SIM acusa tutela de «Demagogia, manipulação e confrontação»

09.08.2017

Greve nacional dos médicos está mais uma vez no horizonte
«A proposta de colocar médicos com mais de 55 anos a fazer serviço de urgência é no mínimo ultrajante para médicos e para a saúde dos doentes, e revela a ignorância que os governantes têm sobre o que é o trabalho e a responsabilidade médica», acusa o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) num comunicado.

Em causa está a proposta negocial que o Ministério da Saúde remeteu aos sindicatos, considerada pelo sindicato como uma «não proposta», porque «recusa liminarmente os termos e condições das propostas sindicais, perdendo-se em preâmbulo justificativo pejado de demagogia e de não verdades».

Segundo o SIM, o documento atribui ao trabalho médico «reduções horárias inexistentes, aumentos remuneratórios que nada mais são do que uma reposição (e mesmo assim com discriminação negativa) do que lhes foi roubado no passado recente, manipulando números e esquecendo que faltam recursos humanos médicos no SNS».

Em resposta, a estrutura sindical diz que «os médicos querem fazer menos trabalho extraordinário, ter melhores condições físicas e psíquicas para atenderem os doentes em contexto de urgência e ter tempo para atenderem melhor os seus doentes nos centros de saúde».

800 mil portugueses sem médico de família 

Na contraproposta enviada aos sindicatos, o Governo frisa que ainda há mais de 800 mil portugueses sem médico de família e que, por isso, não é possível dar resposta rápida a uma das principais reivindicações: a redução do número de utentes dos atuais 1900 para 1550.

O SIM e a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) sublinham este dado para exemplificarem «até que ponto chega a demagogia e a hipocrisia» dos responsáveis governamentais. De acordo com as estruturas sindicais desde abril que mais de duas centenas de novos especialistas em Medicina Geral e Familiar aguardam pelos concursos que «poderiam garantir um médico de família a mais 380 mil portugueses já em 2017», afirma o SIM, em comunicado. 

«As lágrimas de crocodilo sobre o direito a todos os portugueses terem médico de família não se compadece com [esta] incompetência», acrescenta a nota à Imprensa, lembrando que «estes médicos já deviam ter começado a trabalhar no início deste mês». 

«Para quem está preocupado em dar um médico de família a cada português, estar há cinco meses sem abrir este concurso é estranho», diz também Mário Jorge Neves, presidente da Fnam. 

«A proposta de colocar médicos com mais de 55 anos a fazer serviço de urgência é no mínimo ultrajante para médicos e para a saúde dos doentes, e revela a ignorância que os governantes têm sobre o que é o trabalho e a responsabilidade médica», acusa o SIM

A próxima reunião com os representantes do Ministério da Saúde está agendada para a próxima sexta-feira, dia 11.

A contraproposta do Governo está disponível para consulta aqui

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09 de Agosto de 2017
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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