A arte pode ter um efeito analgésico

por Zózimo Zorrinho | 04.09.2018

Estudo publicado na revista Pain Medicine
Visitar um museu e apreciar obras de arte pode ter um efeito analgésico e aliviar sentimentos de isolamento em doentes com dor crónica, revela um estudo publicado na revista Pain Medicine.

O trabalho, liderado por investigadores da Universidade da Califórnia, mostrou que 57% dos participantes referiram uma redução da dor nas visitas do programa Art Rx ao Museu Crocker Art, em Sacramento, na Califórnia.
Além disso, a dor diminuiu por um período até três semanas após a visita e a generalidade dos participantes também indicou redução do isolamento social, uma situação comum provocada pela dor crónica.

O estudo pioneiro nesta área abrange apenas uma intervenção num único museu, mas suscita a reflexão sobre as dimensões sociais da dor, que geralmente são reconhecidas, mas pouco estudadas, segundo os investigadores.

«Face ao aumento da dor crónica e uso excessivo de analgésicos opiáceos, é essencial que a componente social da dor seja reconhecida e abordada», defendem.

Durante a visita, os participantes indicaram que a experiência proporcionou distração da sua dor, e que a discussão sobre as obras de arte os fez sentir mais ligados aos outros visitantes.

Visitar um museu e apreciar obras de arte pode ter um efeito analgésico e aliviar sentimentos de isolamento em doentes com dor crónica, revela um estudo publicado na revista Pain Medicine

Um dos participantes comentou: «Estou a olhar para a arte e já não sou apenas o meu corpo.
Estou num espaço de conexão», referindo-se ao facto de a dor crónica tornar-se habitualmente num foco constante da mente das emoções dos doentes.

O trabalho, intitulado «The Art of Analgesia: A Pilot Study of Art Museum Tours to Decrease Pain and Social Disconnection Among Individuals with Chronic Pain» alerta ainda que a dor crónica está a tornar-se um dos mais graves problemas de saúde pública.

Os participantes tinham uma idade média de 59 anos, 65% eram mulheres, e no seu historial clínico relacionado com a dor, queixavam-se de isolamento social, autoimagem crítica e instabilidade emocional.

Os autores reconhecem que o número limitado da amostra – 54 participantes, 14 dos quais entrevistados –e o seu desenho geral (sem grupo comparativo ou randomização) o tornam passível de «um viés de seleção», admitindo a possibilidade de explicações alternativas.

Porém, sendo o primeiro estudo neste sentido, realçam que se impõem mais investigações para «explorar os mecanismos, duração e fatores da analgesia social».

O artigo pode ser consultado na íntegra aqui

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04 de Setembro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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