Bastonário pede demissão do Conselho Nacional de Saúde
04.06.2018
CNS «lamenta profundamente» a decisão da Ordem dos Médicos
O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) já tinha ameaçado fazê-lo e desta vez Miguel Guimarães pediu mesmo a demissão do cargo que ocupa no Conselho Nacional de Saúde (CNS), em discordância com Jorge Simões, presidente daquele órgão, criado em 2016.
A controvérsia começou após Jorge Simões ter defendido, numa entrevista à Antena 1, em outubro passado, que muitas das tarefas feitas pelos médicos poderiam ser desempenhadas pelos enfermeiros e até por outros profissionais de saúde, nomeadamente «farmacêuticos e paramédicos».
Miguel Guimarães reagiu de imediato dizendo que «as afirmações do presidente do CNS eram «ostensivamente graves» e que «não respeitam os médicos nem valorizam o trabalho notável que têm feito pelo SNS e pelo país», ameaçando que caso Jorge Simões se mantivesse à frente do CNS, a Ordem dos Médicos «provavelmente» abandonaria aquele órgão.
Como Jorge Simões se manteve à frente do CNS, o bastonário decidiu agora comunicar ao ministro da Saúde que renuncia ao cargo que ocupa no Conselho em que estão representadas três dezenas de entidades, nomeadamente as sete ordens profissionais da saúde e várias associações de doentes.
Ao Público o dirigente confirmou que enviou há dias «uma carta pessoal» ao ministro em que afirma da sua intenção de sair do CNS.
«Esta já é a segunda carta que envio ao ministro por este motivo.
A Ordem não se sente confortável num órgão que é presidido por alguém que já demonstrou que não é independente e que não gosta de médicos», justifica Miguel Guimarães.
O bastonário da Ordem dos Médicos já tinha ameaçado fazê-lo e desta vez Miguel Guimarães pediu mesmo a demissão do cargo que ocupa no Conselho Nacional de Saúde, em discordância com Jorge Simões, presidente daquele órgão, criado em 2016
Num comunicado enviado àquele jornal, o CNS «lamenta profundamente» a decisão da Ordem dos Médicos de abandonar o lugar de membro, afirmando que «esta opção exclui a perspetiva de um grupo profissional central na organização dos serviços e cuidados de saúde, empobrecendo o debate e a pluralidade de ideias».
O conselho considera, no entanto, «falso» que Jorge Simões tenha «dito ou insinuado que o sistema de saúde precisa de profissionais não médicos “para praticarem atos médicos”, e que tenha transmitido “a ideia de que a medicina pode ser feita por qualquer pessoa”».
Pelo contrário, o CNS afirma que as ideias referidas pelo seu presidente são apoiadas «há décadas» por estudos de instituições como a Organização Mundial de Saúde, o Tribunal de Contas e a Fundação Calouste Gulbenkian.
«O próprio programa do atual Governo afirma que para a defesa do SNS é fundamental aperfeiçoar a gestão dos seus recursos humanos (…) promovendo novos modelos de cooperação e repartição de responsabilidades entre as diferentes profissões de saúde», lê-se no comunicado.
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04 de Junho de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt
A controvérsia começou após Jorge Simões ter defendido, numa entrevista à Antena 1, em outubro passado, que muitas das tarefas feitas pelos médicos poderiam ser desempenhadas pelos enfermeiros e até por outros profissionais de saúde, nomeadamente «farmacêuticos e paramédicos».
Miguel Guimarães reagiu de imediato dizendo que «as afirmações do presidente do CNS eram «ostensivamente graves» e que «não respeitam os médicos nem valorizam o trabalho notável que têm feito pelo SNS e pelo país», ameaçando que caso Jorge Simões se mantivesse à frente do CNS, a Ordem dos Médicos «provavelmente» abandonaria aquele órgão.
Como Jorge Simões se manteve à frente do CNS, o bastonário decidiu agora comunicar ao ministro da Saúde que renuncia ao cargo que ocupa no Conselho em que estão representadas três dezenas de entidades, nomeadamente as sete ordens profissionais da saúde e várias associações de doentes.
Ao Público o dirigente confirmou que enviou há dias «uma carta pessoal» ao ministro em que afirma da sua intenção de sair do CNS.
«Esta já é a segunda carta que envio ao ministro por este motivo.
A Ordem não se sente confortável num órgão que é presidido por alguém que já demonstrou que não é independente e que não gosta de médicos», justifica Miguel Guimarães.
O bastonário da Ordem dos Médicos já tinha ameaçado fazê-lo e desta vez Miguel Guimarães pediu mesmo a demissão do cargo que ocupa no Conselho Nacional de Saúde, em discordância com Jorge Simões, presidente daquele órgão, criado em 2016
Num comunicado enviado àquele jornal, o CNS «lamenta profundamente» a decisão da Ordem dos Médicos de abandonar o lugar de membro, afirmando que «esta opção exclui a perspetiva de um grupo profissional central na organização dos serviços e cuidados de saúde, empobrecendo o debate e a pluralidade de ideias».
O conselho considera, no entanto, «falso» que Jorge Simões tenha «dito ou insinuado que o sistema de saúde precisa de profissionais não médicos “para praticarem atos médicos”, e que tenha transmitido “a ideia de que a medicina pode ser feita por qualquer pessoa”».
Pelo contrário, o CNS afirma que as ideias referidas pelo seu presidente são apoiadas «há décadas» por estudos de instituições como a Organização Mundial de Saúde, o Tribunal de Contas e a Fundação Calouste Gulbenkian.
«O próprio programa do atual Governo afirma que para a defesa do SNS é fundamental aperfeiçoar a gestão dos seus recursos humanos (…) promovendo novos modelos de cooperação e repartição de responsabilidades entre as diferentes profissões de saúde», lê-se no comunicado.
18tm23D
04 de Junho de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt
Bastonário pede demissão do Conselho Nacional de Saúde