Médicos católicos alertam para «pressão» da eutanásia sobre doentes pobres e frágeis

por Teresa Mendes | foto de "DR" | 16.05.2018

Reunião com o bastonário da Ordem dos Médicos
A Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) reiterou esta terça-feira, a oposição à legalização da eutanásia, matéria cuja discussão está agendada para o próximo dia 29 de maio na Assembleia da República (AR), considerando que «criaria uma enorme pressão sobre os doentes mais frágeis».

Num comunicado divulgado após uma reunião com o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), a AMCP diz ter transmitido a Miguel Guimarães «preocupação» por esta lei colocar «doentes com doenças graves e incuráveis numa situação de enorme coação para pedirem a eutanásia».

«Seguramente, muitos doentes, de modo particular os mais pobres e frágeis, sentir-se-iam socialmente pressionados a requerer a eutanásia, porque se sentem a mais ou um fardo para a família e para a sociedade. Há um enorme risco de se criar um efeito de desmoralização nestes doentes, levando-os a desistir de viver», salienta a nota à Imprensa.

A associação afirma recear também que, com a legalização da eutanásia, se «desincentive o investimento nos serviços de saúde para a assistência aos doentes graves e terminais» e se «assista ao fenómeno de rampa deslizante».

A AMCP diz ter transmitido a Miguel Guimarães «preocupação» por esta lei colocar «doentes com doenças graves e incuráveis numa situação de enorme coação para pedirem a eutanásia»

«A experiência dos Estados que legalizaram a eutanásia revela que não é possível restringir essa legalização a situações raras e excecionais; o seu campo de aplicação passa gradualmente da doença terminal à doença crónica e à deficiência, da doença física incurável à doença psíquica dificilmente curável, da eutanásia consentida pela própria vítima à eutanásia consentida por familiares de recém-nascidos, crianças e adultos com deficiência ou com alterações profundas do estado de consciência», considera o presidente da associação e médico psiquiatra, Pedro Afonso.

A AMCP volta ainda a reforçar que a «prática médica é inconciliável com a prática da eutanásia», afirmando esperar que «a legalização da eutanásia seja rejeitada no próximo dia 29 de maio na Assembleia da República».

18tm20J
16 de Maio de 2018
1820Pub4f18tm20J

Publicada originalmente em www.univadis.pt

E AINDA

14.08.2018

Centro Hospitalar de Leiria está a trabalhar «no limite»

O presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Leiria (CHL), Helder Roque, alerto...

por Teresa Mendes | 14.08.2018

 Hipertensão é o principal problema de saúde dos utentes da ARSLVT

A hipertensão é o principal problema de saúde dos utentes dos cuidados de saúde primários da Adminis...

por Teresa Mendes | 14.08.2018

Doentes continuam sem acesso à nutrição parentérica no ambulatório

A nutrição parentérica ou entérica continua a não estar acessível aos doentes que dela precisam nos...

14.08.2018

Horas de sono a mais aumentam risco cardiovascular

Dormir menos do que sete horas diárias ou mais do que as oito recomendadas pode aumentar o risco de...

por Teresa Mendes | 13.08.2018

Especialistas portugueses integram missão contra o Ébola

Três especialistas portugueses vão integrar uma missão internacional de prevenção e resposta rápida...

por Teresa Mendes | 13.08.2018

Concurso de colocação dos médicos recém-especialistas é uma «falácia»

A Federação Nacional dos Médicos (Fnam) considera o concurso de colocação dos médicos recém-especial...

13.08.2018

IPO de Lisboa regista aumento de quase 30% da produção científica

 O Anuário da Atividade Científica 2017 do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa já pode...

13.08.2018

Recolha de resíduos de medicamentos aumentou 8%

A Valormed recolheu 560 toneladas de resíduos de medicamentos no primeiro semestre de 2018, mais 8%...

10.08.2018

CHVNGE realiza cirurgia inovadora que evita remoção total do pulmão

O Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e Espinho (CHVNGE) realizou, pela primeira vez em Portugal,...

A reprodução total ou parcial deste site é proibida,
excepto se autorizada expressa e previamente pela Impremédica, Imprensa Médica, Lda.,
nos termos da legislação em vigor.