Falta de autonomia é responsável por «um terço da dívida acumulada» do CHLN

11.07.2018

Administrador responde às críticas apontadas pelo Tribunal de Contas
Na sequência de um relatório do Tribunal de Contas, que arrasa a política de gestão e as finanças do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN), o presidente do conselho de administração (CA) responde que as críticas são «injustas» e que a falta de autonomia é responsável por «um terço da dívida acumulada».

«Nós não temos capacidade de decidir no momento. Não temos capacidade de negociação com os fornecedores e pagamos esse custo. Se nos dessem autonomia, por exemplo para contratos plurianuais na área da alimentação, conseguiríamos negociar melhor», disse Carlos Martins em entrevista à agência Lusa.

O responsável considera que a autonomia da gestão dos hospitais «permitiria tomar decisões em tempo útil», mas entende que a esse passo deve ser agregada a responsabilização dos gestores. Para o dirigente, «os contratos de gestão deviam ser anuais e feita depois a avaliação no trimestre seguinte e quem não cumprisse os objetivos devia ser afastado».

Mesmo para a contratação de pessoal, a falta de autonomia tem sido apontada como um entrave aos hospitais, uma vez que até os contratos de substituição de funcionários estão dependentes dos ministérios da Saúde e Finanças.

«As instituições têm de ter objetivos e contratos negociados e os gestores devem ser avaliados e, depois, removidos ou premiados em função da avaliação», disse ainda o responsável.

Recorde-se que segundo o relatório do Tribunal de Contas, o Centro Hospitalar de São João, no Porto, consegue produzir mais cuidados de saúde, com menos tempos de espera e com custos operacionais inferiores do que o CHLN.

O Tribunal identificou ainda que a dívida do CHLN cresceu quase sete milhões por mês em 2017, considerando que se encontrava em falência técnica em 2015 e 2016.

Na sequência de um relatório do Tribunal de Contas, que arrasa a política de gestão e as finanças do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN), o presidente do conselho de administração (CA) responde que as críticas são «injustas» e que a falta de autonomia é responsável por «um terço da dívida acumulada» 

Carlos Martins considera, porém, que as conclusões do tribunal são «injustas» e estão «fora de contexto».
«O Centro Hospitalar de São João é uma unidade de referência para o país.

Teve uma liderança de 10 anos, estável, com rumo e continuidade ano após anos e que começou quando havia autonomia e capacidade financeira nas instituições.
Nós, em contraponto, tivemos três lideranças nos últimos 10 anos.
Foi aberta uma parceria público privada na nossa área de influência e perdemos 41,3% da nossa população. Continuámos com 100% dos custos e perdemos 41,3% dos 'clientes'», justificou o presidente do CA do CHLN à agência Lusa.

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11 de Julho de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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