Portugal é o país que mais recorre às urgências

foto de "DR" | 12.01.2017

Relatório da OCDE diz que taxas moderadoras nos CSP são um dos motivos
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) considera que a utilização excessiva das urgências é um dos «principais exemplos» das áreas em que os países mais estão a desperdiçar dinheiro no sector da saúde. Portugal surge no topo da lista, com uma média de 70 idas àqueles serviços por cada 100 habitantes.

Este é um dos dados do relatório «Tackling Wasteful Spending on Health» publicado hoje. Contudo, não se trata de um problema exclusivo do nosso país, pois em 14 dos 19 países analisados pela OCDE, o recurso às urgências tem aumentado nos últimos anos.

O segundo lugar é ocupado por Espanha e o terceiro pelo Chile, que mesmo assim não chegam às 60 idas por 100 habitantes. Entre os mais moderados, com dez ou menos idas, estão países como a República Checa, Alemanha, Nova Zelândia e Holanda.

O grupo de investigadores tentou igualmente distinguir os casos em que as pessoas precisavam mesmo daquele tipo de acompanhamento e as situações em que os doentes deveriam ter resolvido o problema noutro local.

Mais de metade dos doentes que recorreram às urgências na Eslovénia e Bélgica não precisavam realmente de um serviço tão diferenciado. Esse valor é de 32% na Austrália e de 31% em Portugal. Já países como os Estados Unidos da América e o Reino Unido não chega aos 12%.

A OCDE alerta que «as taxas moderadoras cobradas nos cuidados de saúde primários (CSP) acabam por levar a que os doentes prefiram dirigir-se a um serviço de urgência, onde encontram uma gama completa de serviços a funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana» e avisa Portugal e Grécia que «se o acesso aos centros de saúde fosse gratuito a situação seria diferente».

O relatório da OCDE considera que «se acesso aos centros de saúde fosse gratuito» seria possível aliviar o excessivo recurso aos serviços de urgência 

«Os casos de pobreza e de poucos apoios sociais» são outras das situações que o relatório aponta como estando associadas a uma excessiva procura das urgências em Portugal, bem como a fraca divulgação da rede de centros de saúde abertos até mais tarde ou ao fim-de-semana.

O relatório completo está disponível aqui

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12 de Janeiro de 2017
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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