Impacto do tabaco na saúde respiratória 

13.06.2017

 DPOC
Opinião de António Carvalheira Santos

Mil milhões.
É este o número atual de fumadores em todo o mundo e estima-se que venha quase a duplicar nas próximas duas décadas.

O consumo de tabaco é já considerado uma epidemia global, sendo, atualmente, a principal causa de morte, antes dos 70 anos de idade, em Portugal.
Os malefícios do consumo do tabaco são já bem conhecidos.

A principal patologia causada pelo seu consumo é a doença oncológica, mas esta não se limita às vias respiratórias (faringe, laringe, traqueia, brônquios e pulmão), afetando também os sistemas digestivo, genital e urinário. Concomitantemente, o tabagismo está ainda associado a doenças cardiovasculares e respiratórias, cuja prevalência é igualmente preocupante. 

Sabe-se que os hábitos tabágicos são responsáveis por 90% dos casos de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), o que faz com que os doentes apresentem menores níveis de oxigénio no sangue, causando a falência de vários órgãos. De salientar que qualquer pessoa exposta ao fumo do tabaco é uma potencial doente.

Embora pouco conhecida, a DPOC é uma doença letal e a terceira causa de morte a nível mundial.
O útimo Relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR) indica que aproximadamente 800 mil portugueses sofrem de DPOC, o que corresponde a 14% da população portuguesa com mais de 40 anos.

Em adição, os fumadores com DPOC têm consumos mais elevados de tabaco e apresentam uma dependência de nicotina superior, têm níveis mais altos de monóxido de carbono no ar exalado; têm um padrão ventilatório diferente sujeitanto o pulmão a uma maior exposição de produtos tóxicos; e, os que têm alterações psiquiátricas, referem utilizar o tabaco como controlo da ansiedade e depressão.

Como podem, então, os especialistas ajudar? 

Nos casos da DPOC, o tratamento dos doentes deve assentar em três níveis: prevenção, promovendo a cessação tabágica; vacinação, de forma a prevenir possíveis infeções respiratórias; e a Reabilitação Respiratória, considerada uma intervenção de primeira linha no tratamento de doentes com DPOC estável, num estadio moderado a grave.

Os programas de Reabilitação Respiratória apresentam uma série de benefícios para o doente, tais como: o alívio dos sintomas, melhoria da tolerância ao exercício, prevenção e tratamento das exacerbações, melhoria da qualidade de vida dos doentes, prevenção da progressão da doença e redução da mortalidade.

Estes objetivos estão, ainda, associados à integração familiar e social, e à diminuição de de custos associados à doença. 

Nos casos da DPOC, o tratamento dos doentes deve assentar em três níveis: prevenção, promovendo a cessação tabágica; vacinação, de forma a prevenir possíveis infeções respiratórias; e a Reabilitação Respiratória

A dispneia e o cansaço são os sintomas mais visiveis nos doentes de DPOC, que acabam por conduzir à abstenção do exercício, ao isolamento, à ansiedade e à depressão face ás dificuldades experenciadas no dia-a-dia. Se é fumador, ex-fumador, fumador passivo, familiar de um doente ou de um possível doente esteja atento aos sinais e não dispense o aconselhamento médico. 

* Chefe de Serviço de Pneumologia do Hospital Pulido Valente

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31 de Maio de 2017

 

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