cursos de Medicina: «É algo importante não só para os médicos em geral, mas particularmente para o País e sociedade».
«A questão do numerus clausus é o primeiro passo para termos alguma razoabilidade no panorama da Medicina em Portugal, de forma a podermos adequar a formação às necessidades e com isto poupar dinheiro ao País», admitiu António Araújo, justificando: «Formar médicos em demasia e significa gastar muito mais dinheiro à sociedade, porque são médicos que vão emigrar e que não trazem retorno ao País, e médicos indiferenciados sem qualquer tipo de especialidade…»
16MM32A1
20 de Outubro de 2016
1642Ant5f16MM32A1
José Manuel Antunes
1412 dias atrás
O colega António Araújo merecerá sempre a minha simpatia, por um conjunto de razões. A menor das quais não sendo a de, em tempos recentes difíceis, e em que muitos optaram por um silêncio estranho porque cúmplice ou medroso, «deu a cara», pagando um preço por isso, na defesa de uma autonomia profissional mínima que seja.
Por isso, não «resisto» a provocá´-lo aqui (a ver se ele lê e...)
Quando o António Araújo disse nesta sua apresentação de candidatura que a Ordem tem que ser «sólida»,mormente deduz-se na defesa da dignidade da profissão, muitos lerão, ou podem fazê-lo, que o não tem sido...
Como tal me pareceria um pouco redutor olhando à actividade dos colegas que o antecederam na representação da Ordem, e portanto da profissão médica, pergunto-me se o António Araújo quererá ir por aí. Não creio, mas...
É que, queiramos ou não, os dirigentes da Ordem podem tentar que as decisões políticas e sociais acerca dos médicos e do seu contexto vão por bons caminhos, mas nem sempre o conseguem/conseguiram/conseguirão.
É o que me parece a mim...