Cientista portuguesa quer perceber porque é que os autistas vêem o mundo de forma diferente
02.04.2018
Dia Mundial da Consciencialização do Autismo assinalado hoje
Patrícia Monteiro descobriu que é possível reverter alguns comportamentos ligados ao autismo na idade adulta, como o défice de interação social e os movimentos repetitivos.
Para aí chegar, identificou uma associação entre o espectro do autismo e o gene Shank3.
No Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, que se assinala hoje, dia 2 de abril, a investigadora da Universidade do Minho diz querer ir mais longe e perceber os circuitos neuronais por detrás dos comportamentos associados a este distúrbio, que afeta 70 milhões de pessoas no mundo e uma em cada mil crianças em Portugal.
A cientista vai avaliar o registo cerebral de ratinhos modelo de autismo, nomeadamente na zona do córtex sensorial, que está ligada aos estímulos auditivos, visuais e táteis, permitindo a perceção do mundo.
«Queremos perceber porque é que as pessoas com esta perturbação vêem o mundo de forma diferente. A origem do autismo ainda não é conhecida, mas terá várias causas associadas», explica Patrícia Monteiro, que trabalha no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, em Braga. A investigadora, tem-se dedicado ao tema há vários anos, incluindo o doutoramento no MIT (Instituto de Tecnologia do Massachusetts), nos EUA, e já publicou em revistas ímpares como a Science, Nature ou Neuron.
Descobriu, por exemplo, que é possível reverter alguns comportamentos ligados ao autismo na idade adulta, como o défice de interação social e os movimentos repetitivos, através da identificação de uma associação entre o espectro do autismo e o gene Shank3.
Este gene liberta uma proteína com o mesmo nome, que facilita a comunicação entre neurónios. Quando o Shank3 sofre mutações, dificulta essa comunicação, provocando alterações do comportamento, existindo 1% de autistas que nascem com esse gene «adormecido».
Patrícia Monteiro demonstrou que se pode «ligar» e «desligar» a proteína em ratinhos com esta mutação, corrigindo o gene. Mais: se a correção do gene for feita em tenra idade, pode-se também reverter a ansiedade e a coordenação motora. Ou seja, quando mais cedo for a deteção, mais características sociais, comportamentais e comunicacionais se pode recuperar.
«Ao entendermos os mecanismos de ação do Shank3 e identificarmos as redes de neurónios afetadas, poderemos corrigir as alterações provocadas, mesmo sem sabermos a origem biológica do autismo.
E, a partir daqui, vamos poder igualmente intervir noutros casos de autismo», diz Patrícia Monteiro num comunicado.
«Embora estas experiências não tenham para já aplicação direta nos humanos, ajudam-nos a compreender o conjunto de alterações biológicas potencialmente subjacentes às perturbações do espectro do autismo, em que vários aspetos do desenvolvimento da criança são afetados e permanecem na vida adulta», acrescentou a investigadora que aos 33 anos já recebeu bolsas de investigação da Organização Europeia de Biologia Molecular, do Centro de Neurociências e Biologia Celular, da Fundação para a Ciência e Tecnologia e do Programa Erasmus.
«Queremos perceber porque é que as pessoas com esta perturbação vêem o mundo de forma diferente», afirma a investigadora Patrícia Monteiro
É a primeira cientista radicada em Portugal com a «Society in Science – The Branco Weiss Fellowship», uma das bolsas de pós-doutoramento mais prestigiadas no mundo, sendo atribuída pelo Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça. É com esta bolsa que está também no ICVS a estudar, até 2021, de que forma o stress crónico conduz a doenças como a depressão e a ansiedade.
18tm14C
02 de Abril de 2018
1814Pub2f18tm14C
Publicada originalmente em www.univadis.pt
Para aí chegar, identificou uma associação entre o espectro do autismo e o gene Shank3.
No Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, que se assinala hoje, dia 2 de abril, a investigadora da Universidade do Minho diz querer ir mais longe e perceber os circuitos neuronais por detrás dos comportamentos associados a este distúrbio, que afeta 70 milhões de pessoas no mundo e uma em cada mil crianças em Portugal.
A cientista vai avaliar o registo cerebral de ratinhos modelo de autismo, nomeadamente na zona do córtex sensorial, que está ligada aos estímulos auditivos, visuais e táteis, permitindo a perceção do mundo.
«Queremos perceber porque é que as pessoas com esta perturbação vêem o mundo de forma diferente. A origem do autismo ainda não é conhecida, mas terá várias causas associadas», explica Patrícia Monteiro, que trabalha no Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Universidade do Minho, em Braga. A investigadora, tem-se dedicado ao tema há vários anos, incluindo o doutoramento no MIT (Instituto de Tecnologia do Massachusetts), nos EUA, e já publicou em revistas ímpares como a Science, Nature ou Neuron.
Descobriu, por exemplo, que é possível reverter alguns comportamentos ligados ao autismo na idade adulta, como o défice de interação social e os movimentos repetitivos, através da identificação de uma associação entre o espectro do autismo e o gene Shank3.
Este gene liberta uma proteína com o mesmo nome, que facilita a comunicação entre neurónios. Quando o Shank3 sofre mutações, dificulta essa comunicação, provocando alterações do comportamento, existindo 1% de autistas que nascem com esse gene «adormecido».
Patrícia Monteiro demonstrou que se pode «ligar» e «desligar» a proteína em ratinhos com esta mutação, corrigindo o gene. Mais: se a correção do gene for feita em tenra idade, pode-se também reverter a ansiedade e a coordenação motora. Ou seja, quando mais cedo for a deteção, mais características sociais, comportamentais e comunicacionais se pode recuperar.
«Ao entendermos os mecanismos de ação do Shank3 e identificarmos as redes de neurónios afetadas, poderemos corrigir as alterações provocadas, mesmo sem sabermos a origem biológica do autismo.
E, a partir daqui, vamos poder igualmente intervir noutros casos de autismo», diz Patrícia Monteiro num comunicado.
«Embora estas experiências não tenham para já aplicação direta nos humanos, ajudam-nos a compreender o conjunto de alterações biológicas potencialmente subjacentes às perturbações do espectro do autismo, em que vários aspetos do desenvolvimento da criança são afetados e permanecem na vida adulta», acrescentou a investigadora que aos 33 anos já recebeu bolsas de investigação da Organização Europeia de Biologia Molecular, do Centro de Neurociências e Biologia Celular, da Fundação para a Ciência e Tecnologia e do Programa Erasmus.
«Queremos perceber porque é que as pessoas com esta perturbação vêem o mundo de forma diferente», afirma a investigadora Patrícia Monteiro
É a primeira cientista radicada em Portugal com a «Society in Science – The Branco Weiss Fellowship», uma das bolsas de pós-doutoramento mais prestigiadas no mundo, sendo atribuída pelo Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça. É com esta bolsa que está também no ICVS a estudar, até 2021, de que forma o stress crónico conduz a doenças como a depressão e a ansiedade.
18tm14C
02 de Abril de 2018
1814Pub2f18tm14C
Publicada originalmente em www.univadis.pt
Cientista portuguesa quer perceber porque é que os autistas vêem o mundo de forma diferente