Consultas nos CSP duram menos de 5 minutos para metade da população mundial

por Teresa Mendes | 14.11.2017

Estudo inclui na equipa internacional a investigadora portuguesa Ana Luísa Neves
As consultas médicas nos cuidados de saúde primários (CSP) duram menos de cinco minutos para a metade da população mundial – a duração média varia entre os 48 segundos no Bangladesh e os 22,5 minutos na Suécia, revela o maior estudo internacional realizado sobre o tema, e que inclui no seu grupo de trabalho a investigadora portuguesa Ana Luísa Neves.

A investigação foi recentemente publicada no BMJ Open Access, num artigo redigido em coautoria pela médica de família portuguesa Ana Luísa Neves (também investigadora no Departamento de Medicina da Comunidade, Informação e Decisão em Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto), em colaboração com elementos das Universidades de Cambridge, Oxford e Edimburgo e de investigadores de outras instituições britânicas e finlandesas, centrado nas variações internacionais dos tempos de consulta nos CSP.

Intitulada «International variations in primary care physician consultation time: a systematic review of 67 countries», trata-se de uma revisão sistemática que cobre 67 países, demonstrando os dados analisados que apenas três países possuem um tempo médio de consulta igual ou superior a 20 minutos – para além da Suécia, os Estados Unidos e a Bulgária. Portugal apresenta um tempo de 15,2 minutos, com dados referentes a 2014.

Segundo os resultados da investigação, «os tempos de consulta mais curtos foram associados a piores resultados de saúde para os pacientes e um maior risco de burnout para os médicos». 

As consultas médicas nos cuidados de saúde primários (CSP) duram menos de cinco minutos para a metade da população mundial – a duração média varia entre os 48 segundos no Bangladesh e os 22,5 minutos na Suécia, revela o maior estudo internacional realizado sobre o tema 

Para além disso, «as consultas mais curtas foram também associadas a múltiplos fármacos prescritos a um paciente, uso excessivo de antibióticos e má comunicação com os pacientes». 

Os investigadores concluem, aliás, que «o tempo médio de consulta tão reduzido identificado na maioria dos países poderá tendencialmente afetar de forma adversa a saúde dos pacientes, assim como a carga de trabalho e os níveis de stress dos clínicos».

O artigo pode ser consultado aqui


Teresa Mendes

17tm48H
14 de Novembro de 2017
1748Pub3f17tm48H

Publicada originalmente em www.univadis.pt

E AINDA

por Teresa Mendes | 20.07.2018

Maioria dos médicos manifesta apoio aos chefes demissionários do Hospital d...

São já 157 os médicos da Urgência do Hospital de São José, em Lisboa, que assinaram uma carta em apo...

20.07.2018

Médicos sem especialidade podem vir a reforçar INEM

Os médicos que não conseguiram a especialidade por falta de vaga podem vir a reforçar o Instituto Na...

20.07.2018

Trinta e cinco recém-especialistas da região Centro denunciam contexto insu...

Um grupo de 35 recém-especialistas de Medicina Geral e Familiar (MGF) da região Centro alerta para a...

por Teresa Mendes | 19.07.2018

Secretária de Estado da Saúde «lança» projeto Exames Sem Papel

A partir de agosto será feita a massificação da desmaterialização do processo de requisição de meios...

19.07.2018

  Pacotes vão ter menos açúcar em 2020

A partir janeiro de 2020 vão deixar de ser produzidas doses individuais de açúcar que excedam os qua...

por Teresa Mendes | 19.07.2018

Doentes com acesso a canábis medicinal nas farmácias a partir de agosto

A Assembleia da República (AR) publicou esta quarta-feira, a Lei que regula a utilização de medicame...

A reprodução total ou parcial deste site é proibida,
excepto se autorizada expressa e previamente pela Impremédica, Imprensa Médica, Lda.,
nos termos da legislação em vigor.