Hospital de São José: Chefes de Medicina Interna e Cirurgia pedem demissão por falta de condições 

09.07.2018

Bastonário avisa  que demissões se vão repetir em outras unidades
Os chefes de equipa de Medicina Interna e Cirurgia Geral do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) apresentaram a sua demissão, esta sexta-feira, por considerarem que as condições da Urgência do hospital de São José não têm níveis de segurança aceitáveis.
O bastonário da Ordem dos Médicos avisa que estas demissões se vão repetir em outras unidades.
«A situação espelha o que está a acontecer no país todo.
As pessoas estão a trabalhar no limite.
Tenho notícia de que noutros grandes hospitais do país as coisas vão acontecer, provavelmente, até de forma mais grave», alertou Miguel Guimarães em declarações à agência Lusa. 

O bastonário manifesta a sua preocupação com os relatos de internos a fazer Urgência sozinhos, sem apoio direto de médicos especialistas, bem como pelas dificuldades relatadas pelos profissionais do Hospital de São José na constituição de equipas de Urgência e refere que o serviço só se tem mantido porque muitos médicos com mais de 55 anos continuam a aceitar fazer Urgência, embora a isso não sejam obrigados.

Na carta de demissão os profissionais apontam para a consecutiva degradação da assistência médica prestada no Serviço de Urgência do Hospital de São José, considerando que se chegou a uma «situação de emergência» que impõe «um plano de catástrofe».

Os profissionais indicam que a assistência médica prestada na Urgência polivalente do CHLC «tem vindo a sofrer, ao longo dos últimos anos, uma degradação progressiva constatada por todos os profissionais» que lá trabalham.

Consideram que a falta de pessoal não se verifica apenas nas equipas de Medicina Interna e de Cirurgia Geral, mas também noutras especialidades implicadas na assistência aos doentes que recorrem ao Serviço de Urgência, local onde, muitas vezes, o elemento mais diferenciado é «o interno dos últimos anos da respetiva especialidade».

«A política de recursos humanos, ou a sua ausência, não procedendo à contratação de médicos mais jovens que rejuvenesçam as equipas, cada vez mais envelhecidas, e compensem as saídas que, pelos mais diversos motivos, se têm verificado, tem levado a uma delapidação progressiva dos médicos que as integram», refere a carta divulgada pela Lusa.

Os signatários referem que alertaram para a situação várias vezes e que reclamavam, «na atual situação de emergência a que se chegou, a adoção de um 'plano de catástrofe', baseado, sobretudo, na gestão racional de recursos financeiros e humanos centrada no doente e com envolvimento dos responsáveis diretos pelo seu tratamento».

«Seria, também, fundamental uma avaliação profunda das razões que levaram à acentuada diminuição da procura de formação no atual CHLC, em oposição franca à que anteriormente se verificava, bem como das razões que levaram ao abandono precoce de muitos especialistas e mesmo à inexistência de candidatos nalguns concursos que foram abrindo», lamentam.

Na carta de demissão os profissionais apontam para a consecutiva degradação da assistência médica prestada no Serviço de Urgência do Hospital de São José, considerando que se chegou a uma «situação de emergência» que impõe «um plano de catástrofe» 

Entretanto, a administração do CHLC já veio reconhecer «o essencial das queixas» e dos problemas levantados pelos chefes de equipa que apresentaram a demissão e garante que está a tentar encontrar soluções.

O bastonário da Ordem dos Médicos já confirmou a sua visita ao Hospital de São José, amanhã, dia 10 de julho, para se reunir com os chefes de equipa e também com a administração.

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09 de Julho de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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