Novo paradigma para o tratamento da Esclerose Múltipla

por Lívia Diogo Sousa | 29.05.2018

O «Alerta Laranja»
Opinião de Lívia Diogo Sousa 

O neurologista que trata doentes com Esclerose Múltipla tem ao seu dispor um leque abrangente de fármacos de características diversas, distintas vias de administração, parentéricas (SC, IM, IV) e orais e diferenciadas formas de administração contínuas ou intermitentes, podendo ainda recorrer ao tratamento de indução seguido de uma terapêutica de manutenção ou pelo contrário iniciar o tratamento com um fármaco menos eficaz e mais seguro e recorrer à escalada terapêutica quando necessária.

 O processo de escolha do regímen  terapêutico complicou-se nos últimos anos com a possibilidade de novos regimes de tratamento de tipo intermitente em que o doente efetua medicação por curtos períodos, cerca de uma semana por mês em dois meses seguidos com repetição no final de um ano como é o caso do tratamento com Cladribina recentemente aprovada em Portugal para a EM.

No estudo principal com este medicamento designado por CLARITY ficou patente que existe uma probabilidade significativa do doente ficar de estar livre de surtos e ou progressão da doença por mais 2 anos com um NEDA (no evidence de disease activity) previsível de cerca de 47% aos 2 anos. 

O alemtuzumab é uma alternativa de cariz semelhante, de tratamento IV administrado em 2 ciclos com 1 ano de intervalo e uma duração de 5 dias no primeiro ano e 3 dias no 2º ano.
No estudo de extensão a 7 anos 50% ficam livres de sutos ou sinais de atividade da doença, sem necessidade de tratamento acrescido.

O ocrelizumab é também uma opção eficaz para uma terapêutica intermitente de 6-6 M mas ainda não há dados que prevejam o fármaco possa ser descontinuado.

O futuro nesta área revela-se promissor, mas o clínico terá de monitorizar os efeitos adversos particulares de cada um dos fármacos que se advinha mais simples com a cladribina do que com o alemtuzumab devido ao risco de patologia autoimune secundária, na sua maioria de resolução não complexa, mas que exige 4 anos de monitorização.  

À falta de biomarcadores de resposta á terapêutica ou de previsibilidade de efeitos adversos cabe ao médico neurologista tratar o doente com o fármaco que melhor de ajuste a cada caso, de forma equiparável ao do alfaiate que faz o fato à medida e gosto do seu doente.  
 
Apesar de todas as terapêuticas disponíveis, é importante lembrar que a Esclerose Múltipla continua a ser uma doença crónica, com um impacto sério na vida daqueles que com ela vivem e convivem diariamente: os doentes, os cuidadores, os familiares, os amigos...

O «Alerta Laranja» já começou

É por isso que é importante assinalar o dia mundial de forma impactante, lembrando o desafio que doentes e nós clínicos temos no dia a dia com esta doença das mil caras!

Apesar de todas as terapêuticas disponíveis, é importante lembrar que a Esclerose Múltipla continua a ser uma doença crónica, com um impacto sério na vida daqueles que com ela vivem e convivem diariamente

A cor da EM é o laranja, e é por isso que no dia 30 de maio, uma onda laranja vai invadir Portugal.
Para quem tem a oportunidade de passar pelo edifício da SPEM em Lisboa, o Alerta Laranja já começou no mural pintado na sua fachada!

É apenas uma parte da campanha da SPEM para este dia, em que todos somos convidados a vestir uma peça laranja, fachadas de edifícios e monumentos como o Cristo Rei, o Templo de Diana ou o Castelo dos Mouros vão ser iluminados desta cor, celebridades estarão de mãos dadas com esta ação, e por cada foto partilhada com uma peça de roupa laranja e o hashtag da campanha #EMalertalaranja, um euro será doado às associações de doentes. 

Juntemo-nos a esta causa!

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*Chefe de Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e 
Responsável da consulta de Doenças Desmielinizantes do CHUC

Entretítulo e destaque da responsabilidade da Redação

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