Insuficiência cardíaca e morte súbita «devem ser novas prioridades» para a redução da mortalidade cardiovascular

por Teresa Mendes | 14.12.2017

Conferência SPC: «Repensar o Futuro da Saúde Cardiovascular em Portugal»

 
A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) considera que está na altura de serem definidas «novas prioridades» para a redução da mortalidade por doenças do aparelho circulatório no nosso país, entre as quais o reconhecimento da insuficiência cardíaca (IC) e prevenção da morte súbita.  

Esse foi o mote da Conferência SPC: «Repensar o Futuro da Saúde Cardiovascular em Portugal», que decorreu esta quarta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e que juntou várias personalidades nesta área.

Segundo dados apresentados na reunião, em Portugal, «a mortalidade por IC é superior à taxa de morte associada a vários tipos de cancro», sendo a taxa bruta de bruta de mortalidade associada à IC «superior à da diabetes, DPOC e asma».

Entre as medidas propostas como forma de reverter a situação atual, a SPC considera fundamental:

- Tornar a insuficiência cardíaca uma prioridade na política geral de saúde; formar os profissionais de saúde com programas específicos que vão desde o médico de família até aos vários especialistas envolvidos na gestão da insuficiência cardíaca;

- Criar programas multidisciplinares de gestão integrada da IC a fim de assegurar o correto acompanhamento dos doentes;

- Melhorar o diagnóstico precoce, através do doseamento de marcadores de exclusão da doença a serem comparticipados pelo SNS;

- Implementar uma metodologia de recolha de dados com intuito de atualizar a informação epidemiológica. «Morte súbita pode ser evitada» Na área da morte súbita, a grande prioridade é «promover o acesso universal à desfibrilação precoce, entendida como a única forma eficaz de prevenção da morte em indivíduos vítimas de episódios de paragem cardíaca». 

Considera ainda a SPC, que a identificação dos doentes em risco de morte súbita, entre os quais aqueles que apresentam uma patologia cardiovascular - um subgrupo com risco particularmente elevado -, é um objetivo que se deve perseguir, «pois a morte súbita pode ser evitada».

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) considera que está na altura de serem definidas «novas prioridades» para a redução da mortalidade por doenças do aparelho circulatório no nosso país, entre as quais o reconhecimento da insuficiência cardíaca (IC) e prevenção da morte súbita  

Na opinião da SPC, «a colaboração interdisciplinar é a base do sucesso e deve incluir a MGF, a quem cabe a primeira abordagem até ao cardiologista que, em última instância, dispõe de acesso a recursos essenciais para uma intervenção eficaz passando por outros intervenientes no processo que deve estar organizado e articulados entre setores».

Propondo uma «reflexão profunda» às autoridades do SNS, que se «traduza em medidas concretas», a SPC define ainda como objetivo que «cada cidadão português, perante uma vítima de paragem cardiorrespiratória, seja capaz de a identificar, pedir ajuda de forma correta e iniciar manobras simples que facilitem a recuperação».


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14 de Dezembro de 2017
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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