Os 12 votos da SPMI para a saúde dos portugueses em 2018

29.12.2017

Médicos pedem aos decisores mais meios para melhorar a qualidade dos cuidados de saúde
«Que os decisores da saúde entendam que melhorar a qualidade dos cuidados de saúde é mais barato que prestar cuidados com má qualidade», é um dos 12 desejos da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) para 2018 para que em 2018 haja «mais e melhor saúde» em Portugal.

O primeiro voto da lista formulada pela SPMI é mais abrangente, esperando os médicos internistas «que cada cidadão e profissional de saúde se torne consciente da degradação dos nossos ecossistemas, das suas causas e das consequências para todos nós e das que terá para os nossos filhos e adote e defenda comportamentos que contribuam para um ambiente sustentável».

Além disso, a Sociedade pede «que cada cidadão tenha direito a políticas, cidades, instituições que promovam estilos de vida saudáveis e seja incentivado e ajudado a abandonar comportamentos de risco».

Outra das preocupações é «que cada cidadão tenha acesso a cuidados de saúde com boa qualidade e em tempo adequado, não sendo penalizado pela região em que vive, pelo seu sexo, orientação sexual, cor da pele ou rendimento económico».

Entre os votos conta-se ainda «que cada doente seja respeitado nos seus direitos, tratado com humanidade, que seja informado sobre a sua condição, sinta que é tratado por uma equipa que comunica entre si, comprometida em minimizar os riscos que corre, com médicos que o tratam pelo nome e não pelo número da cama, que o tratam como uma pessoa e não como uma patologia, respeitam a sua individualidade, preocupam-se com ele e sabem o que o preocupa, que sabem quem é, o que faz ou o que fez na vida».

«Que cada doente internado tenha direito a um ambiente que o ajude a recuperar» é outro dos desejos.

A SPMI dedica ainda um voto em particular aos idosos, esperando «que cada doente idoso, que sofre de várias doenças, tenha direito a um internista que o assista, independentemente do serviço em que seja internado, e que possa ter a opção de ser internado na sua casa».

Depois, as atenções viram-se para o problema crescente do abandono dos doentes nos hospitais. «Que nenhum doente permaneça no hospital depois de ter alta, por ter sido abandonado pela sua família, por estar à espera de cuidados continuados, pela falta de resposta da Segurança Social ou da rede de cuidados paliativos», pede a Sociedade.

A SPMI espera «que cada doente não se sinta perdido quando passe do hospital para os cuidados primários ou cuidados continuados, paliativos ou a assistência social, que estas instituições comuniquem entre si, funcionem em rede, de forma integrada, motivadas e centradas nas necessidades e preferências dos doentes, de forma que estes não tenham que usar sempre as urgências para resolver os seus problemas» e ainda que «cada cidadão compreenda que na Medicina ainda há muita incerteza e insucesso e que o nosso poder é mais limitado do que os media podem fazem crer».

«Que os decisores da saúde entendam que melhorar a qualidade dos cuidados de saúde é mais barato que prestar cuidados com má qualidade», é um dos 12 desejos da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) para 2018 para que em 2018 haja «mais e melhor saúde» em Portugal 

Que os doentes tenham «médicos que reconheçam o seu sofrimento e o saibam aliviar e que não seja sujeito à obstinação terapêutica que lhe roube a seu direito a uma morte digna e em paz», é também um dos votos da lista que termina com um desejo aos seus profissionais, médicos internistas:

«Que o enorme esforço físico e psicológico exigido aos Internistas portugueses que diariamente trabalham nas urgências dos hospitais, nas enfermarias de Medicina, nas unidades de cuidados intermédios ou especiais, nos cuidados intensivos, nas consultas externas e nos hospitais de dia dos hospitais, de forma abnegada e competente, muitas vezes em situações limite, em nome do seu compromisso com os doentes, tratando muitos para além da lotação dos seus serviços, evitando ruturas penalizadoras, que este trabalho seja reconhecido e recompensado e tenham direito a equilibrar a sua vida profissional com a sua vida pessoal».

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29 de Dezembro de 2017
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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