Ser Presidente de Conselho de Administração ou Director Clínico interessa pouco aos médicos?  Porquê?

por Carlos Mesquita | 19.12.2016

Creio que o problema é geral
Opinião de Carlos Mesquita

Para além dum secretismo exagerado, a denotar a pouca transparência própria das nomeações de cariz político ou similar, é notória a actual dificuldade da tutela em encontrar médicos com prestígio interessados em assumir cargos de presidente de conselho de administração ou de director clínico, sobretudo quando comparado com o que se passava há 30 anos, quando as nomeações para ambos os cargos (direcção do hospital e direcção clínica) eram precedida de eleições.

Embora esteja a pensar, sobretudo, no meu hospital, creio que o problema é geral e merecedor de alguma discussão.

Pessoalmente, agrada-me que o colega Miguel Guimarães o tenha trazido para a sua campanha.

Tratando-se de cargos, à partida, prestigiantes, a única explicação para o problema é a situação de confinamento aos baixos salários dos médicos, dada a quase total ou, mesmo, total impossibilidade de acesso às tradicionais alternativas compensatórias, como o trabalho extraordinário ou a actividade privada, por parte dos detentores dos mesmos.

Como todos sabemos, na prática, estes lugares acabam por ser preenchidos por quem não tem, mesmo, onde cair morto, perdoem-me expressão, à falta quer de alternativas remuneratórias quer de gosto, paciência ou, pior, capacidade para lidar com doentes, ou por quem, com outras fontes de rendimento, se pode dar ao luxo de os aceitar.

O panorama actual não é, de facto, brilhante, tendo em conta o nível de responsabilidade de quem ocupa estes cargos. 
Por outras palavras, tem faltado coragem política para resolver um problema que se arrasta desde há anos e que está a levar à descredibilização das instituições.

À semelhança do que tem sido discutido a propósito da banca, em especial da Caixa Geral de Depósitos, a solução poderá estar no associar a este tipo de exercício um complemento remuneratório que compense os nomeados pelos prejuízos inerentes à interrupção ou, até, abandono da actividade clínica normal. 

Tem faltado coragem política para resolver um problema que se arrasta desde há anos e que está a levar à descredibilização das instituições

Sem prejuízo, obviamente, de processos mais transparentes a preceder as nomeações, baseados na apresentação de candidaturas e, se não de eleições, pelo menos de concursos públicos.

*Médico

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19 de Dezembro de 2016
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