5% do total das camas hospitalares estão ocupadas com internamentos sociais

24.10.2017

Impacto estimado ao ano é superior a 68 milhões de euros para o Estado
De acordo com um estudo realizado pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), 5% do total de camas disponíveis nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) estão ocupadas com internamentos sociais.

Os dados do Barómetro de Internamentos Sociais (BIS), de 2 de outubro, revelam especificamente que «655 camas, o equivalente a 5% do total das camas disponíveis, em 79% dos hospitais do SNS estavam ocupadas com internamentos por causas sociais, predominantemente justificados pela falta de resposta na rede de cuidados continuados», lê-se num comunicado à Imprensa.

Mais de metade destes casos localizam-se na região de Lisboa e Vale do Tejo (52%), sendo a média de tempo dos internamentos inapropriados na ordem dos 92 dias. 

Para a generalidade dos hospitais auscultados, a média de dias de internamento inapropriado é de 67,2, «o que corresponde a uma despesa de 16,5 milhões de euros», salienta o comunicado, acrescentando que a extrapolação deste valor para um ano dos internamentos inapropriados por motivos sociais evidencia «um impacto estimado superior a 68 milhões de euros para o Estado».

O BIS revela ainda que os episódios de internamentos sociais são, maioritariamente, de origem médica (75%), seguindo-se os cirúrgicos (23%) e outros não classificados (2%). 

O género feminino está tenuemente em maioria, com uma percentagem de 52% (face aos 48% do género masculino). 

Quando às idades, 28% dos casos correspondem a pessoas entre os 18 e os 65 anos, 34% referem-se ao intervalo entre os 65 e os 80 anos e 37% dizem respeito a internamentos de utentes com mais de 80 anos. Apenas 1% respeita a pessoas com idade inferior a 18 anos.

O objetivo da APAH, com o suporte da EY, é a monitorização periódica deste fenómeno, de forma a dar relevo à problemática e a fomentar o desenvolvimento de ações conjuntas para minimizar o seu impacto.

Mais de metade destes casos localizam-se na região de Lisboa e Vale do Tejo (52%), sendo a média de tempo dos internamentos inapropriados na ordem dos 92 dias

Alexandre Lourenço, presidente da APAH, salienta que «pela primeira vez quantificámos a dimensão dos internamentos inapropriados por motivos sociais, revelando-se que apesar de existir muito a fazer internamente (ao nível da melhoria da gestão das e readequação da resposta a uma população cada vez mais envelhecida), os hospitais não podem resolver esta questão isoladamente, sendo necessário desenvolver a rede de cuidados continuados e politicas ativas de apoio às famílias e cuidadores informais para apoio à população acima dos 65 anos».

A eliminação dos custos por evitarmos estes internamentos inapropriados, poderá, na opinião do responsável, «financiar estes novos programas».

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24 de Outubro de 2017
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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