«No país, a crise económica acabou, mas no setor hospitalar continua»

19.06.2018

Hospitais estão «à beira de um ataque de nervos»
O Relatório Primavera 2018 do Observatório Português dos Sistemas de Saúde apresentado esta terça-feira, em Lisboa, diz que o setor hospitalar está «endividado e à beira de um ataque de nervos», considerando que os hospitais do Serviço Nacional de Saúde continuam marcados pela intervenção da troika.

«No país, a crise económica acabou, mas no setor hospitalar continua», resume o documento.

O quotidiano dos hospitais é marcado pela «ameaça de necessidade de injeção de dinheiro», existindo nas unidades do SNS falta de liquidez e um aumento do stock da dívida a fornecedores, o que «tem conduzido à prática de entregas de verbas a título extraordinário aos hospitais», alerta o OPSS.

Segundo os autores do relatório, isto ocorre em grande parte porque a tesouraria dos hospitais é determinada centralmente pelo controlo de autorizações do Ministério das Finanças, enquanto o ciclo económico das unidades é estabelecido através de um orçamento preparado e monitorizado pelo Ministério da Saúde.
Os hospitais vivem, assim, limitados para realizar despesas correntes e de investimento. 

O Observatório identifica ainda uma estagnação da reforma hospitalar: «O tempo da reforma hospitalar foi afetado não só pelo quadro de restrições financeiras, mas também pela incerteza gerada pela solução governativa inovadora. O tempo de lançamento de reformas estruturantes, tipicamente no início das legislaturas, foi condicionado pela capacidade de obtenção de ganhos rápidos que justificassem a solidez dessa mesma solução».

O Relatório Primavera 2018 do Observatório Português dos Sistemas de Saúde apresentado esta terça-feira, em Lisboa, diz que o setor hospitalar está «endividado e à beira de um ataque de nervos», considerando que os hospitais do Serviço Nacional de Saúde continuam marcados pela intervenção da troika 

Além disso, foi criada uma coordenação nacional para a reforma dos cuidados de saúde hospitalares, mas não são conhecidos os resultados globais do seu funcionamento.

Globalmente, a análise feita ao setor público da saúde nos últimos dois anos aponta para um setor hospitalar endividado, cobertura insuficiente pelos cuidados de saúde primários, medidas simples e efetivas de saúde pública ainda por tomar e cuidados continuados com pequenos desenvolvimentos.

O documento está disponível para consulta aqui

18tm25F
19 de Junho de 2018
1825Pub3f18tm25F

Publicada originalmente em www.univadis.pt

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