«É uma má prática olhar só para a hiperglicemia»

por Teresa Mendes | 11.09.2018

SPD alerta para a necessidade de tratar o risco CV na diabetes tipo 2
A Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD) considera que «é má prática não tratar com os novos fármacos, que diminuem o risco e a mortalidade cardiovascular, os doentes com diabetes tipo 2 que já tiveram um enfarte».

O alerta consta da «Proposta de Atualização das Recomendações para o tratamento da hiperglicemia na diabetes tipo 2», que está em discussão pública até ao próximo dia 20.

A proposta defende que o tratamento da diabetes tipo 2 «se torne cada vez mais individualizado, olhando para além da hiperglicemia».

«A SPD recomenda a procura do tratamento ideal para cada pessoa com diabetes tendo em conta as características individuais e as patologias que tem associadas, em particular as doenças cardiovasculares», salienta aquela Sociedade num comunicado à Imprensa.

«Se temos fármacos que tratam a diabetes tipo 2 ao mesmo tempo que reduzem o risco cardiovascular e a consequente mortalidade ou favorecem a perda de peso e isso é comprovado pelos estudos, devemos recorrer a eles para tratar a pessoa com diabetes de forma mais individualizada», argumenta Rui Duarte 

«Se temos fármacos que tratam a diabetes tipo 2 ao mesmo tempo que reduzem o risco cardiovascular e a consequente mortalidade ou favorecem a perda de peso e isso é comprovado pelos estudos, devemos recorrer a eles para tratar a pessoa com diabetes de forma mais individualizada, promovendo a sua saúde geral», argumenta Rui Duarte, presidente da SPD.

«Sabemos, por exemplo, que uma pessoa com diabetes tem um risco de mortalidade por eventos cardiovasculares duas a seis vezes maior do que uma pessoa que vive sem a patologia, portanto, é uma má prática olhar só para a hiperglicemia e não tratar com os novos fármacos uma pessoa que já teve um enfarte, por exemplo.

É uma má prática tratar a hiperglicemia sem recorrer aos novos fármacos que atuam nas patologias associadas e que podem reduzir o risco de novos eventos e até a mortalidade», adverte o responsável.

Tendo em conta os estudos mais recentes sobre a eficácia e a segurança dos novos fármacos para o tratamento da diabetes tipo 2 e dos seus efeitos nas comorbilidades associadas à diabetes tipo 2, e no sentido de promover a individualização terapêutica na diabetes, a SPD publicou a «Proposta de Atualização das Recomendações para o tratamento da hiperglicemia na Diabetes tipo 2 – 2018», de forma a substituir as anteriores, publicadas em 2013 e atualizadas em 2015.

A proposta foi redigida por profissionais como Rui Duarte, Miguel Melo, J. Silva Nunes, Pedro Melo, João Raposo e Davide Carvalho e encontra-se atualmente em discussão alargada dentro do Grupo de Estudo de Recomendações Terapêuticas da SPD.

O documento final, além das recomendações gerais, inclui documentos de individualização terapêutica na diabetes para pessoas com excesso de peso, com insuficiência cardíaca, com doença renal crónica ou idade avançada.

O mesmo, que pode ser consultado aqui, seguirá para publicação na Revista Portuguesa de Diabetes durante o mês de outubro e será atualizado à medida que surgirem novos dados relevantes, avança ainda a SPD.

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11 de Setembro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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