Álvaro Beleza teve medo de Debates, porquê?

por José M.Antunes | 16.01.2017

Uma possível  explicação
Opinião de José M. Antunes

As eleições para a órgãos dirigentes da Ordem dos Médicos (OM), para o próximo triénio estão agendadas já para daqui a dois dias, 19 de Janeiro.

Os indícios recolhidos até hoje, mostram uma votação um pouco mais animada (e animadora) do que na votação anterior, quando olhamos para o número de envelopes RSF até ontem entrados nas Secções Regionais da Ordem, chegados por Correio.
 
Há ainda, claro, a votação presencial, a exercer por muitos  no próprio dia 19 em cada uma das Sub-Regiões (antigas Distritais) e Secções Regionais.

E como escolheram, e estão a escolher, os médicos portugueses?
Seguramente que estando atentos a variados pontos e fontes de informação, começando pelo que chegou da própria OM, desde a Revista da Ordem dos Médicos, à própria informação enviada pela Instituição, que chegou aos médicos, sobre Programas, Listas, etc. 

Mas também por variadíssimas outras fontes.

Por exemplo, os tempos «muito digitais» que vamos vivendo deram às informações veiculadas por via das «redes sociais», e-mails e afins um papel notório.
 
Em qualquer caso, tudo apontando para que os médicos serão (e estarão) mais conscientes da importância da sua Ordem e das suas Eleições do que aquilo que tendemos a pensar, provavelmente…

Ora, uma das fontes de informação que em Eleições anteriores teve alguma importância, e que desta vez terá tido menos foram os Debates entre os Candidatos à Presidência da Ordem, e também entre as Listas aos Conselhos Regionais.

E porquê? Porque quase não houve.

Houve um bom Debate entre Candidatos a Bastonário, em Coimbra, a que damos (e demos) destaque aqui, no www.tempomedicina.com, depois um outro, parcial, em Leiria, organizado pela dirigente da Sub-Região e um, quase sem presenças de outros médicos que não os engajados nas candidaturas, no Sul, na sexta-feira passada, por até «à última hora» não se saber se estariam ou não os quatro candidatos.

Porquê isto?

 Sabendo de que falo, cumpre-me testemunhar que tal se deveu a que o Candidato (e a candidatura) de Álvaro Beleza fizeram os possíveis (e «mais além») para que os encontros se não concretizassem.

Valeu tudo, desde datas sucessivas de «indisponibilidade» não explicada, depois idem para o dia seguinte, depois que quereriam que fossem as Secções Regionais cujos dirigentes actuais são recandidatos (ou ainda a comissão Eleitoral) a organizar debates, coisa que nunca se viu e até se imagina que se diria se tal sucedesse, até outras coisas mais feias ainda…
Poderei voltar aos factos aqui resumidos, que posso testemunhar e estão documentados em forma escrita (mail) sobre esta constatação, mas para já «passemos», possibilitando assim poupar ao leitor tais  «penas».

Para já concentro-me no potencial porquê deste comportamento, para muitos «estranho».

Porque teve Álvaro Beleza receio, medo, usemos a expressão mais directa, dos Debates a quatro?

Sopram-me, em surdina, um conjunto de receios que poderão movê-lo a, potencialmente, não querer um escrutínio em público médico alargado.
Ignoro, por princípio pessoal face ao que me chega «em surdina», essas elucubrações mais tortuosas, mas também por ter uma potencial explicação, que me parece mais simples e fácil de evidenciar.

É ela a de que o medo de Álvaro Beleza de aceitar mais Debates «cara-a- cara», depois emitidos «via net» resultar de o próprio ou algum dos seus conselheiros ter provavelmente alertado para a facilidade com que os mesmos mostrariam as incoerências do próprio Álvaro Beleza.

Uma das fontes de informação que em Eleições anteriores teve alguma importância, e que desta vez terá tido menos foram os Debates entre os Candidatos à Presidência da Ordem.  
E porquê? Porque quase não houve. 


Um facto que o demonstra, desde logo?

Veja-se que no tal único Debate a quatro, com regras e com vídeo, emitido em directo por via digital e depois disponível «na net» (uns dias depois apenas, estranhamente, dizem-me que também aqui com uma «estória» por detrás…) realizado em Coimbra, ali pelo terço do mesmo, Álvaro Beleza disse claramente que a redução de prestígio da profissão se devia muito a inacção ou menor acção da própria Ordem, leia-se a Direcção anterior (com o Bastonário José Manuel Silva) para logo a seguir, minuto passado dessa série de afirmações, quando o prelector seguinte, o também candidato Miguel Guimarães teve a palavra e saiu em defesa do Bastonário (e do CNE) dos recentes anos, lembrando o contexto difícil face ao estado do País e da saúde, eis que Álvaro Beleza, de imediato, se desdiz, afirma sua admiração pelo ainda presidente da OM e mostra  a sua capacidade de se contradizer. Em minutos…

Diria que parecendo «maleita», ainda assim agravada, vinda da «política politiqueira» (não confundir com Política, com maiúscula) por onde andou o ora Candidato uns anos…

Pior, para justificar a «diatribe» de minutos antes, argumenta depois com a «informalidade» de um debate entre colegas… 
Quem ouvia, como eu, questionou-se certamente «mau, mas Álvaro Beleza foi ali a um Debate, pensando que iria para um “tertúlia”?»
É que a Ordem e a sua Presidência são um assunto sério, não são Eleições para a Presidência da República, mas pedem seriedade.

Querem os médicos portugueses como Bastonário para o próximo triénio quem tão medroso se patenteia e tão inconsequente se mostra, em minutos?

Querem os médicos portugueses como Bastonário para o próximo triénio quem tão medroso se patenteia e tão inconsequente se mostra, em minutos? 

Por mim, votante que também sou/serei e que tinha dúvidas à partida para a campanha, sobre quem escolher para Bastonário, depois destas demonstrações sei em quem não votarei.
  
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*Médico, OM 28515

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17 de Janeiro de 2017
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