Exame à visão pode prever surgimento da doença de Alzheimer

24.08.2018

Estudo publicado no Journal of the American Medical Association Opthalmology
Os avanços na tecnologia dos exames oftalmológicos vão poder ajudar os médicos a diagnosticar a doença de Alzheimer através da análise da retina muito antes de surgirem os primeiros sintomas, revelou um estudo publicado esta quinta-feira no Journal of the American Medical Association Opthalmology.

A partir de equipamentos semelhantes aos que já estão disponíveis na maioria dos consultórios oftalmológicos, os investigadores detetaram sinais de Alzheimer numa pequena amostra de 30 pessoas.

As pessoas que participaram no estudo, todos com mais de 70 anos sem sintomas visíveis da doença de Alzheimer, submeteram-se à realização de um exame PET ou à análise do líquido cefalorraquidiano.

Cerca de metade registou a presença de níveis elevados da proteína beta-amiloide ou tau, as chamadas proteínas do Alzheimer, o que sugere que, com o tempo, eventualmente desenvolverão demência, conclui o trabalho intitulado «Association of Preclinical Alzheimer Disease With Optical Coherence Tomographic Angiography Findings».
 
«Nos pacientes com níveis elevados de beta-amiloide ou tau, detetámos um afinamento significativo no centro da retina», comenta Rajendra Apte, um dos investigadores e professor de Oftalmologia e Ciências Visuais da Universidade de Washington, em St. Louis

Neste grupo, os investigadores também observaram um afinamento da retina, algo que os especialistas já tinha detetado notado em necropsias de pessoas que morreram em decorrência da doença de Alzheimer.

«Nos pacientes com níveis elevados de beta-amiloide ou tau, detetámos um afinamento significativo no centro da retina», comenta Rajendra Apte, um dos investigadores e professor de Oftalmologia e Ciências Visuais da Universidade de Washington, em St. Louis.

«Todos temos uma pequena área desprovida de vasos sanguíneos no centro das nossas retinas que é responsável pela nossa visão mais precisa. Descobrimos que esta zona que carece de vasos aumentou significativamente em pessoas com doença de Alzheimer [em estado] pré-clínico», indicou o especialista.

Contudo, o estudo não revela se os participantes com retinas mais finas desenvolveram, de facto, Alzheimer.
Por essa razão, o diretor de investigação da Sociedade Americana de Alzheimer, Doug Brown, qualificou a investigação como «fascinante», mas com cautelas.

«Precisamos de comprovar que algumas das pessoas com Alzheimer pré-clínico desenvolveram realmente a doença com um grupo muito maior durante um período mais longo para tirar conclusões firmes», disse Brown.

Os especialistas acreditam que a doença de Alzheimer começa a causar danos no cérebro duas décadas antes dos primeiros sinais de perda de memória.
Cerca de 50 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo e espera-se que esse número aumente nas próximas décadas à medida que a população envelhece.

O estudo pode ser lido na íntegra aqui 

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24 de Agosto de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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