Maioria dos médicos americanos estão «desencantados com sua profissão»

por Teresa Mendes | 10.10.2018

Sete em cada 10 clínicos não recomendaria a profissão aos seus filhos 
 Sete em cada 10 médicos americanos não recomendaria a profissão aos seus filhos ou a outros membros da família e mais de metade está a pensar em reformar-se nos próximos cinco anos, incluindo um terço dos que têm menos de 50 anos, revela um estudo da The Doctors Company.

Divulgado pela Medscape, o inquérito, que incluiu mais de 3400 médicos dos Estados Unidos da América revelou que os clínicos estão «desencantados com a prática da medicina».

Segundo os autores, muitos dos clínicos vêm a adoção do registo de saúde eletrónico (RSE) e os novos modelos de pagamento de acordo com o desempenho como comprometedores da tradicional relação médico-doente e da qualidade dos cuidados médicos.

Entre as principais descobertas do estudo está o facto de mais de metade dos médicos (54%) planearem reformar-se nos próximos cinco anos devido à pressão, aumento da carga administrativa e diminuição do valor da reforma.

O inquérito revelou igualmente que mais de metade dos médicos (54%) acredita que os RSE tiveram um impacto negativo nas relações médico-doente e quase dois terços (61%) acredita que os mesmos estão também a ter um impacto negativo na eficiência e produtividade.

«Muitos comentários sugerem que os médicos estão frustrados com a funcionalidade, confiabilidade e falta de interoperabilidade dos seus RSE», observam os autores.

Mais de 40% dos inquiridos consideram que os cuidados baseados no pagamento de acordo com o desempenho terão um impacto negativo na relação médico-paciente.
 
Sete em cada 10 médicos americanos não recomendaria a sua profissão aos seus filhos ou a outros membros da família e mais de metade está a pensar em reformar-se nos próximos cinco anos, incluindo um terço dos que têm menos de 50 anos, revela um estudo da The Doctors Company

«Muitos médicos temem que o pagamento por desempenho não leve em conta as nuances da relação médico-paciente e coloque um foco nos dados populacionais, em vez de resultados individuais», consideram os investigadores. 
Quase dois terços (62%) dos entrevistados afirmou que não planeiam mudar a forma como praticam medicina e três quartos (75%) planeiam manter-se independentes.

O estudo incluiu médicos em diversas especialidades médicas de 49 estados e do Distrito de Columbia, tendo o relatório sido criado em parceria com a Modern Healthcare Custom Media.

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10 de Outubro de 2018
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Publicada originalmente em www.univadis.pt

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