Aposta na reforma do SNS «está longe de estar ganha»

por Teresa Mendes | foto de "DR" | 19.06.2018

Relatório Primavera critica atual governação da saúde
A equipa do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) encontrou «muitas pedras no caminho» na análise que fez à governação do Ministério da Saúde. O Relatório Primavera 2018 considera que a aposta emblemática da atual legislatura na reforma do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é uma tarefa exigente que «está longe de estar ganha».

O documento, apresentado publicamente esta terça-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, salienta que a proposta de Lei da Saúde Pública, que podia ser uma oportunidade para reforçar e modernizar a Saúde Pública no país, «ainda não foi aprovada»; que os Cuidados de Saúde Primários revelam «carências estruturais, deixando dúvidas quanto ao grau de prioridade desta área para o Governo» e que «os resultados na reforma dos Cuidados Hospitalares são inexistentes, prevalecendo uma clara crise no setor».

Já a rede de Cuidados Continuados Integrados, apesar da abertura de camas nas áreas da saúde mental e pediátrica, «continua longe de atingir a cobertura da população e o caminho para a domiciliação dos cuidados continua sem acontecer».

Episiotomia é «prática obstétrica chocante»

A saúde materno-infantil, um dos grandes sucessos alcançados pela organização de saúde portuguesa, teve destaque de análise no relatório, à luz das novas realidades emergentes em torno do nascimento, considerando que Portugal está entre os países da Europa com mais alta prevalência de cesarianas - 60% nos hospitais privados - e de episiotomias, sendo a frequência desta última «prática obstétrica chocante (≅70%), quando comparada com outros países, como a Dinamarca, que tem cerca de 4%». 

Processos de seleção/nomeação dos membros dos CA «continuam demasiado presos à confiança política»

No capítulo sobre a governação em saúde no SNS, o OPSS analisa o estatuto do gestor público em termos dos processos de nomeação e de avaliação do seu desempenho.
Os autores concluem que «os processos de seleção/nomeação dos membros dos conselhos de administração (CA), apesar de passarem pelo CReSAP, continuam demasiado presos à confiança política».

É também mencionado pelos autores que «a avaliação do desempenho dos membros dos CA, apesar de estar legislada, nunca avançou na prática». Média nacional de despesa out-of-pocket rondou os 71 euros Ao nível da política do medicamento, os investigadores centraram a sua análise nas assimetrias geográficas da despesa com medicamentos.

A equipa do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) encontrou «muitas pedras no caminho» na análise que fez à governação do Ministério da Saúde. O Relatório Primavera 2018 considera que a aposta emblemática da atual legislatura na reforma do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é uma tarefa exigente que «está longe de estar ganha»

A despesa nacional per capita com medicamentos (PVP) foi de aproximadamente 200 euros, sendo que a média nacional de despesa direta com medicamentos (out-of-pocket) rondou os 71 euros.

O Alentejo e o Centro são as regiões onde os portugueses mais gastam, direta e indiretamente, em medicamentos, não sendo esta diferença inteiramente explicada pelo composição demográfica das regiões. 
No tratamento da pessoa com diabetes é identificada a necessidade de monitorizar e compreender a utilização, muito superior à média de diversos países europeus, de medicamentos mais onerosos.

É ainda apresentado, a título ilustrativo, a mais valia da inclusão formal do farmacêutico na equipa de profissionais de saúde na gestão do doente oncológico geriátrico.

O relatório está disponível para consulta aqui 

18tm25E
19 de Junho de 2018
1825Pub3f18tm25E

Publicada originalmente em www.univadis.pt

E AINDA

por Teresa Mendes | 18.01.2019

Economista Márcia Roque é a nova presidente da ACSS

O Conselho de Ministros (CM) desta quinta-feira nomeou a economista Márcia Roque para presidente do...

por Teresa Mendes | 18.01.2019

 Portugal tem o maior rácio de médicos de MGF por habitante da UE

Portugal é o país da União Europeia (UE) com a maior taxa de especialistas de Medicina Geral e Famil...

18.01.2019

CHUC lança projeto «H2 – Humanizar o Hospital»

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) lança, no próximo dia 24, o projeto «H2 - Huma...

por Teresa Mendes | 18.01.2019

Daniel Ferro substitui Carlos Martins à frente do CHULN

Daniel Ferro, atual presidente do conselho de administração do Hospital Garcia de Orta, vai substitu...

por Teresa Mendes | 17.01.2019

Centro Hospitalar do Oeste está «refém de prestadores de serviço»

O Centro Hospitalar do Oeste (CHO) é a terceira unidade de saúde do país com maior volume de horas c...

por Teresa Mendes | 17.01.2019

Cancro digestivo mata uma pessoa a cada hora em Portugal

O cancro digestivo mata uma pessoa por hora em Portugal, uma doença que tem vindo a aumentar nos últ...

por Teresa Mendes | 16.01.2019

Governo quer melhorar os Serviços de Urgência

O Governo criou um grupo de trabalho para estudar os diferentes modelos organizativos no funcionamen...

A reprodução total ou parcial deste site é proibida,
excepto se autorizada expressa e previamente pela Impremédica, Imprensa Médica, Lda.,
nos termos da legislação em vigor.