Coimbra, o «hospital novo», dos anos 80, está velho e a precisar de reforma

27.12.2017

Alguém percebe de arquitectura hospitalar?
Opinião de Carlos Mesquita
 
Soubemos, há cerca de quatro meses, que o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) surgia numa lista oficial com um capital estatutário duas a quatro vezes inferior aos dos centros hospitalares de Lisboa e Porto, ainda que, cada um deles, de menor dimensão.

Independentemente das razões para tal, a verdade é que isso é, pura e simplesmente, inaceitável.

Há mínimos que não devem ser ultrapassados e não podemos continuar a assistir, impávidos e serenos, ao abandono e à subalternização (muito por culpa própria, acredito) do centro do país, de que este é, apenas, mais um triste exemplo.

Outros poderão ser o desordenamento florestal e os incêndios, o estado das ferrovias e das estradas, a falta de estruturas aeroportuárias ou o empurrar, administrativa e financeiramente, para o norte, os concelhos da margem esquerda do Douro e, para o sul, os da margem direita do Tejo.
 
Reportando-me ao CHUC e ao seu bloco central (Hospitais da Universidade de Coimbra, HUC), aquilo a que se tem vindo a assistir é a uma verdadeira avalanche de doentes, principalmente na Urgência, com grande número de internamentos fora de portas e tudo o que, negativamente, isso pode implicar.
 
As dificuldades hoteleiras (aliadas a uma crónica falta de enfermeiros, que se chega a traduzir num ratio por doente quatro vezes menor quando este passa dos cuidados intermédios para uma enfermaria normal) são cada vez mais perceptíveis.

Para além da má qualidade do mobiliário, há, em função do espaço disponível, um excessivo número de camas (ao contrário do que possa pensar quem continuar a olhar para os HUC como o “elefante branco” dos anos 80).

Estará redondamente enganado quem não (quiser) perceber o verdadeiro perigo, em termos de higiene e infeção hospitalar, que são quartos com três doentes a poderem cumprimentar-se e ajudar-se de uma cama para a outra (pior, ainda, nas horas de visita), para além de tudo o que isso possa significar em termos de desrespeito pelo direito à privacidade.

Sei bem que o problema não é só nosso mas serão estas, de resto, as principais razões da ida, para os hospitais privados, dos poucos que podem dar-se a esse luxo.
 
Bastará ver televisão para poder comparar. É muito raro, nas várias séries americanas que têm a prática médica como tema de base, ver doentes em espaços que não sejam individuais; o que se vê é cada doente com o seu quarto, variando os recursos materiais e humanos disponíveis, à medida das necessidades; mesmo em ambiente de cuidado intensivo, é normal o acompanhamento por familiares e amigos.
 
No mínimo, a menos que o espaço físico dos serviços seja significativamente aumentado (tentando reaproveitar, por exemplo, o que andou a ser encerrado), devíamos reduzir num terço a nossa capacidade de internamento e tentar não receber ou transferir para outras unidades os doentes que não pudermos internar condignamente.
 
Caso contrário, pagaremos caro (pelos nossos brandos costumes e falta de radicalidade).

*Cirurgião dos HUC-CHUC

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21 de Novembro de 2017
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