Especialização em Medicina de Urgência e Emergência

por Carlos Mesquita | 27.01.2017

Uma discussão «com barbas»
Opinião de Carlos Mesquita

Mais do que os recentes problemas da sobre-afluência às urgências, a última campanha para a Ordem dos Médicos (OM), principalmente através de França Gouveia, trouxe novamente para a ordem do dia a discussão, já «com barbas», da especialização em Medicina de Urgência e Emergência.

Não tendo eu, cirurgião geral, um interesse directo, a verdade é que este assunto sempre marcou e continua a marcar significativamente a agenda da Competência em Emergência Médica (CEM), desde a sua criação, tendo eu feito parte, de 2004 a 2009 e de 2012 a 2015, das respectivas direcções.



Só que, Competência primeiro e especialidade mais tarde ou especialidade “já”, a verdade é que não tem havido evolução, podendo, até, falar-se de regressão.
 
Revendo alguma documentação, chamou a minha atenção um quadro (anexo) recebido do secretariado da OM a fazer o ponto  
da situação, em 15 de Maio de 2013, quanto à consulta então efectuada aos colégios sobre a proposta da CEM de alteração da sua designação e âmbito para Medicina de Urgência e Emergência, tema determinante na vitória da nossa lista nas eleições de 2012.

Como se pode ver:
  
--Aceitaram a proposta: 11;
--Não se pronunciaram: 21(incluindo a Medicina Interna);
--Desconhece-se a posição: 1 (Nefrologia);
--Votaram contra: 2;

Será de perguntar, então, em que é que basearam os conselhos nacionais presididos por José Manuel Silva para não terem dado andamento à proposta do CCEM em 2012?

Será de perguntar, então, em que é que basearam os conselhos nacionais presididos por José Manuel Silva para não terem dado andamento à proposta do CCEM em 2012?
 
Sem querer fugir do assunto, muito pelo contrário, alguém adiantou, há dias, que estariam inscritos na página "Médicos Unidos" do Facebook mais de 13000 pessoas, não devendo ser muito mais de 100 aquelas que ali costumam escrever.

Por outras palavras, números redondos e por alto, só 1 a 2 % dos médicos inscritos naquela página serão efectivamente activos. Preocupante ou não, esta é a realidade.

Pior, ainda, do que nas eleições para a Ordem (apesar dos últimos resultados) ou na adesão aos sindicatos.

Ao ponto de se poder dizer, com segurança, que há, entre os médicos, uma persistente maioria silenciosa qualificada de mais de dois terços.

Ou, por outras palavras, também, um preocupante défice democrático, que acaba por legitimar situações como a descrita, de uma óbvia falta de linearidade num processo de decisão tão importante, por parte da direcção da Ordem.
 
E falta de linearidade porquê?

Porque uma das razões entretanto invocadas pelo Bastonário “para não ter sido tomada uma decisão formal sobre esta matéria”, a do “atraso no parecer, considerado naturalmente importante, do Colégio de Medicina Interna” (sem que se perceba em que medida é que isso iria influir significativamente no resultado da consulta), já não terá servido para um outro caso, contemporâneo, o da proposta de criação de uma competência em Cirurgia de Emergência.

Aqui, os colégios de Cirurgia Geral e de Cirurgia Pediátrica tinham sido, até, os primeiros de um grupo de cinco a manifestar-se positivamente, sendo que desconhecemos a posição dos restantes, excepto a da Cirurgia Cardiotorácica e da Angiologia - Cirurgia Vascular, que sabemos não se terem pronunciado.
 
Não será nunca com este tipo de decisões, de “um peso e duas medidas”, altamente desmotivadoras para quem se empenha desde há muitos anos na vida dos colégios, que a Ordem se tornará mais apelativa.

Situação tanto mais preocupante quanto é verdade que estamos a falar de uma organização demasiadamente poderosa -- que, só de quotizações, receberá mais de 10 milhões de euros por ano – para poder estar confiada a grupos democraticamente pouco representativos de médicos.
 
Espero, sinceramente, que esta nova direcção de Miguel Guimarães consiga fazer a diferença.
Até porque “Deus escreve direito por linhas tortas” e, entretanto, idêntica proposta, apresentada pelas mesmas pessoas, foi aprovada pela UEMS.

Espero, sinceramente, que esta nova direcção de Miguel Guimarães consiga fazer a diferença 

Existe, neste momento, a nível europeu, uma "transferable competency in Emergency Surgery", a marcar o estado da arte nesta matéria.

NR: Título, pós-título e destaques da responsabilidade da Redacção.
 
17JMA04Z
27 de Janeiro de 2017
17Pub6f17JMA04Z

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