«O ministro da Saúde deve um pedido de desculpas» aos médicos demissionários

11.07.2018

Bastonário da OM visita Hospital de São José
O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) quer um pedido de desculpas do ministro da Saúde aos médicos do Hospital de São José.
Miguel Guimarães espera que Adalberto Campos Fernandes se retracte após ter desvalorizado o pedido de demissão dos 16 chefes de equipa do Serviço de Urgência que alegam falta de condições. 

Numa visita ao hospital, esta terça-feira, acompanhado pelo presidente do Conselho Regional do Sul da OM, o bastonário sublinhou a «coragem dos médicos, que tomaram uma decisão difícil numa situação limite, em nome da segurança dos doentes».

«Esta é uma situação grave e estou solidário com os chefes de equipa que pediram demissão, colocando os interesses dos doentes em primeiro lugar», afirmou Miguel Guimarães, reiterando o seu «total apoio» aos profissionais.

Na opinião do dirigente, «o ministro da Saúde deve um pedido de desculpas a estes médicos, que não são dois ou três, mas sim os 16 chefes das equipas do Serviço de Urgência».

«A denúncia deste tipo de realidade não é nada fácil para os médicos e só é feita numa situação limite, em que os chefes de equipa se sentem impelidos a salvaguardar a segurança clínica dos doentes, protegendo as boas práticas médicas e o cumprimento das normas éticas e deontológicas», observou o bastonário, que reuniu com os médicos demissionários para ouvir as suas razões e compreender as dificuldades com que se confrontam no dia a dia de trabalho.
 
A falta de recursos humanos, a saída de vários profissionais da unidade hospitalar e a degradação progressiva do Serviço de Urgência foram matérias de análise na reunião com o conselho de administração do Hospital de São José.  

O bastonário da Ordem dos Médicos quer um pedido de desculpas do ministro da Saúde aos médicos do Hospital de São José. Miguel Guimarães espera que Adalberto Campos Fernandes se retracte após ter desvalorizado o pedido de demissão dos 16 chefes de equipa do Serviço de Urgência que alegam falta de condições

«Há dois anos que os médicos alertavam a administração para as dificuldades sentidas.
É essencial haver capacidade de contratação de jovens especialistas e outros profissionais de saúde, para além de renovar infraestruturas, entre outras medidas.
A falta de capital humano limita muito a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente ao nível da Urgência, e pode ter implicações sérias no aumento das listas de espera para consultas e cirurgias», alertou Miguel Guimarães

Também o decréscimo da procura de formação no Centro Hospitalar de Lisboa Central e o recuso à telerradiologia pela ausência de radiologistas em presença física, no período noturno, são questões que preocupam os chefes de equipa do Hospital de São José.

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11 de Julho de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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