Faltam mais de 500 anestesiologistas no SNS

04.06.2018

Défice de profissionais atinge os 47%
Faltam mais de 500 anestesiologistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), segundo um estudo realizado por diretores de serviço hospitalares e publicado na Acta Médica Portuguesa.
Mais de uma dezena de hospitais têm menos de metade dos médicos anestesistas que deviam ter, mas as falhas afetam todo o país, em especial na região do Alentejo e Algarve.

De acordo com o estudo, atualmente estão ao serviço 1158 anestesistas, faltando 541 no SNS, o que perfaz um défice que chega aos 47%, mais 5% do que em 2014.
No Algarve, por exemplo, há apenas 20 anestesistas para toda a região, número que sobe para 28 no Alentejo, mas continua a ser claramente insuficiente.

Apesar de em todas as regiões do país existirem défices, é no Alentejo e Algarve que há mais falhas. Em ambas o número de médicos desta especialidade é menos de um terço daqueles que deviam existir de acordo com as normas internacionais da área.

O estudo revela que o défice de anestesistas atinge os mais de 50 hospitais, centros hospitalares ou unidades locais de saúde do Serviço Nacional de Saúde.
Há, contudo, falhas enormes em 12 instituições hospitalares que deviam ter o dobro ou mais dos anestesistas que têm.

Por exemplo, o Centro Hospitalar Lisboa Norte (onde se inclui o Santa Maria e o Pulido Valente) tem 49 anestesistas no serviço e devia ter 98.

Os hospitais da Figueira da Foz, de Santarém, Garcia de Horta, de Faro, do Barlavento Algarvio e do Funchal, tal como os centros hospitalares do Nordeste e da Cova da Beira também deviam ter cerca do dobro dos médicos a trabalhar nesta área, mas há casos ainda piores: no Centro Hospitalar do Médio Tejo ou em todos os hospitais alentejanos o número de anestesistas devia ser o triplo ou mesmo, num caso, o quadruplo daquele que é a realidade.

O estudo também revela que muitos dos médicos anestesistas saíram nos últimos anos dos hospitais públicos para o privado ou estrangeiro.
Por outro lado, um terço dos jovens recém-formados não vai para o serviço público de saúde e há falta de condições competitivas para os atrair para o Serviço Nacional de Saúde.

Mais de uma dezena de hospitais têm menos de metade dos médicos anestesistas que deviam ter, mas as falhas afetam todo o país 

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, já lamentou a situação. «O país tem de criar condições competitivas para reter os jovens médicos no SNS. E dizer isto não significa pagar mais apenas. Significa, por exemplo, abrir rapidamente os concursos para os especialistas que terminam a sua formação e não demorar meses e meses a fazê-lo, fazendo com que desistam do sistema», disse o responsável à agência Lusa.

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04 de Junho de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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