Procedimentos informáticos supérfluos penalizam tempo destinado aos doentes

08.10.2018

OM condena falhas e obstáculos informáticos à PEM 
O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) alerta o Ministério da Saúde (MS) e a Serviços Partilhados (SPMS) para «o agravamento da já excessiva burocratização informática que envolve a emissão das “receitas sem papel”».
Num comunicado, Miguel Guimarães salienta que são os doentes que saem penalizados.

«São exigidos aos médicos cada vez mais procedimentos informáticos supérfluos que só vêm penalizar o tempo destinado a observar os doentes e criar obstáculos administrativos que condicionam a qualidade dos cuidados de saúde prestados e a relação médico-doente», lê-se na nota à Imprensa emitida nesta sexta-feira.
 
A preocupação já foi remetida ao MS e à SPMS sob a forma de um ofício, que dá conta do impacto negativo que a crescente burocratização que envolve a Prescrição Médica Eletrónica (PEM) está a ter na atividade assistencial aos doentes.

Em causa está uma circular normativa na qual é requerida aos médicos mais um procedimento a executar na emissão de receituário em caso de falha informática, o que vem aumentar o tempo dedicado ao computado. 

«Devido às muitas falhas informáticas que se repetem no sistema da prescrição da “receita sem papel”, a SPMS pede agora aos médicos um procedimento informático extra – informar o helpdesk (gabinete de apoio informático) da falência do sistema informático para que se gere um número de código a incluir na versão manual da receita», lamenta a OM. 

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) alerta o Ministério da Saúde (MS) e a Serviços Partilhados (SPMS) para «o agravamento da já excessiva burocratização informática que envolve a emissão das “receitas sem papel”». Num comunicado, Miguel Guimarães salienta que são os doentes que saem penalizados

Segundo o comunicado, esta alteração tem sido contestada pelos médicos já que prejudica a qualidade do seu trabalho e é agora rejeitada num parecer do Conselho Nacional das Novas Tecnologias da OM, que destaca que, na própria Portaria (284-A/2016) referente à prescrição manual, «não existe nenhuma obrigação de efetuar colocação manuscrita de um código de erro, de forma a validar a receita manual».
Entretanto, numa resposta enviada à agência Lusa, a SPMS alega que o objetivo é «facultar informação rigorosa sobre os constrangimentos que impedem os médicos de usar o sistema eletrónico, em caso de falência», para garantir que os problemas são analisados e resolvidos.

«Relativamente à forma como os serviços se organizam para proceder à notificação de falhas informáticas, é um assunto interno sobre o qual a SPMS não comenta», acrescenta a resposta escrita.  

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08 de Outubro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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