«A descentralização do SNS é urgente», diz Prémio Nacional de Saúde

por Teresa Mendes | foto de André Pereira | 09.04.2018

Galardão entregue a João Queiroz e Melo pelo ministro da Saúde
«A descentralização do Serviço Nacional de Saúde é urgente. As inúmeras assimetrias dificilmente serão ultrapassadas sem que se devolvam às regiões, de forma gradual, a responsabilidade para decidirem o seu destino.» Este foi um dos apelos deixados à tutela pelo Prémio Nacional de Saúde 2017, o médico João Queiroz e Melo.

Nas comemorações do Dia Mundial da Saúde, neste sábado, em Lisboa, o galardoado pelo seu pioneirismo na transplantação cardíaca, considerou que chegou a hora de a «meritocracia» fazer «parte integrante da política do SNS, lembrando ainda que embora não seja possível reformular 130 mil trabalhadores, «podem e devem ser promovidas “ilhas experimentais” sectoriais que demonstrem que é possível mudar».

O Prémio Nacional de Saúde criticou igualmente a falta de entendimento entre os vários profissionais do SNS. «As equipas devem ter grande profissionalismo, o que implica lideranças claras integrando todos os profissionais, e enorme diálogo entre os diferentes estratos. Não mais é possível ter estruturas de saúde, como existem no presente, em que há ausência de diálogo entre as diferentes profissões, e frequentemente hostilidade», afirmou João Queiroz e Melo.

Fazendo uma análise entre o que se passava em 1968, quando começou a sua atividade, e os dias de hoje, o premiado observou que «após 50 anos, não conseguimos mudar a forma como os integramos nas instituições. O multiemprego é uma realidade nefasta para muitas especialidades e não vejo grande diferença entre o que se passava em 1968, quando comecei, e agora em 2018». 

«A descentralização do Serviço Nacional de Saúde é urgente. As inúmeras assimetrias dificilmente serão ultrapassadas sem que se devolvam às regiões, de forma gradual, a responsabilidade para decidirem o seu destino», afirmou o Prémio Nacional de Saúde 2017, João Queiroz e Melo 

Segundo Queiroz e Melo, «a eficiência e dedicação de um médico são indispensáveis para o pleno sucesso, mas não temos sido capazes de fixar os médicos aos hospitais, e desde 2005 que foram criadas condições para os afastar». 

«Restabelecer a confiança mútua é urgente e fundamental para possibilitar mais profissionalismo e dedicação, numa sã concorrência entre o sector publico e o privado», apelou o cirurgião cardiotorácico, que foi responsável pelo primeiro transplante de um coração em Portugal, em 1986.

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09 de Abril de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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