VIH/sida: Quase duas em cada dez pessoas diagnosticas não são seguidas

25.07.2017

Estudo nacional apresentado na 9th IAS Conference on HIV Science
Quase duas em cada dez pessoas em Portugal diagnosticadas com VIH/sida não são seguidas nos serviços de saúde, o que representa quase oito mil doentes, e só menos de sete em cada dez estão verdadeiramente em tratamento. Estes são dados de um estudo que será apresentado na 9th IAS Conference on HIV Science, que decorre até dia 26 de julho, em Paris, e que analisa números referentes a 2014.

O estudo exibe, pela primeira vez e de forma organizada, dados completos sobre a «cascata de tratamento» do VIH/sida em Portugal, segundo o especialista e antigo diretor do Programa Nacional para a Infeção VIH/sida, António Diniz.

Neste trabalho realizado por vários peritos portugueses é analisado o ponto de situação nacional relativamente aos três grandes objetivos traçados pelas Nações Unidos para 2020, a tríade conhecida por 90 – 90 – 90.
A investigação apresentada internacionalmente foi realizada com dados de 2014 e mostra que Portugal tinha apenas cerca de 65% das pessoas diagnosticadas em tratamento.

António Diniz e os outros investigadores subdividiram este campo para tentar compreender os passos intermédios entre o diagnóstico e o tratamento.

«Do diagnóstico ao tratamento é como um saco muito grande, porque há passos intermédios. Primeiro é preciso que as pessoas cheguem aos serviços de saúde e depois que se mantenham», justificou o antigo coordenador do Programa para o VIH/sida, em entrevista à agência Lusa.

Do total de pessoas diagnosticadas são seguidas pouco mais de 80% e, das que são «verdadeiramente seguidas», só 79% estavam em tratamento na altura.

A junção destes dois dados fez com que apenas 64,4% das pessoas diagnosticadas com VIH/sida estivessem a receber, de facto, tratamento, quando a meta para 2020 é de 90%.

António Diniz ressalva que esta avaliação reporta a 2014, quando só em 2015 foi instituído o princípio de que todos os doentes que fossem diagnosticados com VIH deviam começar de imediato a receber tratamento. Até aí, havia indicação de que algumas pessoas não deviam iniciar tratamento.

Ainda assim, o especialista salienta que «se perdem» dos serviços de saúde quase 20% dos doentes diagnosticados, o que significa quase 8000 doentes.

«Perdemos as pessoas porque não as conseguimos manter nos cuidados de saúde ou porque nem sequer lá chegam. Com estes dados conhecemos a realidade e pode haver várias interpretações para isto. Mas eu prefiro olhar para este número e alertar para a necessidade de melhorar as condições de ligação aos cuidados de saúde e de retenção dessas pessoas», afirmou António Diniz.

O médico defende que cada hospital devia fazer um estudo idêntico, «uma cascata de tratamento» para a sua unidade de saúde, com o objetivo de avaliar o trabalho que está a ser feito e de perceber quem são os doentes que estão a escapar ao sistema.

António Diniz salienta que «se perdem» dos serviços de saúde quase 20% dos doentes diagnosticados, o que significa quase 8000 doentes 

António Diniz sugere também a criação de um gestor de caso nos hospitais que lidem mais diretamente com as situações de potencial abandono ou falta de retenção nos serviços de saúde.

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25 de Julho de 2017
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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