Cancro da mama: Novo paradigma

por Rui Dinis | foto de "DR" | 09.10.2018

Dia Nacional do Cancro da Mama assinala-se a 30 de outubro
Opinião de Rui Dinis

O cancro da mama é a neoplasia mais frequente no sexo feminino.
Constituem fatores de risco para o desenvolvimento de cancro da mama o sexo, a idade, a história familiar, a história reprodutiva (como a menarca precoce, a menopausa tardia e a nuliparidade) e síndromes hereditários como as mutações dos genes BRCA1 e BRCA2.

A implementação de programas de rastreio trouxe uma redução na mortalidade de cerca de 40%, ao permitir um diagnóstico em fases mais precoces da doença.

Infelizmente, mesmo quando diagnosticado em estádio inicial, estima-se que até 30 por cento das mulheres com cancro da mama irão evoluir, alguns meses ou mesmo vários anos depois, para a doença metastática, que ocorre quando o tumor, a partir do tecido de origem, é capaz de colonizar outros órgãos como por exemplo o osso, o fígado, o pulmão ou o cérebro.

Como existem muitas células tumorais na doente e provavelmente com caraterísticas muito diferentes umas das outras, torna-se muito difícil encontrar um tratamento que elimine todas as células.

Por isso, o cancro da mama metastático não tem cura. 

No entanto, cada doente com cancro da mama metastático/avançado é única e, consequentemente, a história natural da doença pode variar de meses a (cada vez mais) anos de vida.

Os principais fatores de risco associados ao cancro metastático são o tamanho do tumor à data do diagnóstico, a existência ou não de invasão nos gânglios linfáticos mais próximos, o grau de diferenciação do tumor, a existência de um elevado índice proliferativo nas células do cancro da mama e a ausência de recetores hormonais. 

Apesar da doença não ter cura, tem existido uma grande evolução no sentido de aumentar a eficácia dos tratamentos, estendendo a sobrevivência a ponto de tornar a doença crónica, o que requer da parte dos clínicos a maior atenção aos efeitos secundários de cada tratamento, no intuito de aliar a qualidade de vida e o alívio dos sintomas ao tempo de vida.

A classificação molecular dos tumores é feita de acordo com a expressão de recetores hormonais e de HER2 em quatro grupos principais, o que lhes confere valor prognóstico e preditivo de resposta aos tratamentos de quimioterapia, hormonoterapia e terapia dirigida a alvos concretos como o Her2, as ciclinas e o mTOR.

Um dos grandes desafios futuros será encontrar cada vez mais alvos terapêuticos e bloquear os mecanismos de resistência às terapêuticas, permitindo uma esperança de vida cada vez maior.

O novo paradigma será portanto minimizar a toxicidade infligida pelos tratamentos, de modo a garantir a máxima qualidade de vida das mulheres e a sua integração plena nas famílias e na sociedade.

*Diretor do Serviço de Oncologia do Hospital do Espírito Santo de Évora

18JMA41A
09 de Outubro de 2018
1841Pub3f18jma41A

E AINDA

por Teresa Mendes | 23.04.2019

Manifesto da EFPIA reforça os benefícios das vacinas

«Construir uma Europa mais Saudável» é o título do manifesto criado pela Vaccines Europe, o grupo es...

por Teresa Mendes | 23.04.2019

SIM pondera convocar greve dos médicos do Instituto Nacional de Medicina Le...

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) pondera o «endurecimento das formas de luta», nomeadament...

por Teresa Mendes | 23.04.2019

APDIP reclama estatuto de doença crónica para as imunodeficiências primária...

Na semana mundial dedicada às imunodeficiências Primárias, que se assinala de 22 a 29 de abril, a As...

por Teresa Mendes | 22.04.2019

Instituto de Medicina Legal passa a realizar autópsias aos fins-de-semana e...

O Conselho de Ministros (CM) aprovou nesta quinta-feira a proposta de lei que permite ao Instituto N...

por Teresa Mendes | 22.04.2019

Fisioterapeutas contra regulamento do Acto Médico

A Associação Portuguesa de Fisioterapeutas (Apfisio) está contra o projeto de regulamento do Acto Mé...

por Teresa Mendes | 23.04.2019

Encontro internacional debate futuro do envelhecimento<br />  

A Academia Nacional de Medicina de Portugal (ANMP), o Science Advice for Policy by European Academie...

por Teresa Mendes | 22.04.2019

 Luís Martins Amaro nomeado novo presidente do Hospital Garcia de Orta

O actual diretor executivo do agrupamento de centros de saúde Almada-Seixal, Luís Manuel Martins Ama...

A reprodução total ou parcial deste site é proibida,
excepto se autorizada expressa e previamente pela Impremédica, Imprensa Médica, Lda.,
nos termos da legislação em vigor.