A infertilidade em Portugal

02.07.2018

A PMA (procriação medicamente assistida) como solução médica
Opinião de Maria José Carvalho

A taxa de natalidade no nosso país é a mais baixa da Europa e a segunda mais baixa a nível mundial. 

A população portuguesa diminui progressivamente com este índice de fecundidade tão baixo.
É um problema nacional sério do ponto de vista social económico e numa perspectiva individual que deve também ser encarado e assumido pela sociedade de uma forma muito determinada e construtiva.

Existem 15 % dos casais em idade reprodutiva, cerca de 300.000 em Portugal, que tentam ter um filho e são confrontados com enormes dificuldades e longos períodos de espera, para encontrarem uma solução médica para o seu problema, tendo consciência que este tempo de espera acarreta uma diminuição da probabilidade de sucesso.

É fundamental que os casais que tentam gravidez de uma forma regular, há mais de um ano, independentemente da idade, procurem esclarecimento da sua situação clínica junto de especialistas na área da medicina da reprodução, dado que algumas das causas só poderão ser identificadas com exames muito específicos, nomeadamente a identificação das alterações espermáticas, da reserva ovárica ou da permeabilidade das trompas.

Após exclusão de um factor definitivo de infertilidade, o casal poderá aguardar, por mais algum tempo se assim o entender, a oportunidade de uma gravidez espontânea.
Se for identificado um factor causal, deverá ser corrigido, através de tratamento médico ou cirúrgico ou poderá passar por uma das técnicas de procriação medicamente assistida (PMA), nomeadamente:

 - Inseminação Intra-Uterina- IIU; 

- Fertilização In Vitro - FIV ,ou

- Microinjecção de espermatozóide -ICSI.

Procura-se assim optimizar o sucesso através de uma prática de uma medicina personalizada na avaliação diagnóstica e na individualização terapêutica mais adequada ao casal.

As mulheres sabem que quanto mais cedo tentarem ter um filho, maior será a probabilidade de o conseguirem, quer espontaneamente, quer após tratamento.

Uma área de intervenção da PMA e igualmente de grande importância é a criopreservação de embriões e de gâmetas (ovócitos e espermatozóides). Esta última técnica de autoconservação de espermatozóides ou ovócitos, em casos de doença oncológica, é já realizada por rotina no nosso País nos hospitais públicos e nas clinicas privadas em geral .

 Os avanços tecnológicos na área de criopreservação, com a vitrificação de gametas tem permitido que muitas mulheres por motivos sociais e profissionais vendo-se constrangidas a adiar a idade do nascimento de um primeiro filho procurarem criopreservar ovócitos através de técnicas de PMA.

 Todas estas técnicas ao dispor das mulheres e dos casais, têm proporcionado a satisfação de muitas famílias e também dos profissionais, contribuindo assim para aumentar o número de nascimentos, contrariando em parte a baixa taxa de natalidade com que o nosso país se debate hoje.

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