«Nalguns casos, a situação é dramática», alerta bastonário

08.08.2018

Urgências de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Amadora-Sintra
Pelo menos um terço das urgências de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Amadora-Sintra foram asseguradas por equipas sem o número mínimo de profissionais exigido, situação que já levou à transferência de grávidas, denunciou esta terça-feira o bastonário da Ordem dos Médicos (OM).

«No mês de julho, dos 62 períodos de urgência, 20 não tiveram sequer a equipa mínima que é recomendada pelo Colégio de Especialidade, o que significa que, nalguns casos, a situação é dramática», disse Miguel Guimarães aos jornalistas, no final de uma visita ao Hospital de Fernando Fonseca, na Amadora, na sequência da ameaça de demissão das chefes de equipa de Ginecologia/Obstetrícia do Serviço de Urgência por falta de recursos humanos e condições.

Para o responsável, «não é possível, num hospital que serve uma população de quase 600 mil habitantes, que tem uma atividade do Serviço de Urgência enorme, ter uma equipa abaixo dos mínimos», reforçou.

Miguel Guimarães, acompanhado de João Bernardes, presidente do Colégio de Ginecologia/Obstetrícia da OM e de Catarina Perry da Câmara, presidente do Conselho Nacional do Médico Interno, reuniu com o conselho de administração, direção clínica, direção do Serviço de Urgência, direção dos serviços de Ginecologia e de Obstetrícia e direção do Internato Médico.

Posteriormente, e de acordo com uma nota publicada no site da OM, seguiu-se uma reunião com os chefes de equipa dos Serviços de Ginecologia e Obstetrícia onde foram partilhados alguns problemas sentidos pelos profissionais, entre os quais a falta de mais cinco especialistas e a necessidade de melhores condições para continuar a prestar um serviço de qualidade.

No entender do bastonário, esta é «uma emergência» porque, caso contrário, «a equipa de Obstetrícia e Ginecologia corre o risco de não poder funcionar em determinados dias». 

Entretanto, Teresa Matos, uma das chefes da equipa de Ginecologia e Obstetrícia do hospital, revelou que em todas as situações que o serviço esteve a funcionar com equipas abaixo do mínimo, várias grávidas tiverem de ser transferidas para outros hospitais.

«No mês de julho, dos 62 períodos de urgência, 20 não tiveram sequer a equipa mínima que é recomendada pelo Colégio de Especialidade, o que significa que, nalguns casos, a situação é dramática», denunciou Miguel Guimarães 

Sobre a ameaça da demissão, a especialista disse que estão «à espera de ver quais são as respostas, as soluções» que vão ser apresentadas, estando marcada uma reunião para decidir uma posição comum para dia 14.

Teresa Matos lembrou ainda que o serviço tem «um corpo clínico envelhecido».

Ou seja, «dos 17 especialistas que fazem urgência, nove têm mais de 55 anos, dois têm 54, o que faz com que nada possa garantir que os médicos não apresentem, no próximo mês, uma recusa em fazer noites ou mesmo as urgências. 
Dos sete especialistas que têm menos de 50 anos e dois estão de licença de maternidade», sublinhou Teresa Matos .

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08 de Agosto de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis

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